19.12.10

PELO DIREITO DE EDUCAR




Segue a tradução do artigo feito por Paula

Home schooling is not legal, rules Spanish Constitutional Court

O caso dos dois casais que educam os filhos fora da escola contra a vontade dos serviços sociais fracassou depois do Tribunal Constitucional ter decidido que na lei espanhola a educação em casa não é um direito e que as crianças têm que submeter-se a um sistema formal de ensino.

O Tribunal Constitucional (TC) declarou que a Constituição permite ao legislador estabelecer um sistema de educação básica obrigatória e não reconhece o direito dos pais de educar os filhos em casa.

Numa sentença que acaba de ser publicada, o Tribunal Constitucional ignorou os argumentos apresentados pelos dois casais de homeschoolers que estavam sendo pressionados pelos serviços sociais para enviarem os filhos à escola.

Sob a lei da Protecção de Menores, o Ministério Público pediu ao Tribunal que ordenasse a matrícula imediata das crianças na escola. Os pais argumentaram que "a Constituição não ordena a escolaridade obrigatória no sistema público" e salientaram que os seus filhos recebem uma educação mais adequada do que a educação proporcionada nas "salas de aula, públicas ou privadas, com 30 ou 40 alunos." Os seus filhos falam cinco línguas, tocam instrumentos musicais e aprendem matemática, ciências, línguas e ética.

Todos os argumentos dos pais foram rejeitados. O Tribunal (em Málaga) respondeu ao pedido do Ministério Público e ordenou a frequência escolar para os menores. O juiz argumentou que a Constituição espanhola "não permite que os pais neguem às crianças o direito e a obrigação de participar no sistema de educação formal."

O tribunal acrescentou que a exclusão do sistema formal pode criar aos menores "sérios problemas no seu futuro desenvolvimento", tanto academicamente (em referência às dificuldades de acesso à universidade) como em termos sociais e de integração com outras crianças da mesma idade.

A decisão foi protegida pelo Tribunal Provincial de Málaga. O Tribunal Constitucional rejeitou hoje o pedido dos pais.

A decisão afirma que "o direito dos pais de escolher para os filhos uma educação fora do sistema de ensino obrigatório por razões de pedagogia não se enquadra em nenhuma das reconhecidas liberdades constitucionais".

Também indica que a Constituição não proíbe ao legislador [o poder] de estabelecer um sistema de ensino básico obrigatório "como um período de matrícula", durante o qual "é excluída a possibilidade" de ensinar os filhos em casa em vez de na escola.

No entanto, observa que a opção da escolaridade obrigatória não é exigida pela Constituição, mas é uma opção legislativa que a Constituição não proíbe e, portanto, "não pode descartar outras opções legislativas para incorporar alguma flexibilidade no sistema de ensino e, em particular, na educação básica. "



quando li esta noticia, duas coisas me ocorreram:
primeiro pensei na seriedade do assunto, o quanto ele mexe com as estruturas de uma sociedade viciada.
depois pensei, o quanto uma situação como essa do texto acima, ajuda a paralisar aqueles que não estão satisfeitos com o atual sistema de ensino, mas sem coragem de mudar, aproveitam um texto como esse para justificar a impossibilidade de ir contra o sistema e assim continuam sendo cúmplices e alimentando um modo de vida insatisfatório.

o problema é que aprendemos que existem dois lados apenas, um deles é aceitar (de diversas maneira) aquilo que nos é "oferecido", ou então ir contra, rebelando-se.
tanto um quanto o outro alimenta a situação, e não a transforma.

mas existe um outro caminho, quando desinvestimos aquilo que não nos interessa viver.
é necessário criar um outro modo de vida que não segue o que está estabelecido, quando não é satisfatório, e não ficar rebelando-se contra ele.
não quero esse sistema de ensino para nenhuma criança, e também não quero brigar contra ele e ficar negociando pequenos ajustes.

quero um outro tipo de ensino, de sistema escolar, de ambientes para que as crianças possam desenvolver todo seu potencial.

é mais simples do que parece, mas da trabalho, pois é preciso deixar de ocupar o lugar acomodado onde a vida já está determinada e é necessário criar o dia a dia, nosso próprio sentido, nossa própria vida.

