cada vez mais acredito que o caminho para a autonomia é através do auto-conhecimento.
nosso inicio de vida é autônomo, por nossa capacidade de auto-criação (autopoiese), desde o ventre da mãe, a partir do encontro de duas células, sua multiplicação se da de forma autopoietica (ação de criar-se a si mesmo continuamente).
desde sempre somos autônomos.
a autonomia implica a interdependencia, a troca, a relação; não é um ato isolado e independente do mundo que o rodeia.
assim seguimos nos auto-criando após o nascimento, com o desenvolvimento de nosso corpo, de nossas percepções, de nossas ações, sempre em relação, mas visivelmente sendo uma construção a partir de nossas forças internas; facilmente constatado pelo modo singular com que cada um se desenvolve, pois temos nosso ritmo próprio, nossas prioridades biológicas e anímicas, nosso sentir e agir no mundo de modo muito particular.
começamos a perder a autonomia quando nos fazem crer que para sabermos algo precisamos aprender através de forças externas, que para nos desenvolvermos precisamos nos enquadrar em um esquema padrão pré-determinado que nos moldará afim de nos tornar cidadãos dessa sociedade.
durante todo esse processo, que dura anos, deixamos de investir e acreditar na nossa capacidade autônoma e singular de nos criarmos a nós mesmos, deixando adormecida nossas pulsões e nossos desejos.
apesar de nossos desejos e pulsões adormecidos, algo ainda permanece vivo em nós, que nos faz sentir incomodados por termos nos afastados de nós mesmos, pela perda de autonomia, pela sensação de impotência e de falta, que esse processo da não-autonomia produz em nós.
por isso a reconquista da condição da autonomia inicia-se com o auto-conhecimento, que se desdobra em muitos meios.
existe o auto-conhecimento biológico da existência humana que é comum a todos nós, e que pouco sabemos dele, pois não faz parte do currículo escolar, e quando entramos em contato com as condições biológicas surpreendentes dos seres humanos, muitos dos nossos conceitos se transformam e se transmutam (recomendo o autor humberto maturana e j.v.uexkull com os livro "dos animais e dos homens").
existe o auto-conhecimento do nosso modo singular de pensar, sentir e agir sobre o mundo, que não é uma forma pré-estabelecida, mas tendências e forças que quando as conhecemos podemos jogar com elas sempre a favor do desenvolvimento de nossa potencialidade.
trazer a superfície nossos pensamentos, nossa imaginação, nossos medos, nossas questões, sem necessariamente buscar por soluções, mas para abrir nosso processo de intimidade, de interdepedencia e de ação .
minhas experiências mais fortes de autoconhecimento, foram durante minhas duas ultimas gravidez e partos, processos que me convidaram a entrar em contato com minha sombra e minha luz; assim como tem sido o processo de desescolarização de meu filho e do unschooling de minhas filhas.
trazendo sempre para superfície as forças internas e externas que em atravessam, e assim podendo viver um intenso processo de conhecer, re-conhecer, desconhecer, criar e re-criar minha existência.
17.5.11
DIRETO AO ASSUNTO!
desescolarização é o processo de dar-se conta dos padrões que assimilamos através do processo escolar para então ter a opção de desconstrui-los.
só tem necessidade de descolarizar aquele que foi escolarizado e que sente-se limitado por isso.
nossas escolas seguem o sistema espartano, que iniciou-se como escola para formar soldados, depois a igreja apropriou-se do mesmo sistema para formar cristãos, a industria usou para formar seus trabalhadores, o capitalismo tem formado seus mercenários e a democracia seus soldados democratas.
não importa qual exatamente o fim, qual tipo de soldado é necessário, o sistema escolar espartano forma soldados para ocuparem um lugar pronto.
as vezes nos damos por satisfeitos quando a escola forma um tipo de soldado que acreditamos ser necessário, porem existem pessoas, principalmente crianças dos dias de hoje que não aceitam fazer parte do exercito, mesmo que seja um exercito simpático.
aprendi isso com meus filhos e outras crianças!
