26.6.14

SER OU PERTENCER, EIS A QUESTÃO!

somos um ser composto de muitas forças
nosso corpo concretiza essa composição
no corpo se encontram instinto, intuição, percepções, emoções, mente e muitas outras forças que o compõe e o atravessa

no nosso processo de vida, a mente foi super valorizada
e todas as outras forças desinvestidas
e assim criou-se a dualidade - mente x corpo

uma mente não vive sem um corpo
então uma mente, que já não habita seu corpo, procura outros corpos para habitar
o corpo do conhecimento, da instituição, do guru, da religião, dos partidos políticos...
qualquer outro corpo, menos o próprio corpo
por isso temos uma mente que possue um corpo
a mente aprende fora e tenta dominar um corpo para realizar o aprendido

assim pertencemos
deixamos de SER
pertencemos a um grupo social, intelectual, racial...
deixamos de SER
queremos nos identificar
necessitamos referencias
queremos ser igual ou diferente do outro, vivemos de comparações
partimos sempre de fora
pertencemos
não somos mais

a grande mudança de paradigma é deixar de pertencer e começar a SER novamente

um caminho para essa transmutação é sair da irresponsabilidade e da imaturidade que todos fomos criados
somos irresponsáveis porque sempre queremos que alguem se responsabilize por nossas escolhas, queremos leis para sentirmos legitimados, buscamos os iguais para nos sentirmos certos, buscamos empregos, títulos, movimentos, grupos ativistas, queremos pertencer...

somos imaturos porque queremos mediadores
queremos que alguem diga o que é justo
somos vitimas
nos sentimos impotentes
nos relacionamos de modo amador
confundimos o que sentimos, acreditando que alguém nos faz sentir algo
que o outro (a sociedade, o governo, o patrão, o filho, a mãe...) é sempre o responsável do nosso bem ou mal estar

para SER, precisamos assumir a responsabilidade de nossas relações, de nosso autoconhecimento, de nossas criações
ao SER, somos maduros para encararmos sem intermediarios nossas relações, nossas emoções, nossas ações

SER é muito mais orgânico do que PERTENCER
pertencer demanda mais gasto energético, especulação, é necessário nos adaptarmos, criar algo que não flui em nós
SER é mais simples
só não parece fácil porque há muito tempo deixamos de praticar o SER
mas é mais simples e mais fluido do que pertencer

precisamos trazer nossa mente para dentro do corpo novamente
deixa-la lado a lado com nossa intuição, nosso instinto, nossas emoções, nossas percepções...
a mente vai adorar voltar a seu corpo de origem
o corpo vai vibrar de alegria ao voltar a se compor por inteiro
voltar a SER
TORNAR-SE
inteiro
singular
potente
criador de si mesmo

SALVE O SER!

13 comentários:

Leila Garcia disse...

Mais um texto bom demais! Grande percurso a ser percorrido...Voltar para o corpo!

Natalie disse...

ai, Ana, cê acaba comigo! ;)voltar pro corpo é um desafio e tanto pra mim. não sei quando estive aqui. nem lembro mais. mas certamente é essa a jornada. de dentro pra fora, não de fora pra dentro. obrigada!

Tiê Granetto disse...

Lindo texto que chegou em boa hora!
É uma caminhada linda esta de reconhecer-me.
Gratidão.

Ines Drever disse...

obrigada Ana! me trouxe lagrimas (de dentro pra fora!) lendo seu texto num momento tão perfeito neste momento na minha busca, direto pro coração! obrigada lá do coração

AngeloMundy disse...

maravilhoso...

Rô Rezende disse...

Gratidão, Ana!

Por esse texto que, como a Ines, tocou bem aqui dentro e trouxe lágrimas.

Mas principalmente pelo blog todo. Foi aqui que uma busca que comecei há alguns anos foi ficando mais clara, foi aqui que entendi o desejo que vinha dentro de mim de me reconectar com meu corpo.

Foi um post seu que ecoou aqui dentro e me fez fazer tudo que eu tinha vontade de fazer, sem me preocupar com a utilidade, com o objetivo. Só respeitar e confiar na sabedoria desse eu que queria e precisava tanto de movimento. E quanto mais eu faço isso, mas me 'sinto sendo', mas me sinto autêntica, fiel a mim. Mais me encontro, mais me conheço, mais me aceito, mais me amo... menos me julgo e mais me acolho.

E o mais incrível de tudo isso é que assim, consigo amar muito mais os outros e todos os verbos acima se aplicam ao outro também. Me sinto uma pessoa melhor para mim e para os outros.