é uma possibilidade não aceitar todo e qualquer "presente" que nos é oferecido.

desescolarizar as crianças é uma possibilidade real, é um desinvestimento na escola atual; e assim outro tipo de escola será criado.

a escola, nos termos atuais, distancia nossos filhos de todo sentido de suas vidas, os afastam de si mesmo, os tornam medrosos, ansiosos, e cheio de problemas falsos.

da trabalho ter os filhos fora da escola, mas facilita a vida, as nossas e as deles.

9.12.10

INCERTEZAS!

desconfiamos tanto da vida que estamos sempre em busca de certezas.
sempre que nos deparamos com algo novo, queremos buscar as garantias através de referências.
sinal de que não estamos com o pensamento ativo, nem com a intuição aflorada, nem com o instinto vivo.
a nossa virtualidade está completamente enfraquecida, e não muito diferente do corpo, que também está desconectado de sua própria natureza.

por isso não estamos exercendo a transmutação daquilo que está ruim, naquilo que não acreditamos, daquilo que não queremos mais, que apesar de tudo ainda nos da "garantias" e por pior que sejam os resultados, porque os conhecemos, ficamos tentando melhorar os efeitos nocivos de nossas investidas.

para transmutar é necessário confiar em nossas potencias, para criar o novo, para deixar de investir naquilo que não queremos mais, e que por falta de garantias não queremos experimentar.

que garantia esperamos do inédito? da criação?

ao contrario do que imaginamos, quando vivemos na incerteza, nos abrimos para a criação.
certezas demasiadas paralisa, acomoda, dificulta a criação.

a incerteza nos coloca em um lugar vivo, atentos as relações, aos acontecimentos, as percepções, as sensações, instintos, intuição...

somos criadores natos, não precisamos aturar nossas insatisfações.

não está bom, transmuta, transforma!
abra mão das certezas que nos trazem tristezas, angustias, sacrifícios, sobrevivencia...

e construa, na incerteza, novas possibilidades para que a vida flua.

caminhar não é só sair de um ponto para chegar a outro, mas levar a passear o olhar, o escutar, o sentir. E ativar as percepções é se abrir para a relação com o mundo, fazer parte dele e de sua criação.

o mundo não existe anteriormente a uma forma que lhe de seu perfil, mas quando uma forma converte-se em formula, em bordão, em rotina, então o mundo se torna fechado e falsificado.

o mercado de trabalho, as escolas, as relações, estão todos engessados em formulas que seguimos investindo com medo das incertezas que é inerente a todo processo de criação.

certeza demasiada nos mata ainda em vida.

10.11.10

TaKeTiNa - 2010

conheci TaKeTiNa na inglaterra no ano 2000, foi uma experiência muito intensa, que me apresentou um outro estado de corpo/mente/emoção - presença.

continuei sentindo aquele trabalho reverberando no meu dia a dia, senti que algo transmutou a minha percepção.

em 2002, ainda na inglaterra, pude fazer mais um workshop de TaKeTiNa, e pra minha surpresa aquilo que meu corpo conquistou na vivência anterior, alem de estar muito presente, ficou claro que eu tinha alcançado uma outra relação com ritmo, coordenação, tempo e capacidade de criar o estado de "aqui e agora".

foi um deleite!

de volta ao brasil, trouxe o desejo de continuar jogando TaKeTiNa, e de compartilhar isso com o povo daqui, porque TaKeTiNa rodeada de brasileiros é ainda mais gostoso!!!

assim tem sido desde 2009, quando tem sido realizado workshops anuais com nosso querido henning von vangerow
(alemanha).

para quem ainda não vivenciou aqui vai uma ligeira explicação da pratica:

em uma roda, somos convidados a desenvolver um ritmo, tendo como base o som do surdo, uma vez que este ritmo está bem estabelecido no grupo, o que já cria uma sensação incrível, partimos para poli-ritmia, isso é, mantemos o ritmo inicial e acrescentamos um outro ritmo com outra parte do corpo, daí o sistema nervoso central entra em um estado singular!
dois ritmos diferentes ao mesmo tempo no mesmo corpo junto com um grupo, um surdo nos dando a base e um berimbau nos apresentando outros caminhos!

