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21.1.10

CADE MEU CORPO?


aonde a escola entra como vilã do corpo?

Quando a criança inicia o ensino fundamental, atualmente aos 6 anos, ela se senti muito importante sentada em sua carteira escolar. Nesses primeiros dias provavelmente vamos encontrar todas as crianças sentadas na ponta da cadeira, desprezando o encosto da mesma, pois elas estão sustentadas por suas colunas, que funcionam lindamente, e na expectativa de aprenderem coisas interessantes e importantes.
Mas para algumas crianças o tempo de manter-se sentadas e atentas torna-se longo e cansativo, mas como não podem levantar para irem ao pateo correr um pouco, resta ao corpo o encosto da cadeira para se ausentar daquele momento.

Até o quarto ano, todas as crianças ja estarão desmontadas nas cadeiras escolares, com a sensação de que aprender é chato, e as unicas coisas legais da escola são a chegada, o recreio e principalmente a saída.

A esse corpo damos o nome de colapsado, ele começa a ter dificuldades de sustentar-se por conta propria. Origem de muitos problemas posturais que nos acompanham vida afora. Ali começa a desconexão que torna o corpo cansado, descoordenado, sem flexibilidade, com dificuldades de manter-se ativo, com propensão a dores nas costas...
Um corpo muito distante daquilo que ele poderia ser.

E será que da para mudar isso no sistema escolar atual?

Uma vez, trabalhando com professoras de uma pre-escola, pedi que observassem os corpos de seus alunos. Uma professora observou que um menino de 5 anos colapsava na cadeira toda vez que ele tinha que sentar para fazer os exercicios de preparação para o ensino fundamental. Atenta a isso ela convidou o aluno para levantar e ajuda-la em outras tarefas, como distribuir a lição para os outros alunos. Ele levantou feliz da vida e cumpriu muito bem sua função de ajudante, porem em um certo momento ele teve que voltar para sua cadeira para iniciar seu dever. E ele voltou a colapsar.
Então a professora, com dor no coração e na consciencia pensou:
paciencia, não posso fazer mais nada, ele ja tem 5 anos e tem que fazer sua tarefa.

20.1.10

DESDE O INICIO!

nossa origem corporal iniciou-se com o encontro do espermatozoide e o óvulo, que transformou-se em uma única célula, o zigoto, que continha informações genéticas. Essa célula entra em processo progressivo de divisão, dando origem a um ser multicelular que inicia uma organização de sistemas super complexo.

Esse foi o inicio de todos nós, e o curioso é que, se olharmos o embrião, não vamos ver o formato do ser humano, não veremos uma miniatura de gente, isso quer dizer que os pais não produziram o corpo de seus filhos, o bebê se auto cria a partir das informações do DNA.

Isso pode ser chamado de autopoiese, a capacidade de criar-se a si mesmo. E esse é o processo desde o inicio até o fim de nossa vida corporal, estamos sempre nos (re)criando!

Seguindo o desenvolvimento fetal, em um parto natural, quando o bebê está pronto para nascer, ele libera um hormonio e ativa o corpo da mãe para entrar em trabalho de parto, assim, o corpo entra em trabalho de parto antes da mãe ter consciência disso.
Então o bebê inicia sua viagem para fora do corpo da mãe, sai com a cabeça primeiro e na sequência o corpo segue a direção e o movimento da cabeça.

O bebê nasce e encontra um novo ambiente e seus sentidos entram em ação de forma mais intensa do que no útero.
Ele ouve e reconhece a voz da mãe, cheira e deseja o leite, busca com a boca o seio, e pela primeira vez ativa a visão.

Todas as portas dos sentidos estão localizados na cabeça, alem da pele.

Esses sentidos (visão, olfato, paladar e audição) dão movimento a cabeça, que no caso do bebê é um cabeção, e essa é mais uma perfeição da natureza, pois é justo esse enorme peso no topo do corpo que vai estimular a formação da coluna, iniciando pela firmeza do pescoço, até sua organização completa que permite o movimento de andar e se sustentar na vertical.

Escrevi tudo isso para ilustrar como nos desenvolvemos de forma complexa, refinada e com autonomia.
Esse processo não para nunca, pois estamos nos transformando celularmente por toda vida.

Sendo assim, nenhum processo de aprendizagem pode deixar o corpo de fora, ou melhor, nenhum processo de aprendizagem ou desenvolvimento em qualquer fase da vida pode ser verdadeiramente feito sem um corpo ativo e presente.

E o que faz a escola?

Separa o corpo do processo de aprendizagem. Considera a necessidade de movimento e ação um problema e não um recurso da criança.

19.1.10

O CORPO NA ESCOLA

sabe onde mais me incomoda a ação nociva da escola? No desinvestimento do corpo. E o que é o corpo?

Um simples olhar sobre o corpo humano nos revela uma maravilhosa engenharia produzida pela natureza. Quanto mais estudamos mais nos deparamos com a complexidade do universo, singular, infinito que somos nós. Felizmente todas as funções vitais funcionam sem a necessidade do nosso conhecimento consciente. Se a vida dependesse de nossa consciência, há muito tempo ela já teria desaparecido.
Os bebes nascem sabendo mamar, respirar, chorar, evacuar, assim como as aranhas nascem sabendo tecer sua teia sem ter aprendido.
Os corpos dos seres vivos pensam independentes da consciência.

Como disse Nietzsche: “espantamo-nos diante da consciência, mas o que surpreende, é acima de tudo o corpo.
Todo organismo pensa, todas as formações orgânicas participam do pensamento, do sentir, do querer, e que, em conseqüência, o cérebro é apenas um enorme aparelho de concentração. Faz-se ainda necessário perceber que esse pensamento corporal, inconsciente, com sua gama de operações delicadas – julgar, imaginar, criar valores – é muito mais aperfeiçoado e sutil que o pensamento consciente associado ao eu e ao intelecto”. Nietzsche: Fragmentos.

Então o que foi que aconteceu entre a nossa primeira infância, quando vivíamos com um corpo pensante, e a nossa vida adulta onde vivemos com uma mente consciente que tenta domar um corpo rebelde, que teima em doer, ficar rígido, e frustrar as realizações de nossas ambições idealizadas por nosso intelecto?

Resposta: Abandonamos nossos corpos nas carteiras escolares!!!


continuo amanhã...