esse documentario argentino que está totalmente disponivel na internet para assisti-lo, copia-lo, exibi-lo, transforma-lo...será nosso ponto de partida para uma roda de conversa sobre mudanças de paradigma na educação, que acontecerá amanhã, dia 31 de agosto, a partir das 19hs, na casa jaya
irei compartilhar minhas vivencias com meus filhos fora da escola e com outras familias que tenho acompanhado nesse intenso e maravilhoso processo
caso alguem tenha interesse em exibir o filme para algum grupo e quiser organizar uma roda de conversas, conte comigo!
5.8.12
ENCONTRO COM O SILENCIO
na educação ativa todos estão aprendendo, crianças, adultos, educadores, especialistas...
aprender não é aquisição de conhecimento, não é um processo aditivo
não pode haver julgamento e nem avaliação
todo aprendizado se inicia no encontro com a gente mesmo
aprender é liberador de energia
é motivador de ação
estive por 11 dias na chapada dos veadeiros, na vila de são jorge com minhas duas filhas
só nós três
na imensidão da natureza
em suas cachoeiras, rios gelados
um céu sem fim
me dei conta que poderia estar em silencio ao lado delas
sem direcionar seus olhares
sem precisar entrete-las, convence-las, nem guia-las em um ambiente que tão claramente se impõe e define suas regras
com o silencio veio a presença indispensável para estar com duas crianças pequenas em trilhas, pedras, rios, correnteza, quedas d´aguas
com a presença veio o ritmo
um ritmo muito mais dilatado do que no cotidiano paulista
com o ritmo veio a confiança
e a afirmação dos interesses de cada uma de nós
11 dias de silencio, presença, ritmo, confiança, afirmação...
juntamente com os banhos de rio tivemos o encontro de culturas populares
12 tribos indígenas compartilhando seus modos de vida
muitos shows de musicas de raízes de todo país
muita dança
aprender não é aquisição de conhecimento, não é um processo aditivo
não pode haver julgamento e nem avaliação
todo aprendizado se inicia no encontro com a gente mesmo
aprender é liberador de energia
é motivador de ação
estive por 11 dias na chapada dos veadeiros, na vila de são jorge com minhas duas filhas
só nós três
na imensidão da natureza
em suas cachoeiras, rios gelados
um céu sem fim
me dei conta que poderia estar em silencio ao lado delas
sem direcionar seus olhares
sem precisar entrete-las, convence-las, nem guia-las em um ambiente que tão claramente se impõe e define suas regras
com o silencio veio a presença indispensável para estar com duas crianças pequenas em trilhas, pedras, rios, correnteza, quedas d´aguas
com a presença veio o ritmo
um ritmo muito mais dilatado do que no cotidiano paulista
com o ritmo veio a confiança
e a afirmação dos interesses de cada uma de nós
11 dias de silencio, presença, ritmo, confiança, afirmação...
juntamente com os banhos de rio tivemos o encontro de culturas populares
12 tribos indígenas compartilhando seus modos de vida
muitos shows de musicas de raízes de todo país
muita dança
circo
rituais
vida comunitária
nada ensinei as minhas pequenas, deixei-as livres para olharem para o lado que lhes interessavam
cessei todo conhecimento sobre mim mesma e sobre elas
observar, olhar, escutar, sentir, tudo isso faz parte do aprender
e não aprendemos se já sabemos, é necessário esvaziar-se de todo conhecimento
só me restava o silencio e a presença
foi libertador!
de volta a são paulo a afirmação que não se direciona o aprendizado
aqui estão elas cantando, dançando, se pintando como os índios
tocando instrumentos
brincando de repentista
tudo o que nos permeou nos nossos dias na chapada está aflorando em cada uma de nós nesses dias aqui em casa
cada uma do seu jeito
sem duvida aprendemos muito, sem saber, sem julgar e nem avaliar
simplesmente aprendemos
17.6.12
ESCOLA PARA O SER
acreditamos que o ser humano é um ser racional.
o ser humano possui a condição racional, porque pensa e sabe que pensa.
mas isso não é o suficiente para sermos denominados seres racionais, isso só seria verdadeiro se fosse possível para o ser humano ter ações, reações, relações, primeiramente racionais.
a realidade é que somos seres emocionais!