então partimos para um terceiro ritmo,entre mãos, pés e voz produzimos ritmos diferentes ao mesmo tempo, nesse momento já não podemos estar em nenhum outro lugar além do estado presente.
o presente se amplia e ganha passado e futuro!

o corpo todo desperta, os dois hemisférios do cérebro sintonizam a mesma frequência, estado de meditação ativa!!!

ficaria aqui horas descrevendo percepções, sensações, pensamentos de quem é apaixonada por essa pratica...

venham experimentar!!!

será no nosso galpão na aclimação
espaço caçamba de arte
rua muniz de sousa, 517 (rua do parque da aclimação)

1º workshop: dias 23, 24 e 25 de novembro (terça, quarta e quinta)
das19:30 as 23hs

2º workshop: dias 27 e 28 de novembro (sábado e domingo)
das 13hs as 17h30.

3º workshop: dias 30, 1 e 2 de dezembro (terça,quarta e quinta)
das 19:30 as 23 hs

4º workshop a confirmar!

valor do workshop: 250 reais

cada workshop tem seu ciclo completo durante as 9 horas de duração; você escolhe em qual quer participar, podendo fazer um ou mais workshops.

para inscrições e maiores informações:

anathomaz@terra.com.br
telefone: 3399 4257
falar com ana

2.11.10

MUSICA CORPORAL



fernando barba (criador do barbatuques) é convidado para participar do 1º encontro internacional de body music no estados unidos, com todo seu talento, técnica e simpatia conquista seu lugar nas bandas de lá.
no 2º encontro ele também participa, sem nem precisar de convite oficial, seria só ele aparecer que rapidamente seria inserido marcando sua presença no panorama internacional da musica corporal.

acontece que com seu sangue brasileiro, f. barba, não resiste e atreve-se a estruturar, organizar e batalhar para que o 3º festival internacional de bodymusic seja realizado aqui em são paulo.

eu acho mesmo que esse é um jeito (bem positivo) brasileiro de ser, quando a gente gosta muito de alguma coisa da vontade de trazer pra casa pra poder curtir mais uma vez, pra curtir junto dos amigos, pra deixar ao alcance de todos os interessados, pra espalhar um acontecimento maravilhoso pras bandas de cá.

no meio do caminho, quase sempre, surge a duvida, será que eu to louco de me dar tanto trabalho? mas vai chegando perto, a historia vai se concretizando, e quando tudo acontece vem a certeza que não daria para deixar de fazer.

assim me parece o maravilhoso acontecimento do 3º festival internacional de musica corporal realizado pelas magicas mãos de fernando barba.

deem uma olhada na extensa programação que acontecerá dos dias 16/11 a 21/11, tem muita coisa boa para assistir, para participar, para escutar, para experimentar...http://www.br.internationalbodymusicfestival.com/2010/

nos vemos la!

25.10.10

EITA MULHER PORRETA!

sábado passado fomos transmutados pela presença, palavras e pensamentos de Sonia Hirsch!!!

a mulher não faz cerimonia para desmanchar toda farsa do sistema de saúde (de doença) em que vivemos.

como jornalista e escritora, apaixonada pelo assunto - saúde, vida com qualidade, alegria - através da alimentação, com sua capacidade afinadissima de pensar, ela busca suas fontes mundo afora e nos apresenta o maravilhoso caminho para assumir com as próprias mãos as rédeas da vida saudável.

seu mais recente livro "candidíase a praga" nos surpreende ao revelar que candidíase é muito mais do que aquele sintoma chato que muitas mulheres sentem em suas vaginas, ela pode estar presentes em homens e mulheres, e afeta os sistemas: gastrointestinal, respiratório, endócrino, nervoso, muscular, imunológico; a pele, as unhas, o sangue...

candidíase é um fungo, e existem estudos sobre a conexão entre câncer e fungos, então não da pra bobear com esses fungos que se multiplicam de modo vertiginoso em nosso organismo; e a ação libertadora que a Sonia nos apresenta é ganhar autonomia e se livrar da candidíase comendo bem!!!

a saúde é altamente subversiva para nosso sistema que é sustentado pelas doenças, por isso estamos sempre estimulados a ficarmos e nos mantermos doentes.

com esses movimentos como o da Sonia, assim como o parto domiciliar, a desescolarização, entre outras evoluções, a gente "quebra" esse sistema anti-vida que vivemos, e construímos um modo de vida muito mais intenso e potencializador.

