19.12.10

PELO DIREITO DE EDUCAR




Segue a tradução do artigo feito por Paula

Home schooling is not legal, rules Spanish Constitutional Court

O caso dos dois casais que educam os filhos fora da escola contra a vontade dos serviços sociais fracassou depois do Tribunal Constitucional ter decidido que na lei espanhola a educação em casa não é um direito e que as crianças têm que submeter-se a um sistema formal de ensino.

O Tribunal Constitucional (TC) declarou que a Constituição permite ao legislador estabelecer um sistema de educação básica obrigatória e não reconhece o direito dos pais de educar os filhos em casa.

Numa sentença que acaba de ser publicada, o Tribunal Constitucional ignorou os argumentos apresentados pelos dois casais de homeschoolers que estavam sendo pressionados pelos serviços sociais para enviarem os filhos à escola.

Sob a lei da Protecção de Menores, o Ministério Público pediu ao Tribunal que ordenasse a matrícula imediata das crianças na escola. Os pais argumentaram que "a Constituição não ordena a escolaridade obrigatória no sistema público" e salientaram que os seus filhos recebem uma educação mais adequada do que a educação proporcionada nas "salas de aula, públicas ou privadas, com 30 ou 40 alunos." Os seus filhos falam cinco línguas, tocam instrumentos musicais e aprendem matemática, ciências, línguas e ética.

Todos os argumentos dos pais foram rejeitados. O Tribunal (em Málaga) respondeu ao pedido do Ministério Público e ordenou a frequência escolar para os menores. O juiz argumentou que a Constituição espanhola "não permite que os pais neguem às crianças o direito e a obrigação de participar no sistema de educação formal."

O tribunal acrescentou que a exclusão do sistema formal pode criar aos menores "sérios problemas no seu futuro desenvolvimento", tanto academicamente (em referência às dificuldades de acesso à universidade) como em termos sociais e de integração com outras crianças da mesma idade.

A decisão foi protegida pelo Tribunal Provincial de Málaga. O Tribunal Constitucional rejeitou hoje o pedido dos pais.

A decisão afirma que "o direito dos pais de escolher para os filhos uma educação fora do sistema de ensino obrigatório por razões de pedagogia não se enquadra em nenhuma das reconhecidas liberdades constitucionais".

Também indica que a Constituição não proíbe ao legislador [o poder] de estabelecer um sistema de ensino básico obrigatório "como um período de matrícula", durante o qual "é excluída a possibilidade" de ensinar os filhos em casa em vez de na escola.

No entanto, observa que a opção da escolaridade obrigatória não é exigida pela Constituição, mas é uma opção legislativa que a Constituição não proíbe e, portanto, "não pode descartar outras opções legislativas para incorporar alguma flexibilidade no sistema de ensino e, em particular, na educação básica. "



quando li esta noticia, duas coisas me ocorreram:
primeiro pensei na seriedade do assunto, o quanto ele mexe com as estruturas de uma sociedade viciada.
depois pensei, o quanto uma situação como essa do texto acima, ajuda a paralisar aqueles que não estão satisfeitos com o atual sistema de ensino, mas sem coragem de mudar, aproveitam um texto como esse para justificar a impossibilidade de ir contra o sistema e assim continuam sendo cúmplices e alimentando um modo de vida insatisfatório.

o problema é que aprendemos que existem dois lados apenas, um deles é aceitar (de diversas maneira) aquilo que nos é "oferecido", ou então ir contra, rebelando-se.
tanto um quanto o outro alimenta a situação, e não a transforma.

mas existe um outro caminho, quando desinvestimos aquilo que não nos interessa viver.
é necessário criar um outro modo de vida que não segue o que está estabelecido, quando não é satisfatório, e não ficar rebelando-se contra ele.
não quero esse sistema de ensino para nenhuma criança, e também não quero brigar contra ele e ficar negociando pequenos ajustes.

quero um outro tipo de ensino, de sistema escolar, de ambientes para que as crianças possam desenvolver todo seu potencial.

é mais simples do que parece, mas da trabalho, pois é preciso deixar de ocupar o lugar acomodado onde a vida já está determinada e é necessário criar o dia a dia, nosso próprio sentido, nossa própria vida.

é uma possibilidade não aceitar todo e qualquer "presente" que nos é oferecido.

desescolarizar as crianças é uma possibilidade real, é um desinvestimento na escola atual; e assim outro tipo de escola será criado.

a escola, nos termos atuais, distancia nossos filhos de todo sentido de suas vidas, os afastam de si mesmo, os tornam medrosos, ansiosos, e cheio de problemas falsos.

da trabalho ter os filhos fora da escola, mas facilita a vida, as nossas e as deles.

9.12.10

INCERTEZAS!

desconfiamos tanto da vida que estamos sempre em busca de certezas.
sempre que nos deparamos com algo novo, queremos buscar as garantias através de referências.
sinal de que não estamos com o pensamento ativo, nem com a intuição aflorada, nem com o instinto vivo.
a nossa virtualidade está completamente enfraquecida, e não muito diferente do corpo, que também está desconectado de sua própria natureza.

por isso não estamos exercendo a transmutação daquilo que está ruim, naquilo que não acreditamos, daquilo que não queremos mais, que apesar de tudo ainda nos da "garantias" e por pior que sejam os resultados, porque os conhecemos, ficamos tentando melhorar os efeitos nocivos de nossas investidas.

para transmutar é necessário confiar em nossas potencias, para criar o novo, para deixar de investir naquilo que não queremos mais, e que por falta de garantias não queremos experimentar.

que garantia esperamos do inédito? da criação?

ao contrario do que imaginamos, quando vivemos na incerteza, nos abrimos para a criação.
certezas demasiadas paralisa, acomoda, dificulta a criação.

a incerteza nos coloca em um lugar vivo, atentos as relações, aos acontecimentos, as percepções, as sensações, instintos, intuição...

somos criadores natos, não precisamos aturar nossas insatisfações.

não está bom, transmuta, transforma!
abra mão das certezas que nos trazem tristezas, angustias, sacrifícios, sobrevivencia...

e construa, na incerteza, novas possibilidades para que a vida flua.

caminhar não é só sair de um ponto para chegar a outro, mas levar a passear o olhar, o escutar, o sentir. E ativar as percepções é se abrir para a relação com o mundo, fazer parte dele e de sua criação.

o mundo não existe anteriormente a uma forma que lhe de seu perfil, mas quando uma forma converte-se em formula, em bordão, em rotina, então o mundo se torna fechado e falsificado.

o mercado de trabalho, as escolas, as relações, estão todos engessados em formulas que seguimos investindo com medo das incertezas que é inerente a todo processo de criação.

certeza demasiada nos mata ainda em vida.

