1.9.12

MÃOS A OBRA!

na nossa escolarização desenvolvemos a crença de que há uma realidade pronta e que precisamos aprender a ser alguem nessa realidade

mas sempre existiu essa realidade? a vida sempre foi assim? - essas são perguntas desconcertantes feita por uma criança de 6 anos

de modo genial humberto maturana, biólogo pesquisador, nos inspira em seus escritos comprovando que nós somos criadores de realidade, não somos vitimas de uma realidade pronta, somos cúmplices

apesar de não nos darmos conta vivemos na realidade de criamos, aprendemos a criar essa realidade através de crenças, de hábitos, por conta do medo em assumir a responsabilidade dessa criação e a capacidade real que temos de transmutar

mas podemos perceber que de modo consciente ou inconsciente estamos criando outra realidade, e alguns, mesmo sem se dar conta já estão participando dessa criação, apesar de se acharem simples espectadores dessa outra realidade

vi isso acontecer ontem em um encontro estimulante que tivemos na casa jaya onde assistimos parte do documentario la educacion prohibida

todos que estavam ali presentes, faziam parte da criação dessa outra realidade, porem muitos acreditavam serem espectadores e ouvintes de pessoas que estavam conseguindo criar um novo modo de vida

do mesmo modo que acreditamos ser apenas plateia da realidade que vivemos hoje

para os que assumem a criação fica o trabalho de transmutar crenças, hábitos, ações e fazer parte efetiva dessa criação, para os outros surge o conflito

pensando-se incapaz da mudança resta sonhar com uma outra realidade enquanto investe todas as suas ações no velho paradigma

por isso não há escapatória, precisamos trabalhar sobre nosso modo de vida, o trabalho é em nós para que a transmutação aconteça

e o trabalho sobre nós mesmos não acontece isolado do mundo, dentro de nós, em particular

o trabalho em nós é publico e acontece no entre, no fora, na relação, em ato, na ação, com o outro, no mundo

porque se começamos a querer mudar o paradigma mudando o mundo, traremos junto as mesmas crenças e hábitos tão presentes em nós e que determinam nossas ações e que mantem viva essa realidade não desejada

e o resultado disso será um refinamento, uma melhora do que não está bom, mas o que está ruim continuará sendo produzido por nós

será somente uma teoria, uma ideia, a intelectualização de um novo paradigma, mas na pratica continuaremos com as mesmas ações

e não são as ideias, nem os conhecimento, nenhuma teoria que nos transformam, mas sim a pratica cotidiana de desinvestirmos os nossos hábitos, as velhas crenças, o modo de vida impotente, pois assim, aos pouco, essa realidade não desejada vai desaparecendo, e em seu lugar surge a realidade que queremos, que merecemos, que somos responsáveis e criadores

mãos a obra!



30.8.12

LA EDUCACION PROHIBIDA

esse documentario argentino que está totalmente disponivel na internet para assisti-lo, copia-lo, exibi-lo, transforma-lo...será nosso ponto de partida para uma roda de conversa sobre mudanças de paradigma na educação, que acontecerá amanhã, dia 31 de agosto, a partir das 19hs, na casa jaya

irei compartilhar minhas vivencias com meus filhos fora da escola e com outras familias que tenho acompanhado nesse intenso e maravilhoso processo

caso alguem tenha interesse em exibir o filme para algum grupo e quiser organizar uma roda de conversas, conte comigo!

