8.9.10

Re-Criando!

creio que existam muitos meios de nos instrumentalizarmos para a construção de novos modos de vida.
tem sido muito rico e promissor os encontros presenciais que sempre fazemos para praticar, aprender, questionar...

lanço uma proposta para realizarmos encontros mensais com temas e praticas que nos inspirem a sair do senso comum e do bom senso; que nos permitam criarmos novos modos de vida coerentes com nossos sentidos e sensações; que cada vez menos possamos dizer: a realidade é outra!

não! a realidade é criada por nós!!!

estão todos convidados a participarem do 1º Re-Criando - encontros para criarmos novos modos de vida.

nosso primeiro Re-Criando será em piracaia - sp
com palestras e praticas com os temas:

Comunicação Não Violenta (CNV) criado pelo americano Marshall Rosenberg, será apresentada por Merran Poplar (australiana, residente na argentina)

e

Desescolarização apresentado por mim, onde vou compartilhar a experiencia de ter me desescolarizado assim como meus filhos.

acontecerá no dia 25 de setembro - sabado - a partir das 11 horas até o por do sol.

evento gratuito

para inscrições e maiores informações: anathomaz@terra.com.br

3.9.10

VIDA FORA DA ESCOLA!

não tenho os filhos frequentando escola!
e mesmo morando no Brasil, não estou infringindo a lei, pois meus filhos tem 17, 4 e 2 anos de idade, todos fora da idade obrigatória.

por isso aproveito para tornar publico parte do maravilhoso processo de desescolarização que estamos vivendo.

meu filho mais velho iniciou sua vida escolar em uma escola waldorf em londres, onde estudou por três anos.
de volta ao brasil continuou no mesmo sistema de ensino, nunca com grande entusiasmo, porem aos 13 anos começou a lamentar diariamente o fato de ter que ir a escola.
eu já tinha um olhar muito critico em relação a escola, mas até então em relação particular a desconexão corpo/mente que acontece nas escolas.
ouvi as reclamações do meu filho e comecei a ver o quanto a escola tinha roubado dele a curiosidade, a força corporal, o desejo por aprender.
ele não gostava de fazer lição de casa, não gostava de ler livros, estudar para provas, decorar formulas, e tinha uma profunda irritação em relação ao modo como as amizades se formavam entre os colegas de classe e o tratamento entre professores e alunos (isso merece todo um capitulo, entre bullings e abuso de autoridade).

propus a ele terminar o ensino fundamental, já que era obrigatório e ao mesmo tempo me daria tempo para me preparar para desescolariza-lo do ensino médio.
ele aceitou prontamente e eu comecei a me preparar.
como faria isso? o que meu filho aprenderia fora da escola? estaria pronta para ouvir as criticas?
essas eram algumas perguntas que eu mesmo me fazia durante esse ano que me propus a me desescolarizar.

nosso projeto começou em janeiro de 2009, nos reunimos e apresentei meu projeto para ele.
propus que no primeiro ano eu ficaria responsável por sua carga horaria assim como a escolha das atividades que ele faria; no segundo ano dividiríamos 50% para cada um decidir sua formação; e no terceiro ano ele poderia assumir toda a responsabilidade de seu processo desescolar.

ele precisaria primeiro de uma desintoxicação após tantos anos de escolarização para poder tomar decisões no mundo real.
em relação ao tempo livre, ele poderia fazer o que tivesse vontade, com restrições ao horário para assistir televisão.
para resumir esse primeiro ano, em 5 meses ele já tinha me convencido a assumir totalmente seu processo desescolar.

ele desenvolveu um verdadeiro interesse pela magica e precisava de muito tempo para suas investigações, praticas e criações.
no inicio de 2010 ele já estava na inglaterra, onde ficou por mês, para participar de um congresso mundial de mágicos; em julho e agosto em buenos aires para aperfeiçoamento com um consagrado magico mundial com quem teve aulas diárias e voltou radiante e já avisando que terá que ir a guatemala em fevereiro.