10.11.10

TaKeTiNa - 2010

conheci TaKeTiNa na inglaterra no ano 2000, foi uma experiência muito intensa, que me apresentou um outro estado de corpo/mente/emoção - presença.

continuei sentindo aquele trabalho reverberando no meu dia a dia, senti que algo transmutou a minha percepção.

em 2002, ainda na inglaterra, pude fazer mais um workshop de TaKeTiNa, e pra minha surpresa aquilo que meu corpo conquistou na vivência anterior, alem de estar muito presente, ficou claro que eu tinha alcançado uma outra relação com ritmo, coordenação, tempo e capacidade de criar o estado de "aqui e agora".

foi um deleite!

de volta ao brasil, trouxe o desejo de continuar jogando TaKeTiNa, e de compartilhar isso com o povo daqui, porque TaKeTiNa rodeada de brasileiros é ainda mais gostoso!!!

assim tem sido desde 2009, quando tem sido realizado workshops anuais com nosso querido henning von vangerow
(alemanha).

para quem ainda não vivenciou aqui vai uma ligeira explicação da pratica:

em uma roda, somos convidados a desenvolver um ritmo, tendo como base o som do surdo, uma vez que este ritmo está bem estabelecido no grupo, o que já cria uma sensação incrível, partimos para poli-ritmia, isso é, mantemos o ritmo inicial e acrescentamos um outro ritmo com outra parte do corpo, daí o sistema nervoso central entra em um estado singular!
dois ritmos diferentes ao mesmo tempo no mesmo corpo junto com um grupo, um surdo nos dando a base e um berimbau nos apresentando outros caminhos!

então partimos para um terceiro ritmo,entre mãos, pés e voz produzimos ritmos diferentes ao mesmo tempo, nesse momento já não podemos estar em nenhum outro lugar além do estado presente.
o presente se amplia e ganha passado e futuro!

o corpo todo desperta, os dois hemisférios do cérebro sintonizam a mesma frequência, estado de meditação ativa!!!

ficaria aqui horas descrevendo percepções, sensações, pensamentos de quem é apaixonada por essa pratica...

venham experimentar!!!

será no nosso galpão na aclimação
espaço caçamba de arte
rua muniz de sousa, 517 (rua do parque da aclimação)

1º workshop: dias 23, 24 e 25 de novembro (terça, quarta e quinta)
das19:30 as 23hs

2º workshop: dias 27 e 28 de novembro (sábado e domingo)
das 13hs as 17h30.

3º workshop: dias 30, 1 e 2 de dezembro (terça,quarta e quinta)
das 19:30 as 23 hs

4º workshop a confirmar!

valor do workshop: 250 reais

cada workshop tem seu ciclo completo durante as 9 horas de duração; você escolhe em qual quer participar, podendo fazer um ou mais workshops.

para inscrições e maiores informações:

anathomaz@terra.com.br
telefone: 3399 4257
falar com ana

2.11.10

MUSICA CORPORAL



fernando barba (criador do barbatuques) é convidado para participar do 1º encontro internacional de body music no estados unidos, com todo seu talento, técnica e simpatia conquista seu lugar nas bandas de lá.
no 2º encontro ele também participa, sem nem precisar de convite oficial, seria só ele aparecer que rapidamente seria inserido marcando sua presença no panorama internacional da musica corporal.

acontece que com seu sangue brasileiro, f. barba, não resiste e atreve-se a estruturar, organizar e batalhar para que o 3º festival internacional de bodymusic seja realizado aqui em são paulo.

eu acho mesmo que esse é um jeito (bem positivo) brasileiro de ser, quando a gente gosta muito de alguma coisa da vontade de trazer pra casa pra poder curtir mais uma vez, pra curtir junto dos amigos, pra deixar ao alcance de todos os interessados, pra espalhar um acontecimento maravilhoso pras bandas de cá.

no meio do caminho, quase sempre, surge a duvida, será que eu to louco de me dar tanto trabalho? mas vai chegando perto, a historia vai se concretizando, e quando tudo acontece vem a certeza que não daria para deixar de fazer.

assim me parece o maravilhoso acontecimento do 3º festival internacional de musica corporal realizado pelas magicas mãos de fernando barba.

deem uma olhada na extensa programação que acontecerá dos dias 16/11 a 21/11, tem muita coisa boa para assistir, para participar, para escutar, para experimentar...http://www.br.internationalbodymusicfestival.com/2010/

nos vemos la!