5.8.12

ENCONTRO COM O SILENCIO

na educação ativa todos estão aprendendo, crianças, adultos, educadores, especialistas...

aprender não é aquisição de conhecimento, não é um processo aditivo

não pode haver julgamento e nem avaliação

todo aprendizado se inicia no encontro com a gente mesmo

aprender é liberador de energia

é motivador de ação

estive por 11 dias na chapada dos veadeiros, na vila de são jorge com minhas duas filhas

só nós três

na imensidão da natureza

em suas cachoeiras, rios gelados

um céu sem fim

me dei conta que poderia estar em silencio ao lado delas

sem direcionar seus olhares

sem precisar entrete-las, convence-las, nem guia-las em um ambiente que tão claramente se impõe e define suas regras

com o silencio veio a presença indispensável para estar com duas crianças pequenas em trilhas, pedras, rios, correnteza, quedas d´aguas

com a presença veio o ritmo

um ritmo muito mais dilatado do que no cotidiano paulista

com o ritmo veio a confiança

e a afirmação dos interesses de cada uma de nós

11 dias de silencio, presença, ritmo, confiança, afirmação...

juntamente com os banhos de rio tivemos o encontro de culturas populares

12 tribos indígenas compartilhando seus modos de vida

muitos shows de musicas de raízes de todo país

muita dança


circo

rituais

vida comunitária

nada ensinei as minhas pequenas, deixei-as livres para olharem para o lado que lhes interessavam

cessei todo conhecimento sobre mim mesma e sobre elas

observar, olhar, escutar, sentir, tudo isso faz parte do aprender

e não aprendemos se já sabemos, é necessário esvaziar-se de todo conhecimento

só me restava o silencio e a presença

foi libertador!

de volta a são paulo a afirmação que não se direciona o aprendizado

aqui estão elas cantando, dançando, se pintando como os índios

tocando instrumentos

brincando de repentista

tudo o que nos permeou nos nossos dias na chapada está aflorando em cada uma de nós nesses dias aqui em casa

cada uma do seu jeito

sem duvida aprendemos muito, sem saber, sem julgar e nem avaliar

simplesmente aprendemos
























17.6.12

ESCOLA PARA O SER


acreditamos que o ser humano é um ser racional.

o ser humano possui a condição racional, porque pensa e sabe que pensa.

mas isso não é o suficiente para sermos denominados seres racionais, isso só seria verdadeiro se fosse possível para o ser humano ter ações, reações, relações, primeiramente racionais.

a realidade é que somos seres emocionais!

pensamos, sentimos e agimos conforme nossas emoções, e a razão só consegue nega-las ou justifica-las, ou na melhor das hipóteses, dar-se conta de nossas emoções.

a emoção define o que sentimos, como agimos e como pensamos.

nossa cultura, assim como nosso sistema escolar, ilude-se ao criar condições de desenvolvimento prioritariamente racionais, desinvestindo ao máximo nossa condição de seres emocionais.

por mais que tenha sido feita essa inversão, nossa natureza não se convenceu, e não nos permitiu trocar o ser emocional pelo ser racional.

e o que não se desenvolve se atrofia, assim nos tornamos seres emocionais atrofiados com razão desenvolvida para negar ou justificar nossas emoções.

para suportar essa forma aleijada de ser, nos apoiamos no poder, recurso necessário para seres racionais.

quando nos assumimos seres emocionais, e investimos no desenvolvimento dessa condição, encontramos a potencia.


quem tem potencia não precisa do poder, inversamente, todo impotente busca a qualquer custo o poder.

e o que vemos nas escolas do nosso sistema corrente? crianças, adolescentes e adultos incentivados a buscar o poder.

e por que?

porque, nesse sistema escolarizado nos padrões atuais, desinveste a potencia, que só é possível ser desenvolvida juntamente com nosso desenvolvimento emocional.

e nós, pais e educadores dos dias de hoje, fomos educados para o poder, porque fomos educados para a impotência.

e assim educamos nossos filhos e alunos.

a cara do poder contemporaneo se apresenta de vários modos diferentes.

o mais grosseiro de todos é o uso do castigo e da ameaça, que nada mais é do que o retrato de um adulto impotente diante de uma criança, que em nome do papel de educador, ameaça e/ou castiga a criança que está fazendo algo que não deveria ser feito.

quando tentamos refinar o uso de nosso poder, nos tornamos mais positivos educando através da promessa e/ou premiação, promete-se uma recompensa para que a criança mude suas atitudes indesejadas.