pensamos, sentimos e agimos conforme nossas emoções, e a razão só consegue nega-las ou justifica-las, ou na melhor das hipóteses, dar-se conta de nossas emoções.
a emoção define o que sentimos, como agimos e como pensamos.
nossa cultura, assim como nosso sistema escolar, ilude-se ao criar condições de desenvolvimento prioritariamente racionais, desinvestindo ao máximo nossa condição de seres emocionais.
por mais que tenha sido feita essa inversão, nossa natureza não se convenceu, e não nos permitiu trocar o ser emocional pelo ser racional.
e o que não se desenvolve se atrofia, assim nos tornamos seres emocionais atrofiados com razão desenvolvida para negar ou justificar nossas emoções.
para suportar essa forma aleijada de ser, nos apoiamos no poder, recurso necessário para seres racionais.
quando nos assumimos seres emocionais, e investimos no desenvolvimento dessa condição, encontramos a potencia.
quem tem potencia não precisa do poder, inversamente, todo impotente busca a qualquer custo o poder.
e o que vemos nas escolas do nosso sistema corrente? crianças, adolescentes e adultos incentivados a buscar o poder.
e por que?
porque, nesse sistema escolarizado nos padrões atuais, desinveste a potencia, que só é possível ser desenvolvida juntamente com nosso desenvolvimento emocional.
e nós, pais e educadores dos dias de hoje, fomos educados para o poder, porque fomos educados para a impotência.
e assim educamos nossos filhos e alunos.
a cara do poder contemporaneo se apresenta de vários modos diferentes.
o mais grosseiro de todos é o uso do castigo e da ameaça, que nada mais é do que o retrato de um adulto impotente diante de uma criança, que em nome do papel de educador, ameaça e/ou castiga a criança que está fazendo algo que não deveria ser feito.
quando tentamos refinar o uso de nosso poder, nos tornamos mais positivos educando através da promessa e/ou premiação, promete-se uma recompensa para que a criança mude suas atitudes indesejadas.
até que nos damos conta que castigar e premiar são dois lados da mesma moeda, e criamos um modo mais sutil do uso do poder através da razão, o adulto explica, justifica, intelectualiza, e tenta convencer a criança a mudar de atitude.
mas, e se a criança, com todo esse cuidado, não reage do modo que o adulto deseja?
provavelmente ele culpará a criança por não estar a altura de sua explicação e aplicará o modo menos sutil de poder querendo trocar sua obediência por um beneficio, mas se mesmo assim aquela criança insiste em não mudar o adulto apelará para a ameaça...
somos ou não impotentes e desejosos de poder?
observação: não estou colocando em discussão a ação da criança, e sim, a do adulto, ou melhor dizendo, creio que o adulto poderá ajudar a criança a se desenvolver e a responsabilizar-se por seus atos, mas não através do uso do poder, que só irá reforçar a formação de uma criança impotente.
a saída para essa triste situação é começar a investir no desenvolvimento de nossa potencia, no desenvolvimento de nossa condição de seres emocionais.
precisamos de uma educação para potencia, de uma escola para o ser, para crianças, para pais e educadores.
18.5.12
SEM UMA ESCOLA PARA CULPAR!
a maior dificuldade de não ter os filhos na escola é não ter a quem culpar!
porque filhos que não frequentam escola também fazem coisas terríveis.
aprendem musicas e danças de gosto discutível.
deixam escapar palavras de baixo calão.
pegam piolho.
se rebelam!
onde aprendem tudo isso? e o pior é não ter uma escola para jogar a culpa.
crianças que vivem sem escola não estão isoladas do mundo, captam tudo no ar, estão ligadissimas.
assim são as crianças!
porem mais importante do que "o que aprendem", é como lidar com a criança e suas aventuras.
criança precisa de acolhimento, de amor incondicional, de respeito, mesmo quando elas apresentam atitudes difíceis de serem aceitas.
a moda passa, e logo a criança deixa de lado a musiquinha irritante ou a dancinha provocadora, mas o que fica é o acolhimento, a certeza de que o amor e a confiança nela não se abala por conta de suas experimentações.
não se ama uma criança pelo seu comportamento, ou por suas habilidades.
ama-se uma criança por sua existência.
pela confiança que se tem em sua existência.
e para confiar em uma criança, é necessário confiar em si mesmo.
confiar na própria existência.
não por seus sucessos ou reconhecimentos ou capacidade de ganhar dinheiro...