25.10.10

EITA MULHER PORRETA!

sábado passado fomos transmutados pela presença, palavras e pensamentos de Sonia Hirsch!!!

a mulher não faz cerimonia para desmanchar toda farsa do sistema de saúde (de doença) em que vivemos.

como jornalista e escritora, apaixonada pelo assunto - saúde, vida com qualidade, alegria - através da alimentação, com sua capacidade afinadissima de pensar, ela busca suas fontes mundo afora e nos apresenta o maravilhoso caminho para assumir com as próprias mãos as rédeas da vida saudável.

seu mais recente livro "candidíase a praga" nos surpreende ao revelar que candidíase é muito mais do que aquele sintoma chato que muitas mulheres sentem em suas vaginas, ela pode estar presentes em homens e mulheres, e afeta os sistemas: gastrointestinal, respiratório, endócrino, nervoso, muscular, imunológico; a pele, as unhas, o sangue...

candidíase é um fungo, e existem estudos sobre a conexão entre câncer e fungos, então não da pra bobear com esses fungos que se multiplicam de modo vertiginoso em nosso organismo; e a ação libertadora que a Sonia nos apresenta é ganhar autonomia e se livrar da candidíase comendo bem!!!

a saúde é altamente subversiva para nosso sistema que é sustentado pelas doenças, por isso estamos sempre estimulados a ficarmos e nos mantermos doentes.

com esses movimentos como o da Sonia, assim como o parto domiciliar, a desescolarização, entre outras evoluções, a gente "quebra" esse sistema anti-vida que vivemos, e construímos um modo de vida muito mais intenso e potencializador.

20.10.10

VIVA A DIFERENÇA!

a cena é essa:
as crianças estão em uma festa brincando e o pai ouve sua filha chorando, ele prontamente vai ao socorro da filha e tenta entender o que a faz chorar; magoadissima ela explica: "a gente tava brincando de pega-pega e aquela menina só fica tentando me pegar!" o pai não consegue escutar realmente o que a filha está dizendo porque está comovido por ver sua filha magoada, então sua reação é dizer para filha ir la e dizer para a outra menina "eu não gostei do que você fez!!!" a menina toma coragem, pede que o pai a acompanhe e grita o seu recado; ela fica meio confusa sem saber se aquilo gerou algo na "inimiga", e gruda no pai pois não tem clima para voltar a brincar imediatamente.

vi essa cena enumeras vezes, entre irmãos, amigos, colegas de escola, e muitas vezes com um adulto interferindo dessa mesma maneira.

depois me peguei fazendo essa mesma cena para resolver uma briga entre as minhas filhas, e comecei a desconfiar que com esse tipo de atitude, nós adultos ensinamos a criança a responsabilizar o outro pelos seus sentimentos, e apesar de não ser uma pratica fácil, todo mundo sabe que o único responsável pelos próprios sentimentos é aquele que os sentem.

em tempos de politicamente correto, ao invés de dizer para a criança "apanhou do amigo? bate de volta!", hoje a criança escuta: "não gostou do que o amigo fez? vai la e diz pra ele que não gostou!"

a criança se frustra com a atitude da outra criança porque elas pensam, sentem e agem de modo diferente!
porém é na diferença que a gente cresce; a igualdade acomoda.

enfrentar as diferenças tem sido uma pratica em desuso, porem são as diferenças que mexem na nossa zona de conforto liberando nosso desenvolvimento.

estamos sendo estimulados a nos unir aos iguais e evitar os que pensam, agem e sentem de modo diferente do nosso, e quando esse confronto é inevitável, nos sentimos incomodados e nossa primeira reação é querer desqualificar o "diferente", e assim vamos perpetuando nossos limites.

na escola as crianças se dividem em turmas onde o pré-requisito para participar do grupinho é "ser igual", e a escola acha isso normal e não investe em dinâmicas para que as crianças desde sempre enfrentem, aprendam e cresçam com as diferenças, não é uma questão de tolerar a diferença, mas aprender na diferença.

assim como os pais quando vem seus filhos em dificuldades tentam resolver desperdiçando a oportunidade da criança entrar em contato com seus sentimentos e entender (sem intelectualismos) que o que ela sente está nas mãos dela e não depende do outro.

claro que o outro pode tomar conhecimento dos nossos sentimentos, e o porque sentimos aquilo, mas o desenvolvimento é justamente entrar em contato com nossas dificuldades e aprender mais sobre nós mesmos, nossos sentimentos, nossas necessidades não atendidas, e supera-las construindo novos horizontes.

fiquei torcendo para que minhas filhas tivessem algum tipo de desentendimento e me chamassem para ajudar, para então experimentar outra atitude.

não demorou muito e ouço as duas chorando:

eu: o que aconteceu?
a mais velha (4anos): eu tava brincando com a boneca e ela pegou falando que a filha é dela!
a mais nova (2anos): ela me bateu! (bateu porque a irmã já aprendeu a revidar sua frustração no outro)
eu: as duas estão tristes?
mais velha: pede pra ela me devolver a boneca!
eu: perguntei se você está triste!
ela: estou!
eu: por que?
ela: porque eu quero brincar!
eu para a mais nova: e você está triste porque?
ela: porque eu quero brincar!

silencio

a mais velha: você quer ser a tia da minha boneca e me ajudar a cuidar dela?
a pequena: sim!

e foram brincar juntas!

13.10.10

ENSINAR NÃO TEM NADA A VER COM APRENDER!

tenho visitado muitas pré-escolas com ideias de incrementar e até de mudar praticas de nosso sistema educacional.
escolas que eliminaram as salas de aulas; outras que querem uma educação "mais livre"; escolas baseadas nos pensamentos de rudolf steiner; de maria montessouri; outras baseadas no construtivismo; em paulo freire; outras que enfatizam o brincar ao invés do estudar; porém todas, aos meus olhos, apresentaram o mesmo problema primordial; são escola dirigidas e protagonizadas por pedagogos.

arrisco em dizer que a culpa do fracasso de todas as mudanças em escolas que se dizem alternativas, caem nas costas do pedagogo, na verdade em geral, da pedagoga.

os pedagogos (as) querem ensinar, porem o que as crianças aprendem não é resultado do que lhes é ensinado, e qualquer mãe/pai, sabe disso!

as crianças aprendem por condições próprias que podem ser potencializadas com atividades, recursos e ambientes que lhes são apresentados.

quando uma criança percebe que é autora de suas descobertas, suas motivações, interesses, autonomia, e auto-confiança chegam a níveis elevadíssimos.

