prometi um post com praticas da educação para a potencia
aqui vai
queimem todos os livros, principalmente os mais inspiradores
desconecte a internet, incluindo todas as discussões no facebook sobre educação
deixe de ir a palestras
não tenha gurus
nem professores
mas não se isole do mundo
continue relacionando-se
com pessoas
com a propria pessoa e não com o que ela representa - mãe, pai, filho, chefe, empregado, caixa de supermercado, etc
relacione-se com aquela pessoa e não com sua ocupação
sinta a relação em voce, no seu corpo
entre em contato com as emoções
lembre-se que voce queimou os livros, desconectou-se da internet, e não poderá buscar mais referencias fora, terá que se enfrentar
sua mente não terá outro lugar para se apoiar, a não ser seu proprio corpo
no começo ela vai estranhar, pois faz muito tempo que ela anda em outros "corpos", representante de ideias e ideais
a mente terá que aprender a conviver com a emoção, com a intuição, com as percepções, com o inconsciente, com todas as forças que compõe seu corpo
com o tempo ela aprende de novo a gostar desse lugar, que é o seu lugar
e la estará voce, inteiro, sobre os proprios pés, sustentado pela propria coluna, norteado por sua cabeça (literalmente)
intimo de si mesmo
e sabendo que toda essa existencia se faz na relação
com o outro
o outro pessoa, animal, planta, paisagem, espaço...
nessa condição, potente, voce pode voltar a se encontrar com livros, internet, discussões no facebook, professores, gurus...
porque voce será unico, singular e estará se encontrando com o outro que também é unico e singular, e não mera representação do tipo que todos aprendemos a ser em nossos anos de escolaridade
a mente fora do corpo é a mente do poder, que abandona a singularidade da existencia, e sua potencia; e na impotencia precisa de algo que a faça existir, regra, ordem, um chefe, teorias, cargo, nome, classe, seguro saude, uma causa, uma luta, um ideal, reconhecimento, titulos, governo, vicios, hobby, habitos, rotina, certezas, segurança, garantias...
o corpo, a potencia, não precisa de nada disso, pode até ter tudo isso, mas precisar, não precisa
a potencia precisa de uma unica coisa, existir plenamente, o que vem depois é efeito
31.10.12
EDUCAR PELA POTENCIA
dias atrás, dei essa entrevista para mauricio curi da educartis, onde todas as quintas-feiras as 17h ele entrevista alguem para falar sobre experiências de educação livre que é transmitida ao vivo pelo canal da educartis
algumas pessoas me procuraram depois para seguir discutindo o tema da educação pelo poder e educação pela potencia
gostaria de começar falando sobre nossas praticas de poder na educação das crianças
três exemplos comuns de poder - ameaça/castigo, recompensa e explicação
exemplos da pratica desses poderes - a criança grita (em um ato mal-criado), o adulto (bem intencionado) explica: não grite meu bem... e explica o porque a criança não deveria gritar,
ela segue gritando, e o adulto (ainda bem intencionado) promete: se você parar de gritar...
a criança segue gritando, o adulto já sem paciência ameaça: se você continuar gritando...
o poder não funciona no corpo potente da criança
na situação acima, o que teremos é a revelação da impotência do adulto diante da criança, e onde há impotência, encontramos a vontade de poder
o nascimento nos introduz num tempo em que o futuro não é consequência do passado e em que o que vem ao mundo não é dedutível do que já existe no mundo. pelo fato que constantemente nascem seres humanos no mundo, o tempo está sempre aberto a um novo começo: ao aparecimento de algo novo que o mundo deve ser capaz de receber, ainda que para recebê-lo, tenha que ser capaz de se renovar; a vinda de algo novo ao qual tem que ser capaz de responder, ainda que, para responder, deva ser capaz de se colocar em questão.
