14.7.15

ENCONTRO PARA PRATICAS, NO RIO!

aproveitando a temporada carioca, alem da segunda-feira no catete, 92, vamos ter um encontro de dois dias para praticas.

segue informações:

Vivências e praticas Educacionais 

A educação do século XXI e seus paradigmas.

Estamos vivendo uma grande transição como adultos nos dias de hoje, pois fomos criados de um jeito e temos o desejo de criar as crianças com um outro modo de pensar, sentir e viver a vida.
Essa transição precisa acontecer dentro de nós, pois não será possível seguir fazendo o mesmo que aprendemos e querendo ensinar outro modo de vida para as crianças.
Claro que houve muita coisa boa na educação do século XX, mas também foi o momento onde houve a maior medicalização das crianças na fase escolar da historia da humanidade. Do final do século XX até os dias de hoje, encontramos uma grande resistência das crianças e adolescentes em relação a escola e ao mesmo tempo pais perdidos em relação a dar limites versus amor e atenção aos filhos, e educadores repensando suas relações com seus alunos.

Nos últimos 20 anos venho me dedicando a pensar e vivenciar novos modos de desenvolvimento humano nas instituições educacionais e nas famílias.

Nessa vivência de duas noites, vamos compartilhar praticas e os outros rumos para uma educação plena e potencializadora da vida.

data: quarta 22/7 e quinta 23/7
horário: das 18h30 as 21h30
local: Sede do Instituto ThetaHealing Brasil
          Travessa Carlos de Sá, 10
           Catete - Rio de Janeiro
Valor: 260 reais
inscrições e mais informações: anavidaativa@gmail.com

13.7.15

CATETE 92

na proxima segunda-feira, no dia 20-07, vamos ter um encontro aberto na simpatica casa numero 3 da rua catete, 92 - rio de janeiro.
o projeto Catete 92 é uma casa acolhedora que facilita encontros informais e inspiradores.
vamos falar sobre praticas de mudanças de paradigma, sobre desescolarização e sobre tudo que nos inspira.
a conversa será das 18h as 21h e é aberta a todos os interessados.
tragam sua contribuição financeira para o Catete 92, uma casa que funciona com as contribuições dos eventos que acontecem nele.


bate-papo
segunda dia 20-7-15
rua do catete, 92 (proximo ao metro do catete)
casa numero 3
das 18h as 21h

será uma alegria!

12.7.15

MUDANÇAS POR TODA PARTE!

lia raquel me mandou um email se apresentando e perguntando sobre a possibilidade de nos encontrarmos durante um final de semana para conversarmos.
disse que teríamos um acampamento e que ela seria muito bem-vinda.
ela disse que nunca havia acampado antes, pediu algumas informações e decidiu vir.
foram mais de 10 horas de viagem de ônibus, e quando chegou na cidade, por sorte encontrou uma carona com alguém que também estava vindo acampar.
chegou essa simpática mulher, de cabelos brancos, estatura baixa, olhos brilhantes e sorriso fácil.
se aventurou a montar a barraca emprestada pela primeira vez e foi se juntando ao grupo.
um mês depois do acampamento eu recebo o email e as fotos abaixo relatando suas novas aventuras.
compartilho aqui essa inspiração.
sabendo que não foram alguns dias de convívio que a fez gerar todo esse movimento, mas sim algo que ja estava dentro dela e que ela decidiu dar atenção.