porem, isso é difícil para um pedagogo engolir, afinal de contas ele está ali presente, depois de ter estudado muito, construir suas certezas; e sendo geralmente um ser bastante carente que precisa de reconhecimento constante sobre sua inteligencia e sua dedicação ao trabalho tão pouco valorizado em termos financeiros (não tão pouco assim em certas escolas particulares), como em termos sociais.

eu já presenciei diversas vezes uma mesma cena da pré-escola a universidade.

o aluno, no meio da aula, cria uma sinapse e diz: acho que entendi como isso funciona!!! acho que é "assim" e "assado", não é!!!!
e o professor, em um tom quase intolerante com a audácia do aluno querer acreditar que descobriu algo por conta própria diz: mas é isso que eu tenho falado nesses últimos 6 meses!!! seu idiota (essa parte ele diz implicitamente).

assim é, depois de passar pela faculdade de pedagogia o professor não consegue ver um aluno aprender sem creditar a ele todos os méritos.
porque isso é tudo que lhe resta para manter um mínimo de dignidade em uma escolarização que trai o potencial das crianças.

lição importantíssima não ensinada na faculdade de pedagogia:

"é importante para pedagogia , não ser prisioneira de demasiada certeza, mas ao invés disso, estar consciente tanto da relatividade de seus poderes quanto das dificuldades de se traduzir suas ideias em pratica, Piaget já nos alertou que os erros e males da pedagogia vem da falta de equilíbrio entre os dados científicos e sua aplicação social". l.malaguzzi

outros ensinamentos que faltam a pedagogia:

é necessário reconhecer o protagonismo das crianças e a necessidade de manter a curiosidade e desejo de exploração inata a toda criança.
é importante reconhecer o limite profissional do professor que deverá estar sempre pronto a aprender com as crianças, e de jamais ter certezas demasiadas.

a desescolarização deveria ser matéria obrigatória para os pedagogos!!!

6.10.10

SONIA HIRSCH, VENHA!




nosso Re-Criando deste mes será uma oficina com SONIA HIRSCH.

jornalista, escritora, musa inspiradora da saude, bem estar, boa alimentação...

autora de muitos livros como: DEIXA SAIR; SEM AÇUCAR COM AFETO, DIDÓ, MAMÃE EU QUERO, MEDITANDO NA COZINHA, entre muitos outros livros que nos desperta um desejo de comer deliciosamente bem!

será uma grande alegria compartilhar essa oficina com todos amigos queridos.

venham!!!!

28.9.10

COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

em um delicioso dia ensolarado, inspirados pelo ar puríssimo de piracaia, com a presença de lindas famílias e muitas crianças, realizamos nosso encontro re-criando com a introdução dos princípios da comunicação não-violenta (cnv).

cnv é um processo, criado pelo americano marshall rosenberg, que nos apresenta a possibilidade de ouvirmos aos outros e a nós mesmos, de modo real, e não com a forma cultural, fantasiosa e mental, como estamos acostumados a fazer.

geralmente escutamos o que o outro está dizendo de forma racional, ou de modo imaginário; assim como também nos expressamos através da imaginação, da explicação, do raciocionio.

o processo do cnv nos ensina a escutar o sentimento, o que nós estamos sentindo e qual a necessidade que não está sendo atendida, assim como também escutamos o que o outro está sentindo e qual necessidade dele não está sendo atendida.

em nosso encontro, para praticarmos esse processo usamos dois bonecos, um chacal que representa a escuta racional, que julga, compara, condena e sentencia tanto o outro como a si mesmo; e uma girafa que representa o escutar com o coração, o escutar os sentimentos e as necessidades, tanto as nossas como as dos outros.

aqui vou citar uma possibilidade que não chegamos a usar no encontro, mas como não nos relacionamos somente com a linguagem falada, podemos usar também nas relações com as situações.

por exemplo, um bebê não para de chorar, sua mãe já fez de "tudo", a fralda está limpa, ele alimentado, não tem sinal de dor fisíca...
a mãe fica afetada pelo choro do filho, começa a ficar nervosa porque não encontra o motivo para tanto choro.

começa a pensar que o filho está fazendo manha, que está sendo um bebê difícil; e logo em seguida ela se auto condena pensando que não é uma boa mãe, que não é habilidosa.
quando olha para o filho pensa na situação de forma agressiva (por mais que se controla para não perder a cabeça) e quando olha para si mesma, se deprime, por sentir-se impotente.

esta seria uma reação do "chacal", uma forma aprendida, cultural, treinada.

o processo do cnv nos apresenta uma outra perspectiva para a mesma situação, a reação da "girafa"; um modo orgânico, ativo, com empatia para enfrentar as provocações.

ao vivenciar a situação, a mãe observa quais são seus sentimentos: ela se sente impotente, desamparada, assustada, cansada.
ela então observa quais são suas necessidades que não estão sendo atendidas: ela precisa descansar, conquistar segurança na relação mãe/filho...

então ela olha para seu bebê e tenta adivinhar o que ele está sentindo, qual é seu sentimento.
provavelmente ele está se sentindo desamparado, com dificuldade de adaptação, confuso, assustado.
ela então tenta adivinhar qual necessidade dele que não está sendo atendida; talvez lhe falte segurança nesse inicio de vida fora do útero, desenvolver a relação filho/mãe...

quando a mãe entra em contato com a situação através do olhar da "girafa" ela cria empatia com seu bebê, e sua ação será muito mais clara em relação a atender as necessidades dela e de seu bebê, assim como ela entrará em contato com as próprias necessidades e não colocará a culpa no bebê por seus sentimentos nem vai esperar que ele se responsabilize por suas necessidades não atendidas.

é um exercício incrivel, que nos tira da impotência diante das provocações das relações cotidianas.
que nos tira da dependencia dos outros serem responsaveis por nossos problemas, nos dando autonomia para continuarmos nos auto-criando.