na entrevista afirmei que me propus a educar meus filhos pela potencia e não pelo poder
nem sempre consigo, mas quando acontece fica claro que esse é um caminho muito possível de ser construído e que neste momento a cultura se transforma deixando de ser cultura patriarcal e gerando a cultura biológica, chamada por maturana de cultura matristica
para educar um filho pela potencia é necessário investir no nosso corpo, não em músculos, ou postura, etc. mas um corpo de fluxos, de encontros, de acontecimentos, de devires
a potencia está no corpo, um corpo autopoietico (que se constrói a si mesmo constantemente), um corpo conectado, fluido, um corpo como encontro de forças que o atravessa
na potencia o aprendizado se da pelo corpo, pela experiência, que inclui o processo mental, assim como o emocional, o cognitivo, as percepções, a intuição... nesse processo que se da através do corpo entro em contato com aquilo que não-sei-que-sei e quando me encontro em uma situação de demanda, posso, através do encontro com a criança e a situação, criar um caminho (sempre inédito) de educação ao lado de meus filhos
o corpo potente é o corpo do paradoxo, é um corpo que não sentimos e ele está la, acordado, presente e ativo, assim como o corpo da criança que é fluido, passa de um movimento para o outro sem esforço, um corpo que não é uma prisão mas sim uma possibilidade
precisamos recriar nosso corpo (nossa cultura) para uma educação para potencia
com um corpo que liberta a vida
ps. prometo um post inteiro com exemplos práticos da educação pela potencia, pois nossos processos mentais adoram um exemplo...
algumas pessoas me procuraram depois para seguir discutindo o tema da educação pelo poder e educação pela potencia
gostaria de começar falando sobre nossas praticas de poder na educação das crianças
três exemplos comuns de poder - ameaça/castigo, recompensa e explicação
exemplos da pratica desses poderes - a criança grita (em um ato mal-criado), o adulto (bem intencionado) explica: não grite meu bem... e explica o porque a criança não deveria gritar,
ela segue gritando, e o adulto (ainda bem intencionado) promete: se você parar de gritar...
a criança segue gritando, o adulto já sem paciência ameaça: se você continuar gritando...
o poder não funciona no corpo potente da criança
na situação acima, o que teremos é a revelação da impotência do adulto diante da criança, e onde há impotência, encontramos a vontade de poder
o poder está na mente que exclui o corpo, onde todo o processo racional acontece "fora" do corpo, essa mente pertence ao poder/cultura patriarcal
assim falamos, agimos e pensamos como representantes de ideias e ideais, em nome de uma cultura, de um habito, de um conhecimento
aprendemos (ou ensinamos) pelo poder quando todo o processo se da pela aquisição de conhecimento, onde acumulamos para ter mais, saber mais e poder usar mais o que se aprendeu
jorge larrosa nos ajuda a entender a pratica da vontade de poder em relação as crianças
a infância é algo que nossos saberes, nossas praticas e nossas instituições já capturaram: algo que podemos explicar e nomear, algo sobre o qual podemos intervir, algo que podemos acolher...nós sabemos o que são as crianças, ou tentamos saber, e procuramos falar uma língua que as crianças possam entender quando tratamos com elas, nos lugares que organizamos para abriga-las.
e larrosa segue com a vontade de potencia
o nascimento nos introduz num tempo em que o futuro não é consequência do passado e em que o que vem ao mundo não é dedutível do que já existe no mundo. pelo fato que constantemente nascem seres humanos no mundo, o tempo está sempre aberto a um novo começo: ao aparecimento de algo novo que o mundo deve ser capaz de receber, ainda que para recebê-lo, tenha que ser capaz de se renovar; a vinda de algo novo ao qual tem que ser capaz de responder, ainda que, para responder, deva ser capaz de se colocar em questão.
na entrevista afirmei que me propus a educar meus filhos pela potencia e não pelo poder
nem sempre consigo, mas quando acontece fica claro que esse é um caminho muito possível de ser construído e que neste momento a cultura se transforma deixando de ser cultura patriarcal e gerando a cultura biológica, chamada por maturana de cultura matristica
para educar um filho pela potencia é necessário investir no nosso corpo, não em músculos, ou postura, etc. mas um corpo de fluxos, de encontros, de acontecimentos, de devires
a potencia está no corpo, um corpo autopoietico (que se constrói a si mesmo constantemente), um corpo conectado, fluido, um corpo como encontro de forças que o atravessa
na potencia o aprendizado se da pelo corpo, pela experiência, que inclui o processo mental, assim como o emocional, o cognitivo, as percepções, a intuição... nesse processo que se da através do corpo entro em contato com aquilo que não-sei-que-sei e quando me encontro em uma situação de demanda, posso, através do encontro com a criança e a situação, criar um caminho (sempre inédito) de educação ao lado de meus filhos
o corpo potente é o corpo do paradoxo, é um corpo que não sentimos e ele está la, acordado, presente e ativo, assim como o corpo da criança que é fluido, passa de um movimento para o outro sem esforço, um corpo que não é uma prisão mas sim uma possibilidade
precisamos recriar nosso corpo (nossa cultura) para uma educação para potencia
com um corpo que liberta a vida
ps. prometo um post inteiro com exemplos práticos da educação pela potencia, pois nossos processos mentais adoram um exemplo...