mas por sua existência.
amor incondicional.
não se espera um comportamento impecável das crianças que não frequentam a escola.
espera-se um mergulho dos pais em sua capacidade de confiar na vida, de confiar em si mesmo e sem duvida, confiar na criança.
assim da para viver sem uma escola para culpar!
porque filhos que não frequentam escola também fazem coisas terríveis.
aprendem musicas e danças de gosto discutível.
deixam escapar palavras de baixo calão.
pegam piolho.
se rebelam!
onde aprendem tudo isso? e o pior é não ter uma escola para jogar a culpa.
crianças que vivem sem escola não estão isoladas do mundo, captam tudo no ar, estão ligadissimas.
assim são as crianças!
porem mais importante do que "o que aprendem", é como lidar com a criança e suas aventuras.
criança precisa de acolhimento, de amor incondicional, de respeito, mesmo quando elas apresentam atitudes difíceis de serem aceitas.
a moda passa, e logo a criança deixa de lado a musiquinha irritante ou a dancinha provocadora, mas o que fica é o acolhimento, a certeza de que o amor e a confiança nela não se abala por conta de suas experimentações.
não se ama uma criança pelo seu comportamento, ou por suas habilidades.
ama-se uma criança por sua existência.
pela confiança que se tem em sua existência.
e para confiar em uma criança, é necessário confiar em si mesmo.
confiar na própria existência.
não por seus sucessos ou reconhecimentos ou capacidade de ganhar dinheiro...
mas por sua existência.
amor incondicional.
não se espera um comportamento impecável das crianças que não frequentam a escola.
espera-se um mergulho dos pais em sua capacidade de confiar na vida, de confiar em si mesmo e sem duvida, confiar na criança.
assim da para viver sem uma escola para culpar!
28.4.12
UMA OUTRA VIDA
escolarização nos faz pensar de modo linear, parcial e cheio de dualidades.
onde o que não está certo, está errado.
se não é verdade, é mentira.
porém a verdade não tem oposto, assim como o amor não tem oposto.
quando pensamos de modo conflituoso, nossa experiência se torna a única referência, então sempre achamos que qualquer outro modo de vida é o oposto do que estamos vivendo.
por isso é muito difícil pensar na desescolarização quando nossa experiência é a da escolarização, pois pensamos como vidas opostas.
a desescolarização não é o oposto da escolarização.
viver sem-escola não é o oposto que viver com-escola.
uma das minhas surpresas na experiência com filhos fora da escola, tem sido o quão diferente é de tudo que eu poderia ter imaginado antes.
as questões escolarizadas sobre a desescolarização geralmente são:
como seus filhos vão receber conteúdo e onde eles irão acessar todo conhecimento? já que a escola oferece conteúdo e conhecimento.
como seus filhos vão conviver com outras crianças? pois na escola as crianças convivem com outras crianças.
quem será o professor de seus filhos...?
a escola prepara para o vestibular, para o futuro! qual será o futuro de seus filhos?
e por aí a fora.
acontece que a vida sem-escola, na pratica do unschooling (não-escola) diferente do homeschooling (escola dentro de casa), é uma mudança de paradigma geral, sem a possibilidade de comparação com a escola.
antes do conteúdo, do conhecimento, da "socialização", do professor, do vestibular, do futuro, existe o presente, uma criança singular, uma relação com essa criança, um olhar, uma escuta, a observação, um encontro...
ao estar diante de uma criança, mais do que qualquer coisa, é necessário ter um corpo sensível e presente, com os sentidos acordados.
é nesse "entre" como falei no post anterior, o encontro entre o adulto e a criança, que surge um caminho, é nesse "entre" que cria-se um insight.
a partir do insight a ação acontece.
tudo isso é incomparável com o paradigma escolar, e para conhecer essa mudança de paradigma é necessário viver a experiência.
a desescolarização não é uma alternativa, é uma outra vida.
onde o que não está certo, está errado.
se não é verdade, é mentira.
porém a verdade não tem oposto, assim como o amor não tem oposto.
quando pensamos de modo conflituoso, nossa experiência se torna a única referência, então sempre achamos que qualquer outro modo de vida é o oposto do que estamos vivendo.
por isso é muito difícil pensar na desescolarização quando nossa experiência é a da escolarização, pois pensamos como vidas opostas.