crianças que não vão a escola não precisam serem desescolarizadas, para elas existe o unschooling (tema para um próximo post).
crianças que já foram a escola e que param de ir, podem facilmente serem desescolarizadas.
adulto que se formou em escola espartana, com direito a faculdade espartana, pós, mestrado, doutorado, pós-doc, e que vive em sistema espartano, pode até sentir-se atraído pela possibilidade da desescolarização, mas vai precisar transmutar!!!
a dificuldade aparece logo de inicio, pois o escolarizado pensa como escolarizado, então fica imaginando que a desescolarização é a falta da escolarização.
mais ou menos como alguém que tem a visão se sente em relação ao cego, pois para quem enxerga pensa na cegueira como falta, mas ao cego não falta a visão, ja dizia nietzsche!
segue abaixo os domínios da escolarização e da desescolarização para entendermos que são paradigmas diferentes, por isso pensamos, sentimos e agimos de forma distinta dependendo em que domínio estamos vivendo:
domínios da escolarização:
*busca do resultado final em todos os seus processos
*necessidade da resposta certa, de garantias
*prefere unir-se para desabafar, reclamar e protestar ao invés de que encontrar processos que transmute o problema
*cumpre ordens e sente frustração; é irresponsável pelas escolhas que faz, e sente culpa
*confia em todas as provas cientificas
*acredita no que "ouve dizer..."
*sente impotência e medo diante do desconhecido
*desqualifica a natureza, inclusive a sua própria natureza
*cria fantasias e acredita em conflitos
*especula
*tem o habito da comparação e do julgamento
*luta pelo poder
*gosta das certezas invariáveis e os conceitos fixos
*vive em crise
...
domínios da desescolarização
*confia na natureza
*busca processos e meios pelos quais poderá viver seus problemas
*problematiza o que lhe interessa
*assume responsabilidade por suas escolhas
*é ativo em suas ações
*investe no corpo organizado e confia na deriva
*confia na intuição e na sua capacidade criadora
*é criador de realidade
*não tem conflitos
*luta pela potencia
*re-cria suas certezas
...
talvez não seja tão simpático colocar essas listas acima em um post, conversando sobre o assunto fica mais convincente e menos dramático, mas é que toda vez que ouço alguém sob o domínio da escolarização questionar a desescolarização, suas questões confirmam os itens acima referentes a escolarização, porém são problemas que não pertencem a desescolarização.
claro que a escola espartana é uma ferramenta do sistema que a sustenta, mas é um sistema bem eficaz que nos torna soldados do próprio sistema, mesmo que sejam soldados rebeldes, continuam alimentando esse modo de vida.
por isso me parece bem produtivo transmutar esse modo conflituoso de vida através da desescolarização.
esse processo que estamos vivendo, nos encontros desescolarizantes, são para os adultos criarem e praticarem seus próprios caminhos de transmutação.
por mais que o incomodo seja, em muitos casos, o processo escolar dos filhos, o trabalho precisa começar em nós, porque enquanto estamos pensando, vivendo e agindo sob o domínio da escolarização, não temos outra saída a não ser desabafar, reclamar e esperar passar essa fase escolar dos filhos.
nosso próximo encontro em são paulo será no dia 26 de maio, quinta-feira, as 20hs na aclimação.
para mais informações mande um e-mail para anathomaz@terra.com.br
só tem necessidade de descolarizar aquele que foi escolarizado e que sente-se limitado por isso.
nossas escolas seguem o sistema espartano, que iniciou-se como escola para formar soldados, depois a igreja apropriou-se do mesmo sistema para formar cristãos, a industria usou para formar seus trabalhadores, o capitalismo tem formado seus mercenários e a democracia seus soldados democratas.
não importa qual exatamente o fim, qual tipo de soldado é necessário, o sistema escolar espartano forma soldados para ocuparem um lugar pronto.
as vezes nos damos por satisfeitos quando a escola forma um tipo de soldado que acreditamos ser necessário, porem existem pessoas, principalmente crianças dos dias de hoje que não aceitam fazer parte do exercito, mesmo que seja um exercito simpático.