17.9.12
TaKeTiNa 2012
não é de hoje a minha paixão por essa experiencia polirritmica que vivemos a cada encontro que nos ultimos 5 anos estamos trazendo para são paulo, buenos aires, salvador e vale do capão
experimentei taketina pela primeira vez no ano 2000 em londres e ainda me é muito presente a sensação de encontrar o estado de estar presente como nunca tinha vivido antes
desde 2008 firmei essa parceria com henning von vangerow, um professor de taketina muito experiente, além de ser psicologo, ator, musico e uma pessoa encantadora
nesse blog tem alguns posts sobre essa experiencia, procure por taketina e la voce encontrará um pouco da amplitude dessa experiencia
nosso workshop será nos dias 20 (sabado) e 21 (domingo) de outubro das 14h as 18h
Local: Caleidos
Rua Mota Pais, 213
Vila Ipojuca - Lapa
São Paulo - SP / 05054-000
Incrições: anavidaativa@gmail.com
valor 300 reais
atenção: este ano teremos somente 30 vagas
experimentei taketina pela primeira vez no ano 2000 em londres e ainda me é muito presente a sensação de encontrar o estado de estar presente como nunca tinha vivido antes
desde 2008 firmei essa parceria com henning von vangerow, um professor de taketina muito experiente, além de ser psicologo, ator, musico e uma pessoa encantadora
nesse blog tem alguns posts sobre essa experiencia, procure por taketina e la voce encontrará um pouco da amplitude dessa experiencia
nosso workshop será nos dias 20 (sabado) e 21 (domingo) de outubro das 14h as 18h
Local: Caleidos
Rua Mota Pais, 213
Vila Ipojuca - Lapa
São Paulo - SP / 05054-000
Incrições: anavidaativa@gmail.com
valor 300 reais
atenção: este ano teremos somente 30 vagas
9.9.12
UMA NOVA CULTURA
estamos livres dentro da prisão da cultura patriarcal
podemos escolher como viver, como educar nossos filhos, como parir, como sepultar nossos mortos, ser religioso ou ateísta...estamos livres para escolher como viver, dentro da prisão da cultura patriarcal
por isso nossas escolhas são tão reducionistas
por isso as mudanças são tão conflituosas
estamos sempre em reforma e somente em reforma
porque vivemos nossas vidas cotidianas sustentando a cultura patriarcal
mudamos, mas não transmutamos
como define humberto maturana, a cultura patriarcal se caracteriza pela competição, pela luta, pelas hierarquias, pela autoridade, pelo poder, pelo crescimento, pela apropriação de recursos, pela justificação racional do controle e da dominação dos outros por meio da apropriação da verdade (pelo conhecimento)...
e esses continuam sendo nossos valores, de modo mais grosseiro ou mais refinado
ou não falamos em lutar por um mundo melhor? em fazer bom uso do poder? em educar nossos filhos para serem alguem na vida? em querer usar o nosso conhecimento e capacidade intelectual para convencer alguem a pensar do modo que acreditamos ser o melhor para todos?
na nossa cultura patriarcal não aceitamos os desacordos como situações legitimas, se há desacordo há rompimento...
