depois da noite transmutadora que vivi, contada no post anterior, começaram a sair feridas pelo meu corpo, elas inflamaram, infeccionaram…
comecei a perceber que estava em um processo de limpeza, provavelmente me intoxiquei com algum alimento, mas sei que o que vem de fora só se desenvolve caso haja um campo propicio interno, me dou conta que meu corpo está totalmente ácido e começo a pensar o que deixaria um corpo ácido sem que se tenha mudado a alimentação, e compreendo que
as emoções podem acidificar o sangue…
tento entrar em contato com que emoção está me acidificando,
descubro uma tristeza…
lembro-me do filme do sebastião salgado e de sua história onde de tanto ver cenas tristes e entrar em contato com a morte seu corpo produziu uma doença auto-imune que foi gerando uma auto destruição…
penso nas tantas histórias tristes que me contam pessoalmente, por email, por telefone, as histórias que vivi, como a necessidade de encerrar o processo da escola rural que estava indo tão bem mas a nova direção da escola falou claramente que acima do interesse na educação estava o cumprir as leis e tomaram varias atitudes que demonstraram claramente que as leis não estão preocupadas com a educação de crianças reais,
que tristeza;
outras histórias de pessoas que estão se sentindo perdidas com seus filhos, com suas escolhas, crianças sendo medicadas, pessoas completamente desconectadas,
adultos totalmente infantilizados…
nas minhas observações começo a reconhecer o ódio que os pais sentem por seus filhos, sei que a palavra é forte, mas é isso mesmo, ódio que aparentemente caminha lado a lado com o que chamamos de amor, mas o oposto do amor não é o ódio e sim a condicionalidade,
pais condicionam seus filhos e se eles não correspondem geram em seus pais
uma impotência, uma frustração, um ódio...
e quando se arrependem ou sentem seus filhos correspondendo às suas condicionalidades
sentem piedade, isso sim é o oposto do ódio…
pais irônicos com seus filhos, que desqualificam seus desejos e pensamentos cada vez que os filhos não correspondem suas expectativas, pais que sentem vontade de bater, de castigar, de se vingar disfarçado na ideia de que está educando aquela criança para o convívio social,
pais que acham bom a criança aprender desde cedo que a vida é sofrida e que é preciso ser forte, e acreditam que ser forte é ter poder sobre os outros,
outro dia uma mãe reclamava por achar sua filha muito boazinha, tinha pena da menina prevendo que em um mundo tão cruel sua filha iria sofrer muito,
e que ela precisaria ensinar a filha a
ser mais egoísta e mais vingativa…
essa semana também ouvi uma mãe adotiva dizer que estava decidida a entregar seu filho, pois queria deixar de ser mãe dele, certamente ele não correspondia aos seus ideais de mãe que sonhou e desejou há 10 anos,
ao adotar essa criança…
a tristeza também se apresenta na fantasia idealizada,
famílias que estão vivendo a infantocracia, seus filhos são o centro da família e toda dedicação e sacrifício é para cria-los para serem pessoas felizes, uma expectativa pesada demais para qualquer criança carregar, tanta dedicação ainda custará muito para essas crianças/adultos…
também vejo entre os casais um ódio que se apresenta quando um deles tem o prazer de desqualificar o outro na frente dos amigos, em forma de piadas, de discussões ou até em brigas,
e sabe-se lá o que acontece em suas intimidades…
sem duvida eu estou muito ácida!
mas depois de reconhecer tudo isso, decidi limpar essa tristeza de dentro de mim,
e aprender com esse processo o que realmente importa
tudo isso está me trazendo uma clareza para a preparação para viver uma vida mais comunitária pois é o que muita gente tem procurado para poder
criar seus filhos como diz o ditado
“para criar uma criança é necessário uma aldeia’’,
pois bem, se queremos viver em comunidade, em aldeia, em tribo, em comunhão, etc, etc, etc, antes de mais nada é preciso rever as relações íntimas, com aqueles que se tem a liberdade de revelar o nosso pior, a relação com o/a companheiro/a, com os filhos/as, com os pais, e principalmente consigo mesmo,
e só quando essas relações forem
saudáveis, harmoniosas, respeitosas e
incondicionais,
estaremos prontos para arriscar o próximo passo e nos lançarmos para
a verdadeira vida comunitária…
senão continuaremos na ilusão de que o ambiente externo irá nos possibilitar
a transformação que tanto ansiamos…
é com as feridas abertas na pele, sentindo a desintoxicação,
com todos os seus incômodos e inspirações
que digo que o processo é antes de mais nada
em nós mesmos…
que venha a saúde da existência,
no físico, nas emoções, nas relações, na alma
deixando surgir o ser da potência em cada um de nós