a desescolarização não é o oposto da escolarização.
viver sem-escola não é o oposto que viver com-escola.
uma das minhas surpresas na experiência com filhos fora da escola, tem sido o quão diferente é de tudo que eu poderia ter imaginado antes.
as questões escolarizadas sobre a desescolarização geralmente são:
como seus filhos vão receber conteúdo e onde eles irão acessar todo conhecimento? já que a escola oferece conteúdo e conhecimento.
como seus filhos vão conviver com outras crianças? pois na escola as crianças convivem com outras crianças.
quem será o professor de seus filhos...?
a escola prepara para o vestibular, para o futuro! qual será o futuro de seus filhos?
e por aí a fora.
acontece que a vida sem-escola, na pratica do unschooling (não-escola) diferente do homeschooling (escola dentro de casa), é uma mudança de paradigma geral, sem a possibilidade de comparação com a escola.
antes do conteúdo, do conhecimento, da "socialização", do professor, do vestibular, do futuro, existe o presente, uma criança singular, uma relação com essa criança, um olhar, uma escuta, a observação, um encontro...
ao estar diante de uma criança, mais do que qualquer coisa, é necessário ter um corpo sensível e presente, com os sentidos acordados.
é nesse "entre" como falei no post anterior, o encontro entre o adulto e a criança, que surge um caminho, é nesse "entre" que cria-se um insight.
a partir do insight a ação acontece.
tudo isso é incomparável com o paradigma escolar, e para conhecer essa mudança de paradigma é necessário viver a experiência.
a desescolarização não é uma alternativa, é uma outra vida.
15.3.12
DESCONCEITUALIZANDO A DESESCOLARIZAÇÃO
os sentidos das palavras são dinâmicos, ainda mais quando se trata de uma palavra que não consta no dicionário como o caso da desescolarização.
porem não acredito que a busca deva ser a clareza verbal, porque procuro não ter uma vida diária conceitual e sim viver em ato.
muitas vezes acreditamos em conceitos que não praticamos em nossa vida cotidiana.
primeiro, eu comecei a viver a desescolarização, antes mesmo de pensar nesse termo, só não queria ser mais uma no coro "queria muito viver de outra maneira, mas a realidade não permite!"
a quem estamos remetendo a responsabilidade dos nossos modos de vida?
de onde veio a ideia que a realidade está pronta e que precisamos aprender a fazer parte dela??
onde aprendemos a sentir tanto medo do aqui e agora???
eu acredito ter aprendido tudo isso e muito mais (competitividade, comparação, julgamento, especulação, ser carreirista, a desconexão corpo/mente...) na escola, e se não foi na escola, certamente foi la que por muito tempo pratiquei esse modo de vida.
para mim o problema central da escolarização é que além de praticar todos esses conceitos que citei acima, os alunos estão a serviço das aulas, da programação pedagógica, do conhecimento, dos conceitos; fazendo com que os alunos se afastem cada vez mais de si mesmos e seus desejos, a ponto de ser necessário fazer um teste vocacional para saber em que área vai render melhor, a serviço de um sistema que precisa continuar a ser alimentado para existir.
a escolarização nos torna negligentes em nossas vidas e relações.
porem a escolarização é um padrão, então primeiro caí na armadilha de querer mudar o padrão, rejeitando um modelo escolar vigente e aceitando um novo modelo escolar, até perceber que continuava presa em padrões e em sistemas.
por isso a desescolarização não é um padrão, não é uma alternativa, não é uma rebeldia contra a escola.
desescolarização é abrir mão de todas essas praticas escolarizadas, é olhar para si mesmo nas relações, é criar seus desejos ao dar-se conta de como está o mundo, seu país, sua cidade, sua comunidade...
é tornar-se diligente em nossas vidas e relações.
krishnamurti escreve lindamente sobre esses dois termos, em suas palavras:
"...diligência implica cuidado, vigilância, observação e um profundo senso de liberdade...a negligência é indiferença, preguiça; indiferença para com o organismo físico, para com o estado psicológico e indiferença para com os outros...