então o que estamos fazendo? mudando o método de ensino? tirando os filhos da escola? parindo em partos humanizados? criando rituais? tudo isso e muito mais sem abrir mão da cultura patriarcal
deixamos de lado as instituições e imediatamente criamos outra
por isso estamos em crise
não da para querer continuar a vida do mesmo modo e ao mesmo tempo querer que tudo mude e simplesmente fique melhor
a necessidade genuína de uma mudança na educação de nossos filhos, na mudança no modo de nascer e morrer, na mudança de vida implica em ir além da liberdade dentro da cultura patriarcal
uma nova cultura precisa ser criada para sairmos desse lugar tão desconfortável e conflituoso
quem cria e sustenta uma cultura é cada um de nós
a criação de uma cultura começa em cada um de nós, independente de uma sociedade
somos criadores de realidade, se criamos em cada um de nós uma nova cultura, essa cultura surgirá
se queremos viver em colaboração, temos que deixar de viver em competição, simples assim, nem mesmo competir com o velho paradigma, e vivendo em colaboração criamos um modo de vida colaborador
por isso que o trabalho é em cada um de nós e não no mundo
em cada um de nós e com o mundo
esse cada um de nós que está dentro e fora ao mesmo tempo
esse cada um de nós que surge nas relações
não se transmuta no isolamento
se transmuta no cotidiano, em ato, no acontecimento
não é no futuro
se transmuta hoje e agora, é só exercitar, insistir, ficar atento, confiar na capacidade de amar incondicionalmente e aos pouco o mundo vai clareando, a realidade vai sendo criada, e a vida torna-se necessária e cheia de sentido
podemos escolher como viver, como educar nossos filhos, como parir, como sepultar nossos mortos, ser religioso ou ateísta...estamos livres para escolher como viver, dentro da prisão da cultura patriarcal
por isso nossas escolhas são tão reducionistas
por isso as mudanças são tão conflituosas
estamos sempre em reforma e somente em reforma
porque vivemos nossas vidas cotidianas sustentando a cultura patriarcal
mudamos, mas não transmutamos
como define humberto maturana, a cultura patriarcal se caracteriza pela competição, pela luta, pelas hierarquias, pela autoridade, pelo poder, pelo crescimento, pela apropriação de recursos, pela justificação racional do controle e da dominação dos outros por meio da apropriação da verdade (pelo conhecimento)...
e esses continuam sendo nossos valores, de modo mais grosseiro ou mais refinado
ou não falamos em lutar por um mundo melhor? em fazer bom uso do poder? em educar nossos filhos para serem alguem na vida? em querer usar o nosso conhecimento e capacidade intelectual para convencer alguem a pensar do modo que acreditamos ser o melhor para todos?
na nossa cultura patriarcal não aceitamos os desacordos como situações legitimas, se há desacordo há rompimento...
então o que estamos fazendo? mudando o método de ensino? tirando os filhos da escola? parindo em partos humanizados? criando rituais? tudo isso e muito mais sem abrir mão da cultura patriarcal
deixamos de lado as instituições e imediatamente criamos outra
por isso estamos em crise
não da para querer continuar a vida do mesmo modo e ao mesmo tempo querer que tudo mude e simplesmente fique melhor
a necessidade genuína de uma mudança na educação de nossos filhos, na mudança no modo de nascer e morrer, na mudança de vida implica em ir além da liberdade dentro da cultura patriarcal
uma nova cultura precisa ser criada para sairmos desse lugar tão desconfortável e conflituoso
quem cria e sustenta uma cultura é cada um de nós
a criação de uma cultura começa em cada um de nós, independente de uma sociedade
somos criadores de realidade, se criamos em cada um de nós uma nova cultura, essa cultura surgirá
se queremos viver em colaboração, temos que deixar de viver em competição, simples assim, nem mesmo competir com o velho paradigma, e vivendo em colaboração criamos um modo de vida colaborador
por isso que o trabalho é em cada um de nós e não no mundo
em cada um de nós e com o mundo
esse cada um de nós que está dentro e fora ao mesmo tempo
esse cada um de nós que surge nas relações
não se transmuta no isolamento
se transmuta no cotidiano, em ato, no acontecimento
não é no futuro
se transmuta hoje e agora, é só exercitar, insistir, ficar atento, confiar na capacidade de amar incondicionalmente e aos pouco o mundo vai clareando, a realidade vai sendo criada, e a vida torna-se necessária e cheia de sentido
1.9.12
MÃOS A OBRA!