Em menos de dois anos fora da escola, vejo meu filho ler livros (em inglês), ficar fluente em outras duas línguas, procurar pessoas para auxilia-lo, apresentar-se em publico com muita fluência, estudar madrugada a fora, acordar cedo todas as vezes que lhe interessava, responsabilizar-se por si, acordar e dormir feliz, sem nunca mais reclamar que está fazendo algo que não gostaria de fazer.

ter um adolescente assim em casa facilita muito, pois não fica buscando recompensas ou descompensas da vida escolar chata e cheia de pressão que vivem hoje em dia os adolescentes.

hoje nem nos lembramos mais da obrigatoriedade de frequentar a escola.
estar em casa, dedicando-se aos seus interesses genuínos e no caso dele, encantador, nos provou ser a coisa certa.

quanto as pequenas, que também estão em casa no alto de seus 4 e 2 anos de idade, também não questionamos nenhuma vez a possibilidade de frequentarem a escola, e já encontramos uma solução para continuarem desescolarizadas sem infringir a lei.

mas isso fica para um post futuro.

1.9.10

RAZÃO X EMOÇÃO

informação boa é aquela que nos amplia a visão e nos apresenta outras possibilidades de ação.

foi isso que aconteceu quando eu li que as crianças antes dos dois anos de idade não tem as conexões entre os hemisférios esquerdo e o direito do cérebro totalmente ativados.
eles entram em processo de conexão a partir dos dois anos e completam essas "pontes" até os sete anos de idade.

isso me fez pensar que quando uma criança pequena está com atividade no hemisfério direito ela não tem acesso simultâneo ao hemisfério esquerdo.
se ela está tendo um ataque emocional, o famoso xilique (ação do lado direito), ela não consegue acessar o controle racional (ação do lado esquerdo).
durante a explosão emocional ela não consegue compreender as razões para acalmar-se.
ela não tem as ferramentas prontas para que a razão dimensione a emoção.
se isso for exigido de uma criança antes dos dois anos, será como exigi-la que ande aos 6 meses, ela poderá até fazê-lo, mas com que custo?

nos resta acolher, aceitar e apreciar a natureza.

a criança está emocionalmente alterada? permita! de um ambiente seguro para ela, pense que ela não tem condições de escolha, aprimore suas condições de expressar suas emoções, deixando-a sentir que ela está sendo escutada, mesmo que não seja possível atende-la, pois sabemos que não precisamos dar aquilo que a criança pede para que ela se desenvolva saudavelmente, mas o modo que conduzimos a situação é que faz a diferença, não estamos exigindo que ela compreenda as razões, pelo menos naquele momento.

depois que a criança se acalma seu hemisfério esquerdo volta a ser acessível, e neste momento podemos, de modo simples e claro, conversar sobre o acontecimento, de preferência criando uma situação concreta para exemplificar.
sem ameaças, lição de moral ou acusações.

a partir dos dois anos ela já começa a criar esses acessos, lentamente, pois ele só vai finalizar por volta dos sete anos.
nesse momento já podemos ajuda-la a acessar a razão durante um ataque emocional, criando essa "ponte" com qualidade.

acredito que o que chamamos de pessoa equilibrada da-se inicio quando uma criança tem a possibilidade de desenvolver bem as qualidades dos dois hemisférios separadamente, e depois a conexão entre eles,

mas para isso é preciso permiti-la ter seu tempo e espaço em um ambiente seguro, acolhedor, amoroso e cheio de vida.

talvez isso explique adultos mal resolvidos no equilíbrio razão X emoção.