aprendi isso com meus filhos e outras crianças!
crianças que não vão a escola não precisam serem desescolarizadas, para elas existe o unschooling (tema para um próximo post).
crianças que já foram a escola e que param de ir, podem facilmente serem desescolarizadas.
adulto que se formou em escola espartana, com direito a faculdade espartana, pós, mestrado, doutorado, pós-doc, e que vive em sistema espartano, pode até sentir-se atraído pela possibilidade da desescolarização, mas vai precisar transmutar!!!
a dificuldade aparece logo de inicio, pois o escolarizado pensa como escolarizado, então fica imaginando que a desescolarização é a falta da escolarização.
mais ou menos como alguém que tem a visão se sente em relação ao cego, pois para quem enxerga pensa na cegueira como falta, mas ao cego não falta a visão, ja dizia nietzsche!
segue abaixo os domínios da escolarização e da desescolarização para entendermos que são paradigmas diferentes, por isso pensamos, sentimos e agimos de forma distinta dependendo em que domínio estamos vivendo:
domínios da escolarização:
*busca do resultado final em todos os seus processos
*necessidade da resposta certa, de garantias
*prefere unir-se para desabafar, reclamar e protestar ao invés de que encontrar processos que transmute o problema
*cumpre ordens e sente frustração; é irresponsável pelas escolhas que faz, e sente culpa
*confia em todas as provas cientificas
*acredita no que "ouve dizer..."
*sente impotência e medo diante do desconhecido
*desqualifica a natureza, inclusive a sua própria natureza
*cria fantasias e acredita em conflitos
*especula
*tem o habito da comparação e do julgamento
*luta pelo poder
*gosta das certezas invariáveis e os conceitos fixos
*vive em crise
...
domínios da desescolarização
*confia na natureza
*busca processos e meios pelos quais poderá viver seus problemas
*problematiza o que lhe interessa
*assume responsabilidade por suas escolhas
*é ativo em suas ações
*investe no corpo organizado e confia na deriva
*confia na intuição e na sua capacidade criadora
*é criador de realidade
*não tem conflitos
*luta pela potencia
*re-cria suas certezas
...
talvez não seja tão simpático colocar essas listas acima em um post, conversando sobre o assunto fica mais convincente e menos dramático, mas é que toda vez que ouço alguém sob o domínio da escolarização questionar a desescolarização, suas questões confirmam os itens acima referentes a escolarização, porém são problemas que não pertencem a desescolarização.
claro que a escola espartana é uma ferramenta do sistema que a sustenta, mas é um sistema bem eficaz que nos torna soldados do próprio sistema, mesmo que sejam soldados rebeldes, continuam alimentando esse modo de vida.
por isso me parece bem produtivo transmutar esse modo conflituoso de vida através da desescolarização.
esse processo que estamos vivendo, nos encontros desescolarizantes, são para os adultos criarem e praticarem seus próprios caminhos de transmutação.
por mais que o incomodo seja, em muitos casos, o processo escolar dos filhos, o trabalho precisa começar em nós, porque enquanto estamos pensando, vivendo e agindo sob o domínio da escolarização, não temos outra saída a não ser desabafar, reclamar e esperar passar essa fase escolar dos filhos.
nosso próximo encontro em são paulo será no dia 26 de maio, quinta-feira, as 20hs na aclimação.
para mais informações mande um e-mail para anathomaz@terra.com.br
30.4.11
RESPONSABILIDADE OU CULPA!
quando dizemos:
"a realidade já está criada!";
"o sistema é assim!";
"tem coisa que não tem jeito...";
"não da pra ser tudo do jeito que a gente quer!";
ou literalmente
"eu só estou cumprindo ordens!!!",
ficamos isentos das responsabilidades de nossas ações, em outras palavras, nos assumimos irresponsáveis;
e assim nasce a culpa!
na escola aprendemos a cumprir ordens, assim como no trabalho, na família, no convívio social; então nos damos conta que nossa cultura funciona com todo mundo cumprindo ordens.
somos um povo irresponsável!
somos pessoas sensíveis que sentem culpa!
sentimos culpa porque acreditamos não ter saída para o modo de vida que escolhemos, pois nos sentimos obrigados a viver de acordo com o que já está estabelecido, mesmo que em "algum lugar" não concordamos com ele.
a irresponsabilidade e a culpa são frutos de um sistema, de uma cultura.