18.9.10

Re-Criando, ta chegando!

dia 25 de setembro vamos iniciar nosso ciclo Re-Criando.
esse primeiro encontro será em Piracaia (90 km de São Paulo).

no Re-Criando teremos curtas palestras e/ou vivencias sobre praticas que nos inspiram a criarmos novos modos de vida.

quando algum tema despertar maior interesse em desenvolve-lo, vamos poder criar oficinas mais completas, em um outro momento, para nos aprofundarmos no assunto.

a idéia do Re-Criando é criar um ambiente inspirador para desenvolvermos modos de vida condizentes com nossos desejos, assim como um lugar para encontrarmos outras pessoas que estejam afinadas em suas buscas, mesmo mantendo suas diferenças.

as crianças, de todas as idades, são muito bem-vindas!

evento gratuito!

para inscrição, orientação para chegar e outras informações, mande um e-mail para anathomaz@terra.com.br

14.9.10

NADA PESSOAL!

estava ouvindo ontem uma reportagem pelo radio sobre o crescimento dos serviços prestados pelos "personals"

alem do ja bem conhecido personal trainning
a lista se prolongava
personal estilist
personal organizer
personal shopping

e mais alguns termos que não me lembro mas que traduzindo era: alguem para decidir o que voce vai comer; o que voce vai falar; o que voce vai pensar!!!

a reportagem ressaltava o custo financeiro para delegar aos outros seus cuidados pessoais.

mas o que me chamou a atenção foi a vontade das pessoas delegarem aos profissionais a responsabilidade sobre decisões tão pessoais.

daí eu entendi o porque para a maioria parece um grande absurdo assumir a responsabilidade pela educação dos filhos, não só a caseira, como a escolar.
e mais absurdo ainda deve parecer a ideia de entregar a criança a condição de se auto-educar, sem direcionamento ("só" com todo apoio necessário).

difícil pensar que uma criança que possa ter seu tempo e espaço para expressar seus desejos, explorar suas curiosidades, experimentar seus sentidos; vá algum dia abrir mão de fazer suas escolhas de modo pessoal e autentico.

então será que essas profissões surgiram e estão se tornando populares, para não dizer necessárias, porque as pessoas são escolarizadas, onde foram obrigadas a se formatarem, perdendo-se de sua singularidade, e por isso precisam ganhar dinheiro suficiente para contratar seus personals para darem a elas direcionamento na vida?

8.9.10

Re-Criando!

creio que existam muitos meios de nos instrumentalizarmos para a construção de novos modos de vida.
tem sido muito rico e promissor os encontros presenciais que sempre fazemos para praticar, aprender, questionar...

lanço uma proposta para realizarmos encontros mensais com temas e praticas que nos inspirem a sair do senso comum e do bom senso; que nos permitam criarmos novos modos de vida coerentes com nossos sentidos e sensações; que cada vez menos possamos dizer: a realidade é outra!

não! a realidade é criada por nós!!!

estão todos convidados a participarem do 1º Re-Criando - encontros para criarmos novos modos de vida.

nosso primeiro Re-Criando será em piracaia - sp
com palestras e praticas com os temas:

Comunicação Não Violenta (CNV) criado pelo americano Marshall Rosenberg, será apresentada por Merran Poplar (australiana, residente na argentina)

e

Desescolarização apresentado por mim, onde vou compartilhar a experiencia de ter me desescolarizado assim como meus filhos.

acontecerá no dia 25 de setembro - sabado - a partir das 11 horas até o por do sol.

evento gratuito

para inscrições e maiores informações: anathomaz@terra.com.br

3.9.10

VIDA FORA DA ESCOLA!

não tenho os filhos frequentando escola!
e mesmo morando no Brasil, não estou infringindo a lei, pois meus filhos tem 17, 4 e 2 anos de idade, todos fora da idade obrigatória.

por isso aproveito para tornar publico parte do maravilhoso processo de desescolarização que estamos vivendo.

meu filho mais velho iniciou sua vida escolar em uma escola waldorf em londres, onde estudou por três anos.
de volta ao brasil continuou no mesmo sistema de ensino, nunca com grande entusiasmo, porem aos 13 anos começou a lamentar diariamente o fato de ter que ir a escola.
eu já tinha um olhar muito critico em relação a escola, mas até então em relação particular a desconexão corpo/mente que acontece nas escolas.
ouvi as reclamações do meu filho e comecei a ver o quanto a escola tinha roubado dele a curiosidade, a força corporal, o desejo por aprender.
ele não gostava de fazer lição de casa, não gostava de ler livros, estudar para provas, decorar formulas, e tinha uma profunda irritação em relação ao modo como as amizades se formavam entre os colegas de classe e o tratamento entre professores e alunos (isso merece todo um capitulo, entre bullings e abuso de autoridade).

propus a ele terminar o ensino fundamental, já que era obrigatório e ao mesmo tempo me daria tempo para me preparar para desescolariza-lo do ensino médio.
ele aceitou prontamente e eu comecei a me preparar.
como faria isso? o que meu filho aprenderia fora da escola? estaria pronta para ouvir as criticas?
essas eram algumas perguntas que eu mesmo me fazia durante esse ano que me propus a me desescolarizar.

nosso projeto começou em janeiro de 2009, nos reunimos e apresentei meu projeto para ele.
propus que no primeiro ano eu ficaria responsável por sua carga horaria assim como a escolha das atividades que ele faria; no segundo ano dividiríamos 50% para cada um decidir sua formação; e no terceiro ano ele poderia assumir toda a responsabilidade de seu processo desescolar.

ele precisaria primeiro de uma desintoxicação após tantos anos de escolarização para poder tomar decisões no mundo real.
em relação ao tempo livre, ele poderia fazer o que tivesse vontade, com restrições ao horário para assistir televisão.
para resumir esse primeiro ano, em 5 meses ele já tinha me convencido a assumir totalmente seu processo desescolar.

ele desenvolveu um verdadeiro interesse pela magica e precisava de muito tempo para suas investigações, praticas e criações.
no inicio de 2010 ele já estava na inglaterra, onde ficou por mês, para participar de um congresso mundial de mágicos; em julho e agosto em buenos aires para aperfeiçoamento com um consagrado magico mundial com quem teve aulas diárias e voltou radiante e já avisando que terá que ir a guatemala em fevereiro.