Querida Ana...
Ver seu vídeo Desescolarização desencadeou em mim um tsunami...
Tinha antecedentes...alguns documentários já haviam me estremecido: Escolarizando o Mundo, Educação Proibida, Quando sinto que já sei...
Achei o http://anathomazblogspost.com.br e o seu e-mail. Entrei em contato e fiquei aguardando o acampamento, que chegou em menos de 3 meses...
Nunca havia acampado...as orientações eram uma incógnita que de inicio suspeitei ser brincadeira, mas era sério e eu não conseguia desistir. Mil coisas se ajustando pra viabilizar essa ida e na véspera o carro quebra em outra cidade e não ficou pronto, me arranjei como pude com bagagem e fui de ônibus. Nove horas... só até Campinas; as primeiras foram de pura contemplação, mas nos últimos minutos uma antiga crise de pânico veio conferir minha vontade...respirei fundo, conversei com a razão, ratifiquei posição e segui em frente.
Encontrar carona no mercado foi uma luz. No acampamento tudo era estranho e novidade. Fiquei vendo e sentindo o que me chegava: o local, as pessoas, os alimentos, o Tethahiling, a fogueira, o céu, a barraca, o clima, a energia de tudo isso.
Dormir na barraca foi um desafio pela umidade e frio. Mas ver o dia amanhecer, voltar ao local da fogueira, estar no Morro com aquela paisagem, foi aconchegante. Assim como o gesto do Marcus de emprestar o colchão e edredon, ou da mãe da Sasha me convidar para dormir no quarto; ou os pequenos pedirem pra eu ler os nomes indicados nos Atlas. Enfim, o convívio foi desvelando generosidades,  levezas, alegrias, descobertas de mim.
Na hora de ir embora conversando com a Ana fui dizer de algo que me incomoda nas creches da cidade que moro e no ato percebi minha responsabilidade nisso. O trem estava descarrilado... Percebi que me incomodava mais do que pensava porque tinha de mim. As educadoras dão atividades em papel para crianças a partir dos 3 meses, tem até portfolio. Eu acusava as educadoras...Dou aula na única faculdade de pedagogia dessa cidade há 15 anos, sou formadora dessas educadoras, se não diretamente, mas de opinião. Não me posicionei inteira sobre o assunto até então. Isso me fez rever tudo na minha profissão. Cheguei de Piracaia na segunda-feira à meia-noite e meia, as sete estava em Castilho com meus alunos deficientes e a noite na faculdade. Andando pelo corredor mil pensamentos na mente. O que vou fazer em sala de aula? Entrei e os alunos teriam de expor atividades práticas de matemática e estava tudo pronto, menos eu. Olhava para eles e eles me olhavam, de repente o silêncio ficou demais e eu disse que não tinha condições de dar aula, que tinha chegado de um Acampamento com pais que não colocam os filhos na escola, que vivi experiências incríveis, e que descobri que não sei nada e que meu doutorado serviu só para eu ler legendas de um Atlas para umas crianças de 4 anos...ficaram me olhando e perguntaram se tinha foto. Mostrei as fotos que eu tinha...de barracas ao amanhecer e do morro...Me pediram para eu levá-los a Piracaia. Eu achei que eles não tinham escutado direito e disse meio brava que passaria o e-mail da Ana e quem quisesse entrasse em contato. Falei que iria embora e quando me preparava para sair um grupo pediu: - acampa com a gente! Eu lhes respondei: Onde é que vou acampar com vocês? Eu não tenho nem casa própria! E foram falando e arrumando possibilidades e eu ri e fui saindo. Mas eu ouvi aquele pedido. No outro dia entrei  em contato com um amigo que tem um sitio e que tinha sonhado comigo nesse sitio com várias pessoas acampando. Chutei e contei a história e ele aceitou...e já aconteceram dois acampamentos. O primeiro somente com alunos no dia 30 de maio e o segundo dia 04 de julho participou também uma professora de 70 anos e 4 pessoas de outra cidade que não são meus alunos mas souberam e quiseram participar.
As aulas também não foram mais as mesmas nem na faculdade nem na sala de recurso. Mudou o tempo, o ritmo, o conteúdo, a avaliação, a busca pelo conhecimento e a fonte. Mudou a professora.
Além das aulas, nos finais de semana vou a casa dos alunos da sala de recurso, passando o dia com eles; as vezes levando outros alunos junto, compartilhando serviços, refeições, brincadeiras. A agenda está repleta de visitas e solicitações. Até família de ex alunas da faculdade tenho visitado. Essas visitas são em assentamentos, sítios, fazendas.










3.7.15

ACAMPA PIRACAIA JUNHO!

tivemos nosso segundo acampamento onde mais uma vez nos encontramos para conviver

toda vez que eu participei de algum congresso e similares, sempre escutei dizer que o mais rico e importante são os encontros entre as pessoas que atendem a esses congressos, mas como o tempo todo está preenchido de atividades, esses tais encontros tão importante acontecem nos 15 minutos de coffee-break, assim como o recreio escolar...