é incrível ver como as crianças, ainda não escolarizadas (culturalizadas, sistematizadas), sempre assumem seus atos, sem culpa, por isso dizem que as crianças são naturalmente cruéis!
converso com muitos pais que dizem: "me sinto tão culpado de ver meu filho passando maus momentos na escola!"
embutido nessa frase está: "como não sou responsável por escolher se meu filho vai ou não na escola, me resta a culpa por manda-lo".
tem uma frase batida que diz algo assim - para ser livre tem que ser responsável!
quando uma cultura de irresponsáveis cria uma frase dessa, está querendo dizer o que?
o que podemos chamar de responsabilidade ou livre arbítrio em terra de irresponsáveis?
é bom quando a gente se da conta de algumas coisas, é assim que a gente toma fôlego e transmuta!
"a realidade já está criada!";
"o sistema é assim!";
"tem coisa que não tem jeito...";
"não da pra ser tudo do jeito que a gente quer!";
ou literalmente
"eu só estou cumprindo ordens!!!",
ficamos isentos das responsabilidades de nossas ações, em outras palavras, nos assumimos irresponsáveis;
e assim nasce a culpa!
na escola aprendemos a cumprir ordens, assim como no trabalho, na família, no convívio social; então nos damos conta que nossa cultura funciona com todo mundo cumprindo ordens.
somos um povo irresponsável!
somos pessoas sensíveis que sentem culpa!
sentimos culpa porque acreditamos não ter saída para o modo de vida que escolhemos, pois nos sentimos obrigados a viver de acordo com o que já está estabelecido, mesmo que em "algum lugar" não concordamos com ele.
a irresponsabilidade e a culpa são frutos de um sistema, de uma cultura.
é incrível ver como as crianças, ainda não escolarizadas (culturalizadas, sistematizadas), sempre assumem seus atos, sem culpa, por isso dizem que as crianças são naturalmente cruéis!
converso com muitos pais que dizem: "me sinto tão culpado de ver meu filho passando maus momentos na escola!"
embutido nessa frase está: "como não sou responsável por escolher se meu filho vai ou não na escola, me resta a culpa por manda-lo".
tem uma frase batida que diz algo assim - para ser livre tem que ser responsável!
quando uma cultura de irresponsáveis cria uma frase dessa, está querendo dizer o que?
o que podemos chamar de responsabilidade ou livre arbítrio em terra de irresponsáveis?
é bom quando a gente se da conta de algumas coisas, é assim que a gente toma fôlego e transmuta!
29.4.11
ESTUDO CIENTIFICO?
nossos corpos desorganizados nos fazem sentirmos inseguros diante do desconhecido, diante do incontrolável, por isso quando seguimos investindo na nossa desorganização buscamos seguranças, mesmo que falsas ou ilusórias, para sentirmos mais protegidos.
e assim apelamos!
a ciência é a arte do explicar.
os cientistas são pessoas que tem prazer em explicar.
eles não buscam a verdade, buscam uma conexão com o cotidiano.
aconteceu algo! ótimo, o cientista vai querer explicar o acontecimento.
mas com nossos corpos inseguros, queremos que a ciência comprove uma verdade a serviço de nossas necessidades.
assim outro dia fui procurada por uma famosa empresa de produtos de higiene infantil e a conversa foi mais ou menos assim:
_olá, sou enfermeira de tal empresa e gostaria da sua colaboração em relação ao banho de balde, pois vimos que não há nenhum estudo cientifico a respeito e queremos desenvolver um estudo cientifico, para incentivar o uso desse banho terapêutico tão benéfico para os bebês.