25.8.10

GENERALIDADES!

na época da escola meu maior desejo era ser inteligente.
achava que uma boa maneira de ser inteligente seria tornando-me uma especialista.

mas a vida nunca me levou para a especialidade, como também nunca permitiu sentir-me inteligente.

inclusive quando decidi me aperfeiçoar em um curso de formação de três anos, em londres, logo me dei conta que entrei em uma formação especialista em generalidades.

e assim tornei-me uma generalista.

não tenho nada contra a inteligencia e a especialidade, mas cada vez mais sinto ser um presente a ausência de ambas na minha vida, talvez por eu ter escutado que quando a inteligencia se destaca de um lado, alguma coisa fica esquecida do outro...

provavelmente os responsáveis pelo sistema educacional no brasil sejam pessoas muito inteligentes, cheias de títulos academicos, que escrevem e falam muito bem, elaboram currículos, compartimentam o ensino, determinam as horas de aprendizagem, antecipam a idade da alfabetização, adoram uma avaliação...

mas para o meu olhar de generalista essas pessoas que estão a frente da educação estão tão ocupadas em serem inteligentes que lhes faltam a capacidade de perceber se a educação, da maneira que está sendo praticada, é boa para a vida ou não.

ensinar para a criança determinadas matérias pode ser uma coisa inteligente, mas permitir que uma criança continue a construir-se a si mesma potentemente é coisa para sábios.

ensinar uma criança a se comportar socialmente é inteligente, mas para confiar na capacidade de observação e percepção da criança, é necessária muita sabedoria.

saber é sentir, saborear, sentir o sabor.

os bebês colocam tudo na boca, querem conhecer o sabor de tudo, saboreiam a vida, estão abertos para o saber.

antes mesmo de terem desenvolvido a inteligencia, aprendem tudo que querem aprender.

então me pergunto:

e se esses bebês, que logo se tornam crianças, não fossem atrapalhados no desenvolvimento de sua sapiência?

e se os inteligentes permitissem serem inspirados pelos saberes das crianças?

e se a sabedoria for o outro lado esquecido da inteligência?

os generalistas são assim mesmo, se metem a questionar a inteligencia e a especialidade.

e hoje rodeada de bebês e crianças, me sinto assim, sábia!

15.8.10

CONVITE NUMERO 2

as mudanças não se fazem só através das criticas e das ideias, é sempre necessário o movimento, a ação e a principalmente a criação.

nosso modo de experimentar a educação ativa, neste momento tem sido através de dois encontros semanais com familias, ou parte delas.

as terças nos encontramos para criarmos um ambiente propicio para o desenvolvimento do corpo em seu ritmo e movimento.
as sexta é a vez das artes e suas percepções sensorias, cores, formas, texturas, gostos e sensações.

são jogos, brincadeiras que nos levam, adultos, bebês e crianças a percepção e desenvolvimento de nosso mundo-próprio.
como vemos, sentimos e agimos o mundo.

em nossas experimentações, nós, adultos, precisamos nos ater a algumas questões:

*entrar na brincadeira - as crianças tem verdadeiro fascínio pelo mundo dos adultos, por isso é importante fazermos dessas brincadeiras o nosso mundo daquele momento, estarmos la, inteiros, entregues, curiosos e porque não, desenvolvendo, ativando e aguçando nossas percepções sinestesicas e sensoriais.

*não dirigir implícita e/ou explicitamente as atividades das crianças - elas tem seu tempo próprio e suas necessidades, o mais importante é saber observar e admirar a singularidade de cada criança.

*não inibir as crianças com olhares e/ou comentários - as vezes é irresistível fazer um comentário quando uma criança decide dançar livremente e lindamente em nossos encontros, porem basta um comentário para congelar ou dar outro sentido a experiência da criança.

*não tenha expectativas de conquistas concretas e pontuadas - as maiores e melhores conquistas são as construções das estruturas psico-físico-emocional, e essas dão-se de forma silenciosa e interna.