Em menos de dois anos fora da escola, vejo meu filho ler livros (em inglês), ficar fluente em outras duas línguas, procurar pessoas para auxilia-lo, apresentar-se em publico com muita fluência, estudar madrugada a fora, acordar cedo todas as vezes que lhe interessava, responsabilizar-se por si, acordar e dormir feliz, sem nunca mais reclamar que está fazendo algo que não gostaria de fazer.

ter um adolescente assim em casa facilita muito, pois não fica buscando recompensas ou descompensas da vida escolar chata e cheia de pressão que vivem hoje em dia os adolescentes.

hoje nem nos lembramos mais da obrigatoriedade de frequentar a escola.
estar em casa, dedicando-se aos seus interesses genuínos e no caso dele, encantador, nos provou ser a coisa certa.

quanto as pequenas, que também estão em casa no alto de seus 4 e 2 anos de idade, também não questionamos nenhuma vez a possibilidade de frequentarem a escola, e já encontramos uma solução para continuarem desescolarizadas sem infringir a lei.

mas isso fica para um post futuro.

1.9.10

RAZÃO X EMOÇÃO

informação boa é aquela que nos amplia a visão e nos apresenta outras possibilidades de ação.

foi isso que aconteceu quando eu li que as crianças antes dos dois anos de idade não tem as conexões entre os hemisférios esquerdo e o direito do cérebro totalmente ativados.
eles entram em processo de conexão a partir dos dois anos e completam essas "pontes" até os sete anos de idade.

isso me fez pensar que quando uma criança pequena está com atividade no hemisfério direito ela não tem acesso simultâneo ao hemisfério esquerdo.
se ela está tendo um ataque emocional, o famoso xilique (ação do lado direito), ela não consegue acessar o controle racional (ação do lado esquerdo).
durante a explosão emocional ela não consegue compreender as razões para acalmar-se.
ela não tem as ferramentas prontas para que a razão dimensione a emoção.
se isso for exigido de uma criança antes dos dois anos, será como exigi-la que ande aos 6 meses, ela poderá até fazê-lo, mas com que custo?

nos resta acolher, aceitar e apreciar a natureza.

a criança está emocionalmente alterada? permita! de um ambiente seguro para ela, pense que ela não tem condições de escolha, aprimore suas condições de expressar suas emoções, deixando-a sentir que ela está sendo escutada, mesmo que não seja possível atende-la, pois sabemos que não precisamos dar aquilo que a criança pede para que ela se desenvolva saudavelmente, mas o modo que conduzimos a situação é que faz a diferença, não estamos exigindo que ela compreenda as razões, pelo menos naquele momento.

depois que a criança se acalma seu hemisfério esquerdo volta a ser acessível, e neste momento podemos, de modo simples e claro, conversar sobre o acontecimento, de preferência criando uma situação concreta para exemplificar.
sem ameaças, lição de moral ou acusações.

a partir dos dois anos ela já começa a criar esses acessos, lentamente, pois ele só vai finalizar por volta dos sete anos.
nesse momento já podemos ajuda-la a acessar a razão durante um ataque emocional, criando essa "ponte" com qualidade.

acredito que o que chamamos de pessoa equilibrada da-se inicio quando uma criança tem a possibilidade de desenvolver bem as qualidades dos dois hemisférios separadamente, e depois a conexão entre eles,

mas para isso é preciso permiti-la ter seu tempo e espaço em um ambiente seguro, acolhedor, amoroso e cheio de vida.

talvez isso explique adultos mal resolvidos no equilíbrio razão X emoção.

25.8.10

GENERALIDADES!

na época da escola meu maior desejo era ser inteligente.
achava que uma boa maneira de ser inteligente seria tornando-me uma especialista.

mas a vida nunca me levou para a especialidade, como também nunca permitiu sentir-me inteligente.

inclusive quando decidi me aperfeiçoar em um curso de formação de três anos, em londres, logo me dei conta que entrei em uma formação especialista em generalidades.

e assim tornei-me uma generalista.

não tenho nada contra a inteligencia e a especialidade, mas cada vez mais sinto ser um presente a ausência de ambas na minha vida, talvez por eu ter escutado que quando a inteligencia se destaca de um lado, alguma coisa fica esquecida do outro...

provavelmente os responsáveis pelo sistema educacional no brasil sejam pessoas muito inteligentes, cheias de títulos academicos, que escrevem e falam muito bem, elaboram currículos, compartimentam o ensino, determinam as horas de aprendizagem, antecipam a idade da alfabetização, adoram uma avaliação...

mas para o meu olhar de generalista essas pessoas que estão a frente da educação estão tão ocupadas em serem inteligentes que lhes faltam a capacidade de perceber se a educação, da maneira que está sendo praticada, é boa para a vida ou não.

ensinar para a criança determinadas matérias pode ser uma coisa inteligente, mas permitir que uma criança continue a construir-se a si mesma potentemente é coisa para sábios.

ensinar uma criança a se comportar socialmente é inteligente, mas para confiar na capacidade de observação e percepção da criança, é necessária muita sabedoria.

saber é sentir, saborear, sentir o sabor.

os bebês colocam tudo na boca, querem conhecer o sabor de tudo, saboreiam a vida, estão abertos para o saber.

antes mesmo de terem desenvolvido a inteligencia, aprendem tudo que querem aprender.

então me pergunto:

e se esses bebês, que logo se tornam crianças, não fossem atrapalhados no desenvolvimento de sua sapiência?

e se os inteligentes permitissem serem inspirados pelos saberes das crianças?

e se a sabedoria for o outro lado esquecido da inteligência?

os generalistas são assim mesmo, se metem a questionar a inteligencia e a especialidade.

e hoje rodeada de bebês e crianças, me sinto assim, sábia!