até que nos damos conta que castigar e premiar são dois lados da mesma moeda, e criamos um modo mais sutil do uso do poder através da razão, o adulto explica, justifica, intelectualiza, e tenta convencer a criança a mudar de atitude.

mas, e se a criança, com todo esse cuidado, não reage do modo que o adulto deseja?

provavelmente ele culpará a criança por não estar a altura de sua explicação e aplicará o modo menos sutil de poder querendo trocar sua obediência por um beneficio, mas se mesmo assim aquela criança insiste em não mudar o adulto apelará para a ameaça...

somos ou não impotentes e desejosos de poder?

observação: não estou colocando em discussão a ação da criança, e sim, a do adulto, ou melhor dizendo, creio que o adulto poderá ajudar a criança a se desenvolver e a responsabilizar-se por seus atos, mas não através do uso do poder, que só irá reforçar a formação de uma criança impotente.

a saída para essa triste situação é começar a investir no desenvolvimento de nossa potencia, no desenvolvimento de nossa condição de seres emocionais.

precisamos de uma educação para potencia, de uma escola para o ser, para crianças, para pais e educadores.









18.5.12

SEM UMA ESCOLA PARA CULPAR!

a maior dificuldade de não ter os filhos na escola é não ter a quem culpar!

porque filhos que não frequentam escola também fazem coisas terríveis.

aprendem musicas e danças de gosto discutível.

deixam escapar palavras de baixo calão.

pegam piolho.

se rebelam!

onde aprendem tudo isso? e o pior é não ter uma escola para jogar a culpa.

crianças que vivem sem escola não estão isoladas do mundo, captam tudo no ar, estão ligadissimas.

assim são as crianças!

porem mais importante do que "o que aprendem", é como lidar com a criança e suas aventuras.

criança precisa de acolhimento, de amor incondicional, de respeito, mesmo quando elas apresentam atitudes difíceis de serem aceitas.

a moda passa, e logo a criança deixa de lado a musiquinha irritante ou a dancinha provocadora, mas o que fica é o acolhimento, a certeza de que o amor e a confiança nela não se abala por conta de suas experimentações.

não se ama uma criança pelo seu comportamento, ou por suas habilidades.

ama-se uma criança por sua existência.

pela confiança que se tem em sua existência.

e para confiar em uma criança, é necessário confiar em si mesmo.

confiar na própria existência.

não por seus sucessos ou reconhecimentos ou capacidade de ganhar dinheiro...

mas por sua existência.

amor incondicional.

não se espera um comportamento impecável das crianças que não frequentam a escola.

espera-se um mergulho dos pais em sua capacidade de confiar na vida, de confiar em si mesmo e sem duvida, confiar na criança.

assim da para viver sem uma escola para culpar!






28.4.12

UMA OUTRA VIDA

escolarização nos faz pensar de modo linear, parcial e cheio de dualidades.

onde o que não está certo, está errado.

se não é verdade, é mentira.

porém a verdade não tem oposto, assim como o amor não tem oposto.

quando pensamos de modo conflituoso, nossa experiência se torna a única referência, então sempre achamos que qualquer outro modo de vida é o oposto do que estamos vivendo.

por isso é muito difícil pensar na desescolarização quando nossa experiência é a da escolarização, pois pensamos como vidas opostas.

a desescolarização não é o oposto da escolarização.

viver sem-escola não é o oposto que viver com-escola.

uma das minhas surpresas na experiência com filhos fora da escola, tem sido o quão diferente é de tudo que eu poderia ter imaginado antes.

as questões escolarizadas sobre a desescolarização geralmente são:

como seus filhos vão receber conteúdo e onde eles irão acessar todo conhecimento? já que a escola oferece conteúdo e conhecimento.

como seus filhos vão conviver com outras crianças? pois na escola as crianças convivem com outras crianças.

quem será o professor de seus filhos...?

a escola prepara para o vestibular, para o futuro! qual será o futuro de seus filhos?

e por aí a fora.

acontece que a vida sem-escola, na pratica do unschooling (não-escola) diferente do homeschooling (escola dentro de casa), é uma mudança de paradigma geral, sem a possibilidade de comparação com a escola.

antes do conteúdo, do conhecimento, da "socialização", do professor, do vestibular, do futuro, existe o presente, uma criança singular, uma relação com essa criança, um olhar, uma escuta, a observação, um encontro...

ao estar diante de uma criança, mais do que qualquer coisa, é necessário ter um corpo sensível e presente, com os sentidos acordados.