20.10.10

VIVA A DIFERENÇA!

a cena é essa:
as crianças estão em uma festa brincando e o pai ouve sua filha chorando, ele prontamente vai ao socorro da filha e tenta entender o que a faz chorar; magoadissima ela explica: "a gente tava brincando de pega-pega e aquela menina só fica tentando me pegar!" o pai não consegue escutar realmente o que a filha está dizendo porque está comovido por ver sua filha magoada, então sua reação é dizer para filha ir la e dizer para a outra menina "eu não gostei do que você fez!!!" a menina toma coragem, pede que o pai a acompanhe e grita o seu recado; ela fica meio confusa sem saber se aquilo gerou algo na "inimiga", e gruda no pai pois não tem clima para voltar a brincar imediatamente.

vi essa cena enumeras vezes, entre irmãos, amigos, colegas de escola, e muitas vezes com um adulto interferindo dessa mesma maneira.

depois me peguei fazendo essa mesma cena para resolver uma briga entre as minhas filhas, e comecei a desconfiar que com esse tipo de atitude, nós adultos ensinamos a criança a responsabilizar o outro pelos seus sentimentos, e apesar de não ser uma pratica fácil, todo mundo sabe que o único responsável pelos próprios sentimentos é aquele que os sentem.

em tempos de politicamente correto, ao invés de dizer para a criança "apanhou do amigo? bate de volta!", hoje a criança escuta: "não gostou do que o amigo fez? vai la e diz pra ele que não gostou!"

a criança se frustra com a atitude da outra criança porque elas pensam, sentem e agem de modo diferente!
porém é na diferença que a gente cresce; a igualdade acomoda.

enfrentar as diferenças tem sido uma pratica em desuso, porem são as diferenças que mexem na nossa zona de conforto liberando nosso desenvolvimento.

estamos sendo estimulados a nos unir aos iguais e evitar os que pensam, agem e sentem de modo diferente do nosso, e quando esse confronto é inevitável, nos sentimos incomodados e nossa primeira reação é querer desqualificar o "diferente", e assim vamos perpetuando nossos limites.

na escola as crianças se dividem em turmas onde o pré-requisito para participar do grupinho é "ser igual", e a escola acha isso normal e não investe em dinâmicas para que as crianças desde sempre enfrentem, aprendam e cresçam com as diferenças, não é uma questão de tolerar a diferença, mas aprender na diferença.

assim como os pais quando vem seus filhos em dificuldades tentam resolver desperdiçando a oportunidade da criança entrar em contato com seus sentimentos e entender (sem intelectualismos) que o que ela sente está nas mãos dela e não depende do outro.

claro que o outro pode tomar conhecimento dos nossos sentimentos, e o porque sentimos aquilo, mas o desenvolvimento é justamente entrar em contato com nossas dificuldades e aprender mais sobre nós mesmos, nossos sentimentos, nossas necessidades não atendidas, e supera-las construindo novos horizontes.

fiquei torcendo para que minhas filhas tivessem algum tipo de desentendimento e me chamassem para ajudar, para então experimentar outra atitude.

não demorou muito e ouço as duas chorando:

eu: o que aconteceu?
a mais velha (4anos): eu tava brincando com a boneca e ela pegou falando que a filha é dela!
a mais nova (2anos): ela me bateu! (bateu porque a irmã já aprendeu a revidar sua frustração no outro)
eu: as duas estão tristes?
mais velha: pede pra ela me devolver a boneca!
eu: perguntei se você está triste!
ela: estou!
eu: por que?
ela: porque eu quero brincar!
eu para a mais nova: e você está triste porque?
ela: porque eu quero brincar!

silencio

a mais velha: você quer ser a tia da minha boneca e me ajudar a cuidar dela?
a pequena: sim!

e foram brincar juntas!