15.8.10

CONVITE NUMERO 2

as mudanças não se fazem só através das criticas e das ideias, é sempre necessário o movimento, a ação e a principalmente a criação.

nosso modo de experimentar a educação ativa, neste momento tem sido através de dois encontros semanais com familias, ou parte delas.

as terças nos encontramos para criarmos um ambiente propicio para o desenvolvimento do corpo em seu ritmo e movimento.
as sexta é a vez das artes e suas percepções sensorias, cores, formas, texturas, gostos e sensações.

são jogos, brincadeiras que nos levam, adultos, bebês e crianças a percepção e desenvolvimento de nosso mundo-próprio.
como vemos, sentimos e agimos o mundo.

em nossas experimentações, nós, adultos, precisamos nos ater a algumas questões:

*entrar na brincadeira - as crianças tem verdadeiro fascínio pelo mundo dos adultos, por isso é importante fazermos dessas brincadeiras o nosso mundo daquele momento, estarmos la, inteiros, entregues, curiosos e porque não, desenvolvendo, ativando e aguçando nossas percepções sinestesicas e sensoriais.

*não dirigir implícita e/ou explicitamente as atividades das crianças - elas tem seu tempo próprio e suas necessidades, o mais importante é saber observar e admirar a singularidade de cada criança.

*não inibir as crianças com olhares e/ou comentários - as vezes é irresistível fazer um comentário quando uma criança decide dançar livremente e lindamente em nossos encontros, porem basta um comentário para congelar ou dar outro sentido a experiência da criança.

*não tenha expectativas de conquistas concretas e pontuadas - as maiores e melhores conquistas são as construções das estruturas psico-físico-emocional, e essas dão-se de forma silenciosa e interna.

*aproveitar esse momento para estar com seu filho em um contexto social sendo essa uma oportunidade de criarmos um novo modo de nos relacionarmos socialmente com nossos filhos e outras crianças.
uma possibilidade para nossos filhos se sentirem confiantes e seguros com outros adultos alem da família.
para as crianças compartilharem o mesmo o espaço sem disputas, sem terem que dividir antes de estarem preparados para isso.
um espaço propicio para o desenvolvimento natural de cada singularidade, sem comparações, sem finalidades, sem terem que provar nada a ninguém.

todas as crianças de todas as idades são bem vindas, assim como seus pais, avós, tios e cuidadores, desde que participem ativamente de nossas atividades.

a participação é gratuita.

nosso propósito é desenvolver um centro de pesquisa e apoio a educação ativa nas famílias e centros educacionais.

os encontros acontecem as terças (corpo) e sextas (artes) das 10hs30 as 11hs30.

para participar mandem um e-mail para:
anathomaz@terra.com.br
ou liguem:
tel. 3399 4257

7.8.10

CONVITE NUMERO 1

uma sociedade que não se afina com a natureza de seus representantes, merece ser reinventada!

sabe qual deveria ser a função das escolas nos dias de hoje?
preparar seus alunos para reinventarem a sociedade em que vivemos, pois ela não da conta das nossas reais e naturais necessidade.

porque infelizmente nossas escolas preparam seus alunos para continuarem sustentando esse sistema anti-vida em que vivemos.

para que serve uma sociedade finalista para uma natureza onde não existe finalidade, só existe intensidade.

nenhuma bananeira da bananas com a finalidade de...
as bananeiras produzem bananas por intensidade.

da mesma maneira nós também nos produzimos por intensidades naturais que em circunstancias propicias darão frutos, não para serem julgados, testados, avaliados, especulados, mas por pura necessidade da nossa existência.

assim deveriam ser as escolas, ambientes propícios para que todos desenvolvessem suas intensidades, sem a tirania do bom senso dizendo "as coisas já estão estabelecidas desta maneira, mas podemos tentar melhorar na medida do possível!"

não! isso não basta! melhorar na medida do possível é manter a escravidão com benefícios.
é a escravidão que tem que ser transmutada e não melhorada.

da trabalho quebrar hábitos tão enraizados e acomodados, da trabalho pensar, sentir e agir a vida de outra maneira; e é por isso que é tão difícil mudar.
mas já não é mais uma questão de escolha.
continuar investindo em um sistema tão anti-vida nos faz mortos ainda vivos.

e a vida tem uma intensidade que merece o trabalho da mudança!

e ainda tem vantagem, pois da trabalho, mas facilita a vida, e muito.

4.8.10

CAOS CALMO!


o assunto insiste e persiste!

em um post recente coloquei a importancia, tanto para a criança como para a mãe, do contato real, da presença fisica, das novas possibilidades que se abrem quando abraçamos a maternidade.

faltou ampliar essa possibilidade para a paternidade.

ontem assisti a um filme italiano feito em 2008, dirigido por antonio grimaldi e protagonizado por nino moretti.

o personagem de moretti é um alto executivo de uma empresa italiana que está negociando a fusão com uma empresa americana, e ele é pai de uma menina de 10 anos.

sua mulher morre!

ele se responsabiliza pelos cuidados da filha, e no primeiro dia em que vai deixa-la na escola depois a morte da mãe, o pai tem o impulso de ficar do lado de fora da escola da filha para estar presente caso ela precise dele.
o pai sente que sua decisão foi certa, por mais absurda que pareça, ele decide então que assim serão os seus dias, dedicado a estar presente corporalmente para acolher a filha, mesmo que a meia distancia.

ele fica na praça em frente a escola onde sua filha pode ve-lo quando quiser da janela da sala de aula.

acontece que alem da filha sentir-se completamente acompanhada em um momento tão necessario, a vida do pai torna-se mais interessante e intensa do que nunca.

o filme está disponivel em locadoras - "caos calmo".