...o habito, a rotina é o inimigo da diligência - o habito do pensamento, da ação, da conduta...a mente que é diligente não tem habito, não há padrão de resposta..."
na minha experiência foi com a técnica alexander que aprendi que não existem bons e maus hábitos, existem hábitos, e só o viver no presente dissipa o habito.
não é através dos idealismos, dos conceitos, nem do conhecimento, que vamos transmutar nosso modo de vida, e sim pelas ações, pelas relações, pelo cultivo do "entre", não é dentro (de nós) nem fora (na sociedade), a realidade se cria no "entre" o dentro e o fora.
a desescolarização deixa esses "entres" vivos, sendo sempre um ato de criação.
porem não acredito que a busca deva ser a clareza verbal, porque procuro não ter uma vida diária conceitual e sim viver em ato.
muitas vezes acreditamos em conceitos que não praticamos em nossa vida cotidiana.
primeiro, eu comecei a viver a desescolarização, antes mesmo de pensar nesse termo, só não queria ser mais uma no coro "queria muito viver de outra maneira, mas a realidade não permite!"
a quem estamos remetendo a responsabilidade dos nossos modos de vida?
de onde veio a ideia que a realidade está pronta e que precisamos aprender a fazer parte dela??
onde aprendemos a sentir tanto medo do aqui e agora???
eu acredito ter aprendido tudo isso e muito mais (competitividade, comparação, julgamento, especulação, ser carreirista, a desconexão corpo/mente...) na escola, e se não foi na escola, certamente foi la que por muito tempo pratiquei esse modo de vida.
para mim o problema central da escolarização é que além de praticar todos esses conceitos que citei acima, os alunos estão a serviço das aulas, da programação pedagógica, do conhecimento, dos conceitos; fazendo com que os alunos se afastem cada vez mais de si mesmos e seus desejos, a ponto de ser necessário fazer um teste vocacional para saber em que área vai render melhor, a serviço de um sistema que precisa continuar a ser alimentado para existir.
a escolarização nos torna negligentes em nossas vidas e relações.
porem a escolarização é um padrão, então primeiro caí na armadilha de querer mudar o padrão, rejeitando um modelo escolar vigente e aceitando um novo modelo escolar, até perceber que continuava presa em padrões e em sistemas.
por isso a desescolarização não é um padrão, não é uma alternativa, não é uma rebeldia contra a escola.
desescolarização é abrir mão de todas essas praticas escolarizadas, é olhar para si mesmo nas relações, é criar seus desejos ao dar-se conta de como está o mundo, seu país, sua cidade, sua comunidade...
é tornar-se diligente em nossas vidas e relações.
krishnamurti escreve lindamente sobre esses dois termos, em suas palavras:
"...diligência implica cuidado, vigilância, observação e um profundo senso de liberdade...a negligência é indiferença, preguiça; indiferença para com o organismo físico, para com o estado psicológico e indiferença para com os outros...
...o habito, a rotina é o inimigo da diligência - o habito do pensamento, da ação, da conduta...a mente que é diligente não tem habito, não há padrão de resposta..."
na minha experiência foi com a técnica alexander que aprendi que não existem bons e maus hábitos, existem hábitos, e só o viver no presente dissipa o habito.
não é através dos idealismos, dos conceitos, nem do conhecimento, que vamos transmutar nosso modo de vida, e sim pelas ações, pelas relações, pelo cultivo do "entre", não é dentro (de nós) nem fora (na sociedade), a realidade se cria no "entre" o dentro e o fora.
a desescolarização deixa esses "entres" vivos, sendo sempre um ato de criação.
25.2.12
SOCIEDADE HIPÓCRITA
uma das questões mais recorrentes quando se fala em unschooling é o mito da socialização.
todos que praticam o unschooling sabem que esse não é absolutamente um problema real para as crianças que não frequentam escolas.
mas, parece-me, que os frequentadores de escolas do nosso sistema vigente estão sofrendo um processo anti social sem se darem conta disso.
a escola cria sérios problemas de socialização.
para desenvolver essa afirmação, vou usar um trecho de um texto brilhante do biólogo humberto matura do livro - a árvore do conhecimento, pg269.