a conversa se desenrola até que chega o momento em que eu digo:
_o banho de balde é feito sem nenhum uso de produto de higiene, pois além do bebê não precisar usar nenhum produto químico para sua higiene, muito menos em um banho de balde terapêutico que oferece ao bebê um ambiente muito relaxante, onde ele poderá simplesmente ficar imerso com a presença de um adulto que não terá que desempenhar nenhuma função higienizadora.
então se vocês querem um estudo cientifico, o que ao meu entender seria explicar o que é o banho de balde, vocês vão ter que deixar de lado os produtos como sabonete e xampú.
o tom da conversa ficou um pouco tenso enquanto ela foi revelando:
_nós queremos fazer um estudo cientifico do banho de balde e incluir nosso estudo cientifico já realizado que comprova que nossos produtos são totalmente benéficos para o uso do bebê.
resumo da opera: os estudos científicos são financiados por uma empresa para que suas necessidades sejam certificadas; como se dissessem assim, se virem para provar que nossos produtos são bons, e assim podemos apresentar um estudo científico.
a conclusão foi que como eu não iria apoiar o uso dos produtos industrializados (cheio de quimicos perfumados) em um banho de balde, eles iriam procurar quem os apoiassem, pois não importava realmente entender o banho de balde, mas adapta-los as suas necessidades.
claro que toda essa conversa telefonica ocorreu com muita cordialidade e compreensão de ambas as partes.
e assim apelamos!
a ciência é a arte do explicar.
os cientistas são pessoas que tem prazer em explicar.
eles não buscam a verdade, buscam uma conexão com o cotidiano.
aconteceu algo! ótimo, o cientista vai querer explicar o acontecimento.
mas com nossos corpos inseguros, queremos que a ciência comprove uma verdade a serviço de nossas necessidades.
assim outro dia fui procurada por uma famosa empresa de produtos de higiene infantil e a conversa foi mais ou menos assim:
_olá, sou enfermeira de tal empresa e gostaria da sua colaboração em relação ao banho de balde, pois vimos que não há nenhum estudo cientifico a respeito e queremos desenvolver um estudo cientifico, para incentivar o uso desse banho terapêutico tão benéfico para os bebês.
a conversa se desenrola até que chega o momento em que eu digo:
_o banho de balde é feito sem nenhum uso de produto de higiene, pois além do bebê não precisar usar nenhum produto químico para sua higiene, muito menos em um banho de balde terapêutico que oferece ao bebê um ambiente muito relaxante, onde ele poderá simplesmente ficar imerso com a presença de um adulto que não terá que desempenhar nenhuma função higienizadora.
então se vocês querem um estudo cientifico, o que ao meu entender seria explicar o que é o banho de balde, vocês vão ter que deixar de lado os produtos como sabonete e xampú.
o tom da conversa ficou um pouco tenso enquanto ela foi revelando:
_nós queremos fazer um estudo cientifico do banho de balde e incluir nosso estudo cientifico já realizado que comprova que nossos produtos são totalmente benéficos para o uso do bebê.
resumo da opera: os estudos científicos são financiados por uma empresa para que suas necessidades sejam certificadas; como se dissessem assim, se virem para provar que nossos produtos são bons, e assim podemos apresentar um estudo científico.
a conclusão foi que como eu não iria apoiar o uso dos produtos industrializados (cheio de quimicos perfumados) em um banho de balde, eles iriam procurar quem os apoiassem, pois não importava realmente entender o banho de balde, mas adapta-los as suas necessidades.
claro que toda essa conversa telefonica ocorreu com muita cordialidade e compreensão de ambas as partes.