31.7.10

NOSSOS MESTRES!

como é isso da criança ser a fonte da vida? nosso mestre? perguntou uma amiga a queima roupa, pedindo exemplos concretos!

hoje de manhã enquanto eu estava fazendo meu oil pulling, a caçula (quase 2 anos) estava em uma bacia com agua e alguns brinquedos, e sua irmã (4 anos) estava na frente do espelho experimentando presilha no cabelo.

todas estávamos dividindo o mesmo espaço e cada uma envolvida em seu mundo-propio.

como eu estava impossibilitada de tagarelar, pois tinha a boca cheia de óleo, e incapaz de ficar envolvida na minha ação, fiquei observando as meninas, como elas estavam completamente presentes em suas vivências, nada mais passava pela cabeça delas, e isso não quer dizer que elas não estavam atentas para outros acontecimentos.

é realmente incrível ver com que facilidade a criança permite envolver-se, entregar-se, relacionar-se, estar presente em suas ações.
algo que almejamos pois essa inteireza nos faz mais eficientes, potencializa nossas percepções, deixa a intuição mais aguçada, nos libertamos das representações e entrarmos no mundo da criação.

me parece que é isso que os praticantes de meditação buscam em suas praticas por anos a fio.

foram 20 minutos de oil pulling, uma escovação a seco pelo corpo, um banho de óleo de gergelim, um banho de agua, escovar os dentes, e por todo esse tempo elas seguiram envolvidas em suas atividades.
quem disse que criança tem concentração de curta duração?

nós é que a treinamos a fazer as coisas no tempo que nos convém, que geralmente é curto e disperso.
nós é que a treinamos a ter que prestar atenção em varias coisas ao mesmo tempo obrigando-as a fazer o que não lhes interessam e como defesa elas desenvolvem a capacidade de se distrair para abstrair aquilo não lhes faz sentido naquele momento.

assim tornam-se adultos com dificuldade de estar presentes em suas ações cotidianas.

experimente tomar banho sem ocupar a mente com outra coisa, tomar banho presente, aguçando suas percepções, parece impossível!

somos adultos distraídos, a ponto de não percebermos que temos crianças com enorme capacidade de concentração, envolvimento e criação.

são nossa fonte de vida, nossos mestres!

21.7.10

A PLENITUDE DA MULHER

existem livros maravilhosos e inspiradores que incentivam as mulheres abraçarem a maternidade ativa, dando prioridade aos cuidados do(s) filho(s) com evidencias do bem que essa decisão fará a ele(s).

mas não é só o filho que ganha quando uma mãe resolve dedicar-se a maternidade.

a mulher, quando aproveita essa oportunidade singular, também tem muito a ganhar.

já na gravidez, onde a mulher vive uma revolução hormonal, a potencializa ção de seus sentidos, seu auge orgânico, energético e espiritual.

passa pelo o parto, e de novo, se a mulher está preparada para essa vivência, ela vai passar por uma indescritível revolução corporal/anímica/emocional, vai entrar em contato consigo mesma sem intermediarios, vai romper seus limites, vai testar sua fé na vida, vai sentir a morte, para logo sentir a vida em sua presença máxima.

enfim inicia-se a maternidade, assunto principal deste post, que tem o desejo de dizer que a mulher pode encontrar nessa experiência uma verdadeira oportunidade de reconquistar uma vida plena.

as vezes me faço a pergunta: qual será a coisa mais importante para o desenvolvimento do ser humano?
há alguns anos a resposta que me surge é: o autoconhecimento.

os bebês tem a capacidade incrível de nos apresentar a nós mesmos, escancarando nossas condições psíquicas através das nossas reações provocadas pelo convívio tão intenso com esses pequenos seres.
muitas vezes nem nos reconhecemos, mas não há duvidas, somos nós mesmas, sem mascaras, sem controle social.
somos obrigadas a quebrar paradigmas, a repensar o que é importante na vida.

qualquer uma poderia pensar racionalmente que no auge da carreira profissional não há duvidas que nossa vida deve continuar em pleno desenvolvimento e para o bebê podemos selecionar uma babá bem qualificada.
mas porque sentimos dor nessa decisão? no fim da curta licença maternidade é muito dolorido despedir do bebê com 4 meses, ou 6 meses para as mais sortudas e sair para o trabalho.
parece que algo em nós não aceita esse desvio da natureza.
porque é um desvio da natureza.
parimos e somos biologicamente preparadas para cuidar de nosso filhote, mas culturalmente nos convencemos que essa é uma tarefa retrograda, sem charme, sem reconhecimento social, pouco produtiva e sem retorno financeiro.

porem, quando nos damos a oportunidade para ficar ao lado do bebê, algo em nós sente que aquilo faz sentido, apesar da opinião publica querer nos convencer a sentir diferente.

como não estamos preparadas socialmente para nos dedicarmos a criação de nossos filhos, no máximo, chegamos a nos dedicar aos cuidados do(s) filho(s).

o que precisamos entender é que esta é uma oportunidade maravilhosa para o desenvolvimento, inclusive profissional, da mulher.

porque entramos mais em contato com nós mesmas, afinamos nossas percepções, sentidos e intuição.
estamos mais atentas aos outros, mais criativas, mais intensas e sem duvida nenhuma, mais bonitas.

participar ativamente da criação de nossos filhos exige um estado de presença constante, criar ambientes favoráveis para as crianças, ser criativa na cozinha, ter bom humor e paciência, e viver em estado de graça pela admiração por qualquer novidade e gracinha que a prole vive aprontando.

tudo isso nos acrescenta tanto que não é raro que a mulher encontre ou crie uma nova profissão, pois é tanta criatividade sendo exercitada e ao mesmo tempo o desejo de estar ao lado dos filhos, que surgem novas promissoras profissões, além de tudo, lucrativa.

depois de três anos, que é o tempo que mais precisamos estar ao lado de nossos filhos, já estamos super