"...a aceitação do outro junto a nós na convivência, é o fundamento biológico do fenômeno social. Sem amor, sem aceitação do outro junto a nós, não há socialização, e sem esta não há humanidade. Qualquer coisa que destrua ou limite a aceitação do outro, desde a competição até a posse da verdade, passando pela certeza ideológica, destrói ou limita o acontecimento do fenômeno social. Portanto, destrói também o ser humano, porque elimina o processo biológico que o gera. Não nos enganemos. Não estamos moralizando nem fazendo aqui uma prédica do amor. Só estamos destacando o fato de que biologicamente, sem amor, sem aceitação do outro, não há fenomeno social. Se ainda se convive assim vive-se hipocritamente, na indiferença ou na negação ativa."
sendo assim, conviver socialmente é praticar a aceitação mutua incondicional.
aceitar verdadeiramente a diferença.
viver de modo colaborador, afirmando as diferenças, fazendo bom uso delas.
paradoxalmente, a criança começará a ter gosto pelo social quando entender-se como singularidade.
por isso um caminho necessário para tornar-se um ser social, é conhecer-se a si mesmo.
nenhum conhecimento que não nos afete diretamente, poderá ser útil para nosso desenvolvimento social.
por essas e outras a escola com suas praticas de competição, comparação, punição, classificação, ideologias, posse da verdade, etc, etc, torna-se um ambiente potencialmente anti social e gerador do conceito - sociedade hipócrita.
já não percebemos mais o quanto nos relacionamos de modo hipócrita com as crianças, quando nos dirigimos a elas mudamos o tom da nossa voz natural, as subestimamos intelectualmente, queremos ensina-las o tempo todo porque acreditamos que sabemos a verdade, somente a aceitamos de modo condicionado.
não estou dizendo que nós pais e educadores não temos nada a fazer em relação as crianças.
temos que criar um ambiente propício para que ela se escute, se conheça, perceba sua plasticidade, sua habilidade em se transformar, em se recriar.
para isso, é inevitável que esse adulto se escute, se conheça, saiba da sua plasticidade e de sua habilidade em transformar-se. em recriar a si mesmo, a sua realidade, a sua sociedade, o seu mundo.
todos que praticam o unschooling sabem que esse não é absolutamente um problema real para as crianças que não frequentam escolas.
mas, parece-me, que os frequentadores de escolas do nosso sistema vigente estão sofrendo um processo anti social sem se darem conta disso.
a escola cria sérios problemas de socialização.
para desenvolver essa afirmação, vou usar um trecho de um texto brilhante do biólogo humberto matura do livro - a árvore do conhecimento, pg269.
"...a aceitação do outro junto a nós na convivência, é o fundamento biológico do fenômeno social. Sem amor, sem aceitação do outro junto a nós, não há socialização, e sem esta não há humanidade. Qualquer coisa que destrua ou limite a aceitação do outro, desde a competição até a posse da verdade, passando pela certeza ideológica, destrói ou limita o acontecimento do fenômeno social. Portanto, destrói também o ser humano, porque elimina o processo biológico que o gera. Não nos enganemos. Não estamos moralizando nem fazendo aqui uma prédica do amor. Só estamos destacando o fato de que biologicamente, sem amor, sem aceitação do outro, não há fenomeno social. Se ainda se convive assim vive-se hipocritamente, na indiferença ou na negação ativa."
sendo assim, conviver socialmente é praticar a aceitação mutua incondicional.
aceitar verdadeiramente a diferença.
viver de modo colaborador, afirmando as diferenças, fazendo bom uso delas.
paradoxalmente, a criança começará a ter gosto pelo social quando entender-se como singularidade.
por isso um caminho necessário para tornar-se um ser social, é conhecer-se a si mesmo.
nenhum conhecimento que não nos afete diretamente, poderá ser útil para nosso desenvolvimento social.
por essas e outras a escola com suas praticas de competição, comparação, punição, classificação, ideologias, posse da verdade, etc, etc, torna-se um ambiente potencialmente anti social e gerador do conceito - sociedade hipócrita.
já não percebemos mais o quanto nos relacionamos de modo hipócrita com as crianças, quando nos dirigimos a elas mudamos o tom da nossa voz natural, as subestimamos intelectualmente, queremos ensina-las o tempo todo porque acreditamos que sabemos a verdade, somente a aceitamos de modo condicionado.
não estou dizendo que nós pais e educadores não temos nada a fazer em relação as crianças.
temos que criar um ambiente propício para que ela se escute, se conheça, perceba sua plasticidade, sua habilidade em se transformar, em se recriar.
para isso, é inevitável que esse adulto se escute, se conheça, saiba da sua plasticidade e de sua habilidade em transformar-se. em recriar a si mesmo, a sua realidade, a sua sociedade, o seu mundo.
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