por isso nosso acampamento não teve nenhuma programação, para dar todo espaço e tempo ao mais importante, o encontro entre as pessoas

alem da não programação, também não tivemos combinados, nem regras preestabelecidas, etc,
e mais uma vez vivemos dias de harmonia e trocas entre as 100 pessoas que passaram por la durante os 4 dias de acampamento

as conversas foram inspiradoras, as comidas maravilhosas, as crianças cheias de vida e confiança...
o frio foi aquecido por noites de fogueiras e cantorias

agradeço imensamente a todos que participaram, que alem de tudo me ajudaram a passar por um momento tão intenso com o processo das feridas e com a pouca mobilidade que eu estava

recebi muitas bênçãos e curas, alem dos cuidados diários nos curativos, tudo com muito amor

o melhor lugar com as melhores pessoas para viver esse processo que ainda me acompanha mas claramente caminha para seu desfecho

sempre termino esses encontros com a vontade de viver em comunidade!

aproveito para informar que no mês de julho não teremos atividades e encontros no sitio

assim que possível irei atualizar aqui no blog os encontros que voltarão a acontecer a partir de agosto

deixo aqui duas fotos enviadas por thiago e diogo




25.6.15

SER OU TER!

uma amiga querida me pergunta ``agora que sabemos, o que fazemos da nossa vida, da nossa existencia?``

um caminho a seguir será estar mais atento ao SER do que ao TER

o problema é que com o nosso distanciamento do SER desde a mais tenra infância, confundimos muito e acabamos investindo no TER mesmo querendo SER

pensamos assim

eu SOU mãe - e invisto em TER filhos
eu SOU artista - e invisto em TER uma profissão
eu SOU maria - e invisto em TER um nome
eu SOU discípulo - e invisto em TER um mestre
eu SOU um mestre - e invisto em TER discípulos 
eu SOU alto - e invisto em TER um padrão corporal
eu SOU medrosa - e invisto em TER medo
eu SOU uma boa pessoa - e invisto em TER reconhecimento e aceitação 
eu SOU saudável - e invisto em TER saúde
eu SOU um ativista - e invisto em TER confrontos
eu SOU religioso - e invisto em TER uma religião
eu SOU inteligente - invicto em TER conhecimento
etc, etc, etc

o SER não é TER uma referencia, uma aparência, uma profissão, um nome, uma devoção, uma pratica, uma função, um ideal… 

assim o SER será somente um funcionário do TER, obedecerá regras, jogará o jogo pre estabelecido, precisará de leis, de comando, de ordem, de punição, de reconhecimento, de recompensa, de significado, de metas, de controle, de segurança, de garantia…

então o que é o SER?

o SER é o SER da potência 
o SER da criação
o SER que se auto produz e que se cria constantemente
o SER que é responsável pela realidade que vive
o SER do inédito, que pode TER muitas coisas mas não cai na ilusão e no comodismo de TER, e continua o encontro com o SER
o SER que é composto por muitos fluxos onde alguns fluem, outros estagnam-se, e que estão sempre em transformação com a relação
o SER do mundo próprio que relaciona-se constantemente com o meio ambiente
o SER da relação 
o SER em criação

é isso que precisamos aprender a acessar, ja que nascemos com esse acesso, mas que desde nosso nascimento aprendemos a desinvestir esse caminho do SER e batalhamos para que nossa vida TENHA sentido

a vida do SER não precisa TER sentido, a vida do SER é legítima e incondicional

e como viver isso no cotidiano?

reaprendendo a viver no presente, no aqui e agora
deixar de investir em ideais, na esperança de que um dia tudo vai melhorar, nos planos, na especulação…

investir no sentir, nas percepções, na intuição, no vazio da mente que nos coloca em contato com as mil possibilidades

agir com coragem - ação do coração

medite diariamente, esvazie a mente, entre em contato com o SER, torne-se o SER

mas não se iluda porque voce poderá simplesmente TER uma pratica de meditação

e o que precisamos é SER a meditação


23.6.15

RELAÇÕES INTIMAS!