16.4.11
A DERIVA, EM DEVIR
a menina estava brava, muito brava mesmo, chorando aos gritos. incrível que um corpinho de três anos pudesse expressar tão intensamente sua insatisfação.
quando olhou para o lado, viu um espelho, percebeu seu estado "desarrumado" e imediatamente parou de xilicar e começou a se relacionar com sua imagem no espelho, como se nada tivesse acontecido...
quem assistia a cena, além da surpresa pela mudança de humor imediato, começou a questionar a veracidade daquela braveza toda, pois será possível estar bravo de verdade e deixar de estar, imediatamente?
sim, não só é possível, como é saudável.
a capacidade de variação de emoções é um dos sinais de corpo bem organizado.
o bebê e a criança, em seus corpos conectados, sem tensões fixas, vivem em variação emocional constante.
isso quer dizer, viver no presente, relacionar-se com o tão desejado "aqui e agora".
a emoção é instintiva.
todo ser vivo, seja barata, mosquito, elefante, peixe ou gente, tem suas ações sob o domínio de suas emoções.
e todo ser vivo está em constante relação com o "fora", está a deriva.
a deriva não é o caos, mas também não é controlável.
são forças com as quais nos relacionamos, é a natureza em ação.
somos corpos organizados a deriva!
esse corpo organizado a deriva, continuamente em transformação, tem interconexões que geram emoções, e essas emoções direcionam nossas ações.
emoções "fixas" geram ações fixas, músculos tensos, respiração limitada e reduzem nossas percepções, ficamos empacados, passamos das emoções instintivas para as emoções culturais.
as variações de emoções, agem diretamente nas nossas ações, liberam nossos músculos, permitem a fluidez da respiração e ampliam nossas percepções.
e esse é um recurso nato, do corpo organizado a deriva.
por isso as crianças não investem no ressentimento, pois estão em variação constante.
esse é um dos movimentos necessários para a desescolarização, reconquistar a capacidade de entrar em variação emocional; as vezes tão distante do adulto.
assim nos desatamos da escolarização que investe no corpo desequilibrado e tenta controlar a natureza, porque um corpo desorganizado sente-se ameaçado pela natureza, mas não temos escolha, a natureza é incontrolável e impossível de não fazer parte da vida.
a desescolarização investe na preservação, ou reconquista, do corpo organizado que celebra a deriva.
o contato com as crianças, especialmente os bebês, nos inspiram esse caminho, esse retorno (sempre inédito) do corpo organizado a deriva que permite a variação emocional e assim vive no presente.
o paradoxo é que quanto mais variamos emocionalmente mais consistente nos tornamos.
quem não varia, torna-se obsessivo, um personagem, uma caricatura.
na variação vamos nos afirmando.
em outras palavras esse movimento poderia também ser chamado de desapego.
desapego das emoções, do ressentimento, do conhecido;
e das garantias, que geralmente são ilusórias.
quando olhou para o lado, viu um espelho, percebeu seu estado "desarrumado" e imediatamente parou de xilicar e começou a se relacionar com sua imagem no espelho, como se nada tivesse acontecido...
quem assistia a cena, além da surpresa pela mudança de humor imediato, começou a questionar a veracidade daquela braveza toda, pois será possível estar bravo de verdade e deixar de estar, imediatamente?
sim, não só é possível, como é saudável.
a capacidade de variação de emoções é um dos sinais de corpo bem organizado.
o bebê e a criança, em seus corpos conectados, sem tensões fixas, vivem em variação emocional constante.
isso quer dizer, viver no presente, relacionar-se com o tão desejado "aqui e agora".
a emoção é instintiva.
todo ser vivo, seja barata, mosquito, elefante, peixe ou gente, tem suas ações sob o domínio de suas emoções.
e todo ser vivo está em constante relação com o "fora", está a deriva.
a deriva não é o caos, mas também não é controlável.
são forças com as quais nos relacionamos, é a natureza em ação.
somos corpos organizados a deriva!
esse corpo organizado a deriva, continuamente em transformação, tem interconexões que geram emoções, e essas emoções direcionam nossas ações.
emoções "fixas" geram ações fixas, músculos tensos, respiração limitada e reduzem nossas percepções, ficamos empacados, passamos das emoções instintivas para as emoções culturais.
as variações de emoções, agem diretamente nas nossas ações, liberam nossos músculos, permitem a fluidez da respiração e ampliam nossas percepções.
e esse é um recurso nato, do corpo organizado a deriva.
por isso as crianças não investem no ressentimento, pois estão em variação constante.