na nossa escolarização desenvolvemos a crença de que há uma realidade pronta e que precisamos aprender a ser alguem nessa realidade
mas sempre existiu essa realidade? a vida sempre foi assim? - essas são perguntas desconcertantes feita por uma criança de 6 anos
de modo genial humberto maturana, biólogo pesquisador, nos inspira em seus escritos comprovando que nós somos criadores de realidade, não somos vitimas de uma realidade pronta, somos cúmplices
apesar de não nos darmos conta vivemos na realidade de criamos, aprendemos a criar essa realidade através de crenças, de hábitos, por conta do medo em assumir a responsabilidade dessa criação e a capacidade real que temos de transmutar
mas podemos perceber que de modo consciente ou inconsciente estamos criando outra realidade, e alguns, mesmo sem se dar conta já estão participando dessa criação, apesar de se acharem simples espectadores dessa outra realidade
vi isso acontecer ontem em um encontro estimulante que tivemos na casa jaya onde assistimos parte do documentario la educacion prohibida
todos que estavam ali presentes, faziam parte da criação dessa outra realidade, porem muitos acreditavam serem espectadores e ouvintes de pessoas que estavam conseguindo criar um novo modo de vida
do mesmo modo que acreditamos ser apenas plateia da realidade que vivemos hoje
para os que assumem a criação fica o trabalho de transmutar crenças, hábitos, ações e fazer parte efetiva dessa criação, para os outros surge o conflito
pensando-se incapaz da mudança resta sonhar com uma outra realidade enquanto investe todas as suas ações no velho paradigma
por isso não há escapatória, precisamos trabalhar sobre nosso modo de vida, o trabalho é em nós para que a transmutação aconteça
e o trabalho sobre nós mesmos não acontece isolado do mundo, dentro de nós, em particular
o trabalho em nós é publico e acontece no entre, no fora, na relação, em ato, na ação, com o outro, no mundo
porque se começamos a querer mudar o paradigma mudando o mundo, traremos junto as mesmas crenças e hábitos tão presentes em nós e que determinam nossas ações e que mantem viva essa realidade não desejada
e o resultado disso será um refinamento, uma melhora do que não está bom, mas o que está ruim continuará sendo produzido por nós
será somente uma teoria, uma ideia, a intelectualização de um novo paradigma, mas na pratica continuaremos com as mesmas ações
e não são as ideias, nem os conhecimento, nenhuma teoria que nos transformam, mas sim a pratica cotidiana de desinvestirmos os nossos hábitos, as velhas crenças, o modo de vida impotente, pois assim, aos pouco, essa realidade não desejada vai desaparecendo, e em seu lugar surge a realidade que queremos, que merecemos, que somos responsáveis e criadores
mãos a obra!
mas sempre existiu essa realidade? a vida sempre foi assim? - essas são perguntas desconcertantes feita por uma criança de 6 anos
de modo genial humberto maturana, biólogo pesquisador, nos inspira em seus escritos comprovando que nós somos criadores de realidade, não somos vitimas de uma realidade pronta, somos cúmplices
apesar de não nos darmos conta vivemos na realidade de criamos, aprendemos a criar essa realidade através de crenças, de hábitos, por conta do medo em assumir a responsabilidade dessa criação e a capacidade real que temos de transmutar
mas podemos perceber que de modo consciente ou inconsciente estamos criando outra realidade, e alguns, mesmo sem se dar conta já estão participando dessa criação, apesar de se acharem simples espectadores dessa outra realidade
vi isso acontecer ontem em um encontro estimulante que tivemos na casa jaya onde assistimos parte do documentario la educacion prohibida
todos que estavam ali presentes, faziam parte da criação dessa outra realidade, porem muitos acreditavam serem espectadores e ouvintes de pessoas que estavam conseguindo criar um novo modo de vida
do mesmo modo que acreditamos ser apenas plateia da realidade que vivemos hoje
para os que assumem a criação fica o trabalho de transmutar crenças, hábitos, ações e fazer parte efetiva dessa criação, para os outros surge o conflito
pensando-se incapaz da mudança resta sonhar com uma outra realidade enquanto investe todas as suas ações no velho paradigma
por isso não há escapatória, precisamos trabalhar sobre nosso modo de vida, o trabalho é em nós para que a transmutação aconteça
e o trabalho sobre nós mesmos não acontece isolado do mundo, dentro de nós, em particular
o trabalho em nós é publico e acontece no entre, no fora, na relação, em ato, na ação, com o outro, no mundo
porque se começamos a querer mudar o paradigma mudando o mundo, traremos junto as mesmas crenças e hábitos tão presentes em nós e que determinam nossas ações e que mantem viva essa realidade não desejada
e o resultado disso será um refinamento, uma melhora do que não está bom, mas o que está ruim continuará sendo produzido por nós
será somente uma teoria, uma ideia, a intelectualização de um novo paradigma, mas na pratica continuaremos com as mesmas ações
e não são as ideias, nem os conhecimento, nenhuma teoria que nos transformam, mas sim a pratica cotidiana de desinvestirmos os nossos hábitos, as velhas crenças, o modo de vida impotente, pois assim, aos pouco, essa realidade não desejada vai desaparecendo, e em seu lugar surge a realidade que queremos, que merecemos, que somos responsáveis e criadores
mãos a obra!