*aproveitar esse momento para estar com seu filho em um contexto social sendo essa uma oportunidade de criarmos um novo modo de nos relacionarmos socialmente com nossos filhos e outras crianças.
uma possibilidade para nossos filhos se sentirem confiantes e seguros com outros adultos alem da família.
para as crianças compartilharem o mesmo o espaço sem disputas, sem terem que dividir antes de estarem preparados para isso.
um espaço propicio para o desenvolvimento natural de cada singularidade, sem comparações, sem finalidades, sem terem que provar nada a ninguém.

todas as crianças de todas as idades são bem vindas, assim como seus pais, avós, tios e cuidadores, desde que participem ativamente de nossas atividades.

a participação é gratuita.

nosso propósito é desenvolver um centro de pesquisa e apoio a educação ativa nas famílias e centros educacionais.

os encontros acontecem as terças (corpo) e sextas (artes) das 10hs30 as 11hs30.

para participar mandem um e-mail para:
anathomaz@terra.com.br
ou liguem:
tel. 3399 4257

7.8.10

CONVITE NUMERO 1

uma sociedade que não se afina com a natureza de seus representantes, merece ser reinventada!

sabe qual deveria ser a função das escolas nos dias de hoje?
preparar seus alunos para reinventarem a sociedade em que vivemos, pois ela não da conta das nossas reais e naturais necessidade.

porque infelizmente nossas escolas preparam seus alunos para continuarem sustentando esse sistema anti-vida em que vivemos.

para que serve uma sociedade finalista para uma natureza onde não existe finalidade, só existe intensidade.

nenhuma bananeira da bananas com a finalidade de...
as bananeiras produzem bananas por intensidade.

da mesma maneira nós também nos produzimos por intensidades naturais que em circunstancias propicias darão frutos, não para serem julgados, testados, avaliados, especulados, mas por pura necessidade da nossa existência.

assim deveriam ser as escolas, ambientes propícios para que todos desenvolvessem suas intensidades, sem a tirania do bom senso dizendo "as coisas já estão estabelecidas desta maneira, mas podemos tentar melhorar na medida do possível!"

não! isso não basta! melhorar na medida do possível é manter a escravidão com benefícios.
é a escravidão que tem que ser transmutada e não melhorada.

da trabalho quebrar hábitos tão enraizados e acomodados, da trabalho pensar, sentir e agir a vida de outra maneira; e é por isso que é tão difícil mudar.
mas já não é mais uma questão de escolha.
continuar investindo em um sistema tão anti-vida nos faz mortos ainda vivos.

e a vida tem uma intensidade que merece o trabalho da mudança!

e ainda tem vantagem, pois da trabalho, mas facilita a vida, e muito.

4.8.10

CAOS CALMO!


o assunto insiste e persiste!

em um post recente coloquei a importancia, tanto para a criança como para a mãe, do contato real, da presença fisica, das novas possibilidades que se abrem quando abraçamos a maternidade.

faltou ampliar essa possibilidade para a paternidade.

ontem assisti a um filme italiano feito em 2008, dirigido por antonio grimaldi e protagonizado por nino moretti.

o personagem de moretti é um alto executivo de uma empresa italiana que está negociando a fusão com uma empresa americana, e ele é pai de uma menina de 10 anos.

sua mulher morre!

ele se responsabiliza pelos cuidados da filha, e no primeiro dia em que vai deixa-la na escola depois a morte da mãe, o pai tem o impulso de ficar do lado de fora da escola da filha para estar presente caso ela precise dele.
o pai sente que sua decisão foi certa, por mais absurda que pareça, ele decide então que assim serão os seus dias, dedicado a estar presente corporalmente para acolher a filha, mesmo que a meia distancia.

ele fica na praça em frente a escola onde sua filha pode ve-lo quando quiser da janela da sala de aula.

acontece que alem da filha sentir-se completamente acompanhada em um momento tão necessario, a vida do pai torna-se mais interessante e intensa do que nunca.

o filme está disponivel em locadoras - "caos calmo".