esse é um dos movimentos necessários para a desescolarização, reconquistar a capacidade de entrar em variação emocional; as vezes tão distante do adulto.
assim nos desatamos da escolarização que investe no corpo desequilibrado e tenta controlar a natureza, porque um corpo desorganizado sente-se ameaçado pela natureza, mas não temos escolha, a natureza é incontrolável e impossível de não fazer parte da vida.
a desescolarização investe na preservação, ou reconquista, do corpo organizado que celebra a deriva.
o contato com as crianças, especialmente os bebês, nos inspiram esse caminho, esse retorno (sempre inédito) do corpo organizado a deriva que permite a variação emocional e assim vive no presente.
o paradoxo é que quanto mais variamos emocionalmente mais consistente nos tornamos.
quem não varia, torna-se obsessivo, um personagem, uma caricatura.
na variação vamos nos afirmando.
em outras palavras esse movimento poderia também ser chamado de desapego.
desapego das emoções, do ressentimento, do conhecido;
e das garantias, que geralmente são ilusórias.
7.4.11
RE-CRIANDO EM ABRIL
nosso próximo encontro do re-criando será dia 14/04 as 20hs em são paulo no bairro da aclimação.
nesse encontro continuaremos a desenvolver o processo de desescolariação dos adultos.
no encontro anterior falamos sobre os processos de fixação do ser humano - consciência e habito, que são transmutados pelo conhecimento e razão, que são transmutados pelo pensamento e criação.
falamos da natureza que nos apresenta a condição de viver do impossível ao verdadeiro, e como nosso processo escolar espartano nos ensinou a viver do possível ao real.
nos inspiramos nas crianças, que nascem naturalmente desescolarizadas e que vivem do impossível ao verdadeiro.
no próximo encontro vamos caminhar com ajuda do biólogo humberto maturana, que nos apresenta a condição biológica para a desescolarização.
o encontro é aberto a todos os interessados, é um encontro entre os adultos, onde as crianças são bem vindas, porem não teremos nenhuma atividade especifica para elas.
não é necessário ter participado do anterior para participar desse próximo encontro.
a participação é gratuita.
por favor confirmem a presença pelo e-mail anathomaz@terra.com.br
sejam bem vindos
nesse encontro continuaremos a desenvolver o processo de desescolariação dos adultos.
no encontro anterior falamos sobre os processos de fixação do ser humano - consciência e habito, que são transmutados pelo conhecimento e razão, que são transmutados pelo pensamento e criação.
falamos da natureza que nos apresenta a condição de viver do impossível ao verdadeiro, e como nosso processo escolar espartano nos ensinou a viver do possível ao real.
nos inspiramos nas crianças, que nascem naturalmente desescolarizadas e que vivem do impossível ao verdadeiro.
no próximo encontro vamos caminhar com ajuda do biólogo humberto maturana, que nos apresenta a condição biológica para a desescolarização.
o encontro é aberto a todos os interessados, é um encontro entre os adultos, onde as crianças são bem vindas, porem não teremos nenhuma atividade especifica para elas.
não é necessário ter participado do anterior para participar desse próximo encontro.
a participação é gratuita.
por favor confirmem a presença pelo e-mail anathomaz@terra.com.br
sejam bem vindos
30.3.11
DO IMPOSSIVEL AO VERDADEIRO
começo pela citação de maria zambrano: "no nascimento não se passa do possível ao real, mas do impossível ao verdadeiro".
o que vai do possível ao real é o que se fabrica, o que se produz.
mas o que nasce começa sendo impossível e termina sendo verdadeiro.
a criança nasce com suas forças criadoras ativas, ela se auto cria, são forças internas que se relacionam com o fora e com esse encontro, ela se auto cria, sempre de modo singular, por isso, os filhos sempre se desenvolvem de forma única.
a criança não está determinada pelo que sabemos ou podemos, o novo sempre aparece em forma de milagre, e a afirmação do impossível tem também algo de milagre, uma vez que o que afirma é que cabe esperar o inesperado e que cabe receber o infinitamente improvável.