30.8.12
LA EDUCACION PROHIBIDA
esse documentario argentino que está totalmente disponivel na internet para assisti-lo, copia-lo, exibi-lo, transforma-lo...será nosso ponto de partida para uma roda de conversa sobre mudanças de paradigma na educação, que acontecerá amanhã, dia 31 de agosto, a partir das 19hs, na casa jaya
irei compartilhar minhas vivencias com meus filhos fora da escola e com outras familias que tenho acompanhado nesse intenso e maravilhoso processo
caso alguem tenha interesse em exibir o filme para algum grupo e quiser organizar uma roda de conversas, conte comigo!
irei compartilhar minhas vivencias com meus filhos fora da escola e com outras familias que tenho acompanhado nesse intenso e maravilhoso processo
caso alguem tenha interesse em exibir o filme para algum grupo e quiser organizar uma roda de conversas, conte comigo!
5.8.12
ENCONTRO COM O SILENCIO
na educação ativa todos estão aprendendo, crianças, adultos, educadores, especialistas...
aprender não é aquisição de conhecimento, não é um processo aditivo
não pode haver julgamento e nem avaliação
todo aprendizado se inicia no encontro com a gente mesmo
aprender é liberador de energia
é motivador de ação
estive por 11 dias na chapada dos veadeiros, na vila de são jorge com minhas duas filhas
só nós três
na imensidão da natureza
em suas cachoeiras, rios gelados
um céu sem fim
me dei conta que poderia estar em silencio ao lado delas
sem direcionar seus olhares
sem precisar entrete-las, convence-las, nem guia-las em um ambiente que tão claramente se impõe e define suas regras
com o silencio veio a presença indispensável para estar com duas crianças pequenas em trilhas, pedras, rios, correnteza, quedas d´aguas
com a presença veio o ritmo
um ritmo muito mais dilatado do que no cotidiano paulista
com o ritmo veio a confiança
e a afirmação dos interesses de cada uma de nós
11 dias de silencio, presença, ritmo, confiança, afirmação...
juntamente com os banhos de rio tivemos o encontro de culturas populares
12 tribos indígenas compartilhando seus modos de vida
muitos shows de musicas de raízes de todo país
muita dança
aprender não é aquisição de conhecimento, não é um processo aditivo
não pode haver julgamento e nem avaliação
todo aprendizado se inicia no encontro com a gente mesmo
aprender é liberador de energia
é motivador de ação
estive por 11 dias na chapada dos veadeiros, na vila de são jorge com minhas duas filhas
só nós três
na imensidão da natureza
em suas cachoeiras, rios gelados
um céu sem fim
me dei conta que poderia estar em silencio ao lado delas
sem direcionar seus olhares
sem precisar entrete-las, convence-las, nem guia-las em um ambiente que tão claramente se impõe e define suas regras
com o silencio veio a presença indispensável para estar com duas crianças pequenas em trilhas, pedras, rios, correnteza, quedas d´aguas
com a presença veio o ritmo
um ritmo muito mais dilatado do que no cotidiano paulista
com o ritmo veio a confiança
e a afirmação dos interesses de cada uma de nós
11 dias de silencio, presença, ritmo, confiança, afirmação...
juntamente com os banhos de rio tivemos o encontro de culturas populares
12 tribos indígenas compartilhando seus modos de vida
muitos shows de musicas de raízes de todo país
muita dança
circo
rituais
vida comunitária
nada ensinei as minhas pequenas, deixei-as livres para olharem para o lado que lhes interessavam
cessei todo conhecimento sobre mim mesma e sobre elas
observar, olhar, escutar, sentir, tudo isso faz parte do aprender
e não aprendemos se já sabemos, é necessário esvaziar-se de todo conhecimento
só me restava o silencio e a presença
foi libertador!
de volta a são paulo a afirmação que não se direciona o aprendizado
aqui estão elas cantando, dançando, se pintando como os índios
tocando instrumentos
brincando de repentista
tudo o que nos permeou nos nossos dias na chapada está aflorando em cada uma de nós nesses dias aqui em casa
cada uma do seu jeito
sem duvida aprendemos muito, sem saber, sem julgar e nem avaliar
simplesmente aprendemos
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