depois da noite transmutadora que vivi, contada no post anterior, começaram a sair feridas pelo meu corpo, elas inflamaram, infeccionaram…
comecei a perceber que estava em um processo de limpeza, provavelmente me intoxiquei com algum alimento, mas sei que o que vem de fora só se desenvolve caso haja um campo propicio interno, me dou conta que meu corpo está totalmente ácido e começo a pensar o que deixaria um corpo ácido sem que se tenha mudado a alimentação, e compreendo que 
as emoções podem acidificar o sangue…
tento entrar em contato com que emoção está me acidificando, 
descubro uma tristeza…
lembro-me do filme do sebastião salgado e de sua história onde de tanto ver cenas tristes e entrar em contato com a morte seu corpo produziu uma doença auto-imune que foi gerando uma auto destruição…
penso nas tantas histórias tristes que me contam pessoalmente, por email, por telefone, as histórias que vivi, como a necessidade de encerrar o processo da escola rural que estava indo tão bem mas a nova direção da escola falou claramente que acima do interesse na educação estava o cumprir as leis e tomaram varias atitudes que demonstraram claramente que as leis não estão preocupadas com a educação de crianças reais, 
que tristeza; 
outras histórias de pessoas que estão se sentindo perdidas com seus filhos, com suas escolhas, crianças sendo medicadas, pessoas completamente desconectadas, 
adultos totalmente infantilizados…
nas minhas observações começo a reconhecer o ódio que os pais sentem por seus filhos, sei que a palavra é forte, mas é isso mesmo, ódio que aparentemente caminha lado a lado com o que chamamos de amor, mas o oposto do amor não é o ódio e sim a condicionalidade, 
pais condicionam seus filhos e se eles                                não correspondem geram em seus pais 
uma impotência, uma frustração, um ódio... 
e quando se arrependem ou sentem seus filhos correspondendo às suas condicionalidades 
sentem piedade, isso sim é o oposto do ódio… 
pais irônicos com seus filhos, que desqualificam seus desejos e pensamentos cada vez que os filhos não correspondem suas expectativas, pais que sentem vontade de bater, de castigar, de se vingar disfarçado na ideia de que está educando aquela criança para o convívio social, 
pais que acham bom a criança aprender desde cedo que a vida é sofrida e que é preciso ser forte, e acreditam que ser forte é ter poder sobre os outros, 
outro dia uma mãe reclamava por achar sua filha muito boazinha, tinha pena da menina prevendo que em um mundo tão cruel sua filha iria sofrer muito,
 e que ela precisaria ensinar a filha a 
ser mais egoísta e mais vingativa…
essa semana também ouvi uma mãe adotiva dizer que estava decidida a entregar seu filho, pois queria deixar de ser mãe dele, certamente ele não correspondia aos seus ideais de mãe que sonhou e desejou há 10 anos, 
ao adotar essa criança…
a tristeza também se apresenta na fantasia idealizada, 
famílias que estão vivendo a infantocracia, seus filhos são o centro da família e toda dedicação e sacrifício é para cria-los para serem pessoas felizes, uma expectativa pesada demais para qualquer criança carregar, tanta dedicação ainda custará muito para essas crianças/adultos…
também vejo entre os casais um ódio que se apresenta quando um deles tem o prazer de desqualificar o outro na frente dos amigos, em forma de piadas, de discussões ou até em brigas, 
e sabe-se lá o que acontece em suas intimidades

sem duvida eu estou muito ácida!

mas depois de reconhecer tudo isso, decidi limpar essa tristeza de dentro de mim, 
e aprender com esse processo o que realmente importa

  tudo isso está me trazendo uma clareza para a preparação para viver uma vida mais comunitária pois é o que muita gente tem procurado para poder 
criar seus filhos como diz o ditado 
“para criar uma criança é necessário uma aldeia’’,
 pois bem, se queremos viver em comunidade, em aldeia, em tribo, em comunhão, etc, etc, etc, antes de mais nada é preciso rever as relações íntimas, com aqueles que se tem a liberdade de revelar o nosso pior, a relação com o/a companheiro/a, com os filhos/as, com os pais, e principalmente consigo mesmo, 
e só quando essas relações forem 
saudáveis, harmoniosas, respeitosas e 
incondicionais, 
 estaremos prontos para arriscar o próximo passo e nos lançarmos para 
a verdadeira vida comunitária…

senão continuaremos na ilusão de que o ambiente externo irá nos possibilitar 
a transformação que tanto ansiamos…
é com as feridas abertas na pele, sentindo a desintoxicação, 
com todos os seus incômodos e inspirações 
que digo que o processo é antes de mais nada 
em nós mesmos…

que venha a saúde da existência, 
no físico, nas emoções, nas relações, na alma
deixando surgir o ser da potência em cada um de nós