tanto nossa educação escolar como nossas orientações para educação familiar, estão baseadas no conhecimento, no poder e no possível, assim, crianças são fabricadas, tornando-se produtos.
toda aquela força de pulsão singular que cada criança traz em si, é aos poucos bloqueada, desqualificada e impedida de se manifestar, no lugar da pulsão de vida, entram as tarefas a serem cumpridas e os lugares a serem ocupados.
por isso somos nós, os pais e educadores, que precisamos nos descolarizar, acordar nossas pulsões natas, desocuparmos o lugar de poder e saber, nos re-criarmos a partir das forças que nos compõe, voltarmos a ser criadores, e aceitar o novo, o milagre, o impossível de cada criança que nasce.
é preciso ultrapassarmos nossas superstições, nossa falsa segurança em seguir regras e receitas, nosso conhecimento estagnado, nosso saber que antecipa o ser e assim o aprisiona.
é preciso reconquistar o lugar da criação, do criador, do ser impossível que cria sua verdade, a verdade singular que sempre se abre para as relações e para o fora.
como pais e educadores desescolarizados, podemos nos aliar as crianças, e com elas criar uma atmosfera propicia para a vida acontecer em sua potencia plena.
jorge larrosa diz: "a verdade da infância não está no que dizemos e sabemos dela, mas no que ela nos diz no próprio acontecimento de sua aparição entre nós, como algo novo.
não se trataria então, de que aprendêssemos a constituir um olhar capaz de acolher o acontecimento daquele que nasce? e, se a educação é o modo de receber aquele que nasce, não seria o caso de, então, deixar acontecer a verdade que traz consigo aquele que nasce?"
é para isso que nós adultos nos desescolarizamos.
o que vai do possível ao real é o que se fabrica, o que se produz.
mas o que nasce começa sendo impossível e termina sendo verdadeiro.
a criança nasce com suas forças criadoras ativas, ela se auto cria, são forças internas que se relacionam com o fora e com esse encontro, ela se auto cria, sempre de modo singular, por isso, os filhos sempre se desenvolvem de forma única.
a criança não está determinada pelo que sabemos ou podemos, o novo sempre aparece em forma de milagre, e a afirmação do impossível tem também algo de milagre, uma vez que o que afirma é que cabe esperar o inesperado e que cabe receber o infinitamente improvável.
tanto nossa educação escolar como nossas orientações para educação familiar, estão baseadas no conhecimento, no poder e no possível, assim, crianças são fabricadas, tornando-se produtos.
toda aquela força de pulsão singular que cada criança traz em si, é aos poucos bloqueada, desqualificada e impedida de se manifestar, no lugar da pulsão de vida, entram as tarefas a serem cumpridas e os lugares a serem ocupados.
por isso somos nós, os pais e educadores, que precisamos nos descolarizar, acordar nossas pulsões natas, desocuparmos o lugar de poder e saber, nos re-criarmos a partir das forças que nos compõe, voltarmos a ser criadores, e aceitar o novo, o milagre, o impossível de cada criança que nasce.
é preciso ultrapassarmos nossas superstições, nossa falsa segurança em seguir regras e receitas, nosso conhecimento estagnado, nosso saber que antecipa o ser e assim o aprisiona.
é preciso reconquistar o lugar da criação, do criador, do ser impossível que cria sua verdade, a verdade singular que sempre se abre para as relações e para o fora.
como pais e educadores desescolarizados, podemos nos aliar as crianças, e com elas criar uma atmosfera propicia para a vida acontecer em sua potencia plena.
jorge larrosa diz: "a verdade da infância não está no que dizemos e sabemos dela, mas no que ela nos diz no próprio acontecimento de sua aparição entre nós, como algo novo.
não se trataria então, de que aprendêssemos a constituir um olhar capaz de acolher o acontecimento daquele que nasce? e, se a educação é o modo de receber aquele que nasce, não seria o caso de, então, deixar acontecer a verdade que traz consigo aquele que nasce?"
é para isso que nós adultos nos desescolarizamos.
Assinar:
Postagens (Atom)