é nesse "entre" como falei no post anterior, o encontro entre o adulto e a criança, que surge um caminho, é nesse "entre" que cria-se um insight.

a partir do insight a ação acontece.

tudo isso é incomparável com o paradigma escolar, e para conhecer essa mudança de paradigma é necessário viver a experiência.

a desescolarização não é uma alternativa, é uma outra vida.

15.3.12

DESCONCEITUALIZANDO A DESESCOLARIZAÇÃO

os sentidos das palavras são dinâmicos, ainda mais quando se trata de uma palavra que não consta no dicionário como o caso da desescolarização.

porem não acredito que a busca deva ser a clareza verbal, porque procuro não ter uma vida diária conceitual e sim viver em ato.

muitas vezes acreditamos em conceitos que não praticamos em nossa vida cotidiana.

primeiro, eu comecei a viver a desescolarização, antes mesmo de pensar nesse termo, só não queria ser mais uma no coro "queria muito viver de outra maneira, mas a realidade não permite!"

a quem estamos remetendo a responsabilidade dos nossos modos de vida?

de onde veio a ideia que a realidade está pronta e que precisamos aprender a fazer parte dela??

onde aprendemos a sentir tanto medo do aqui e agora???

eu acredito ter aprendido tudo isso e muito mais (competitividade, comparação, julgamento, especulação, ser carreirista, a desconexão corpo/mente...) na escola, e se não foi na escola, certamente foi la que por muito tempo pratiquei esse modo de vida.

para mim o problema central da escolarização é que além de praticar todos esses conceitos que citei acima, os alunos estão a serviço das aulas, da programação pedagógica, do conhecimento, dos conceitos; fazendo com que os alunos se afastem cada vez mais de si mesmos e seus desejos, a ponto de ser necessário fazer um teste vocacional para saber em que área vai render melhor, a serviço de um sistema que precisa continuar a ser alimentado para existir.

a escolarização nos torna negligentes em nossas vidas e relações.

porem a escolarização é um padrão, então primeiro caí na armadilha de querer mudar o padrão, rejeitando um modelo escolar vigente e aceitando um novo modelo escolar, até perceber que continuava presa em padrões e em sistemas.

por isso a desescolarização não é um padrão, não é uma alternativa, não é uma rebeldia contra a escola.

desescolarização é abrir mão de todas essas praticas escolarizadas, é olhar para si mesmo nas relações, é criar seus desejos ao dar-se conta de como está o mundo, seu país, sua cidade, sua comunidade...

é tornar-se diligente em nossas vidas e relações.

krishnamurti escreve lindamente sobre esses dois termos, em suas palavras:

"...diligência implica cuidado, vigilância, observação e um profundo senso de liberdade...a negligência é indiferença, preguiça; indiferença para com o organismo físico, para com o estado psicológico e indiferença para com os outros...
...o habito, a rotina é o inimigo da diligência - o habito do pensamento, da ação, da conduta...a mente que é diligente não tem habito, não há padrão de resposta..."


na minha experiência foi com a técnica alexander que aprendi que não existem bons e maus hábitos, existem hábitos, e só o viver no presente dissipa o habito.

não é através dos idealismos, dos conceitos, nem do conhecimento, que vamos transmutar nosso modo de vida, e sim pelas ações, pelas relações, pelo cultivo do "entre", não é dentro (de nós) nem fora (na sociedade), a realidade se cria no "entre" o dentro e o fora.

a desescolarização deixa esses "entres" vivos, sendo sempre um ato de criação.