É incrível quando vemos que o outro (seja uma pessoa, a sociedade, um movimento) na verdade só reflete tudo o que está dentro de nós. E quando percebi que tudo é meu, a responsabilidade que veio com esse empoderamento foi massacrante, torturante.
Foi um processo duro até enxergar a liberdade e a beleza dessa responsabilidade.

E você, com o blog e com os vídeos, foi uma das pessoas importantes e inspiradoras nesse meu retorno para ser meu corpo. Não acho que esteja concluído, mas graças a luz e discernimento que consegui encontrar dentro de mim através das luzes alheias (a sua foi uma delas!), tenho conseguido aceitar meu processo e tudo tem fluído com leveza.


Então, GRATIDÃO! Com letras garrafais!

PS: Ficou mega confuso esse comentário, mas não vou editar por dois hábitos que estou tentando adquirir. O primeiro demonstrar gratidão sempre que eu sentir dentro do meu peito. E de deixar que as palavras fluam sem tanta preocupação com o racional!

Anônimo disse...

Ana! Obrigada por toda Luz! Por me (nos, né?) encorajar a seguir o que está aqui dentro, e que se mexe, e que é tão lindo...e que, ao pôr a cabecinha pra fora, já começa a encontrar com isso que mora dentro dos outros também...e que capta, na hora mais necessária, que encontra abraço na hora mais necessária...

enfim...

Sei que você não pretende ser Guia, mas aprendo sempre e tanto com as suas vivências...

obrigada!!

Isadora Funari Borghi

Monica Regatto disse...

É o que estou buscando...

Como faço?

Obrigada pelo texto!

monica regatto

Nara disse...

Agradecida pelo texto!! Uma vida pondo em prática bons ensinamentos pra SER melhor pra mim e pro mundo ao meu redor, consequentemente.

Gabriela Serpa disse...

Ana, seu blog é incrível! Suas falas são inspiradoras e muito me identifico com elas e suas ideias. Por acaso vc já estudou algo sobre Gestalt-Terapia?? Sou estudante de psicologia, no final da graduação e minha monografia é sobre o diálogo da dança contemporânea e a Gestalt-Terapia como potência o retorno do sentir. Gostaria de trocar algumas ideias com vc, se possível! Grata!!

Alan Gutemberg disse...

Ana, esperando sempre você colocar um texto...e sempre a espera é alimentada e saciada com textos grandiosos como este. Paz e bem!

Anônimo disse...

Confirmando como é importante todos os atores sociais produzirem seu próprio discurso social. O discurso social patriarcal provavelmente inventou o pertencimento, já que seu corpo era "limitado". Por isso, tudo virou coisa, até o próprio corpo. Incrível como muitas mulheres conseguem cair no discurso da propriedade do corpo. Muitas até repetem que "são donas do próprio corpo", como se o corpo não fosse a própria pessoa. Daí nascem outros discursos mais complexos, do tipo: "nasci com tal corpo, mas me sinto como se fosse de outro sexo'!! Como se o corpo fosse um casco que pudéssemos ir trocando ao longo da vida e o cérebro não tivesse nada a ver com isso. Por isso o discurso social genuinamente feminino precisa acontecer, pois o corpo feminino permite uma experiência que o corpo masculino não permite. O corpo feminino exige a "presença" mental da mulher quando pari, quando amamenta, quando se incomoda com o choro da criança... o corpo feminino "reordena" o cérebro para que ele "volte", se re-ligue ao corpo novamente. Ao se tornar mãe, a mulher amplia sua possibilidade mental para compreender o outro, sentir pelo outro, se colocar no lugar do outro.... Acredito que o "proximo" ator social que ainda precisa ter sua própria fala é a criança, mas aí é outro tema... bj
Eliene

Lilyen disse...

Concordo, plenamente, com a questão do Ser. Parabens pelo texto.

Porém, acredito que o Ser seja, também, integração - com o outro, com a familia, com a sociedade. Portanto, ao invés de manter a separação - Ser ou Pertencer -, eu proporia a União, usando o "e" entre eles. Afinal, fazendo um investimento junto à perspectiva do Ser, ambos, tornam-se um só.

Mas vale lembrar: este caminho de soma e inteireza, não é fácil nem tem receita. O "criar-se a si mesmo" é uma jornada tão longa quanto nossa própria vida - dá muito trabalho (pois necessita se atenção diária) e dói muito também (já que é preciso encarar o que há de mais profundo e escondido dentro de nós).

É por isso que separar e apenas pertencer é o que, facilmente, nos leva. É mais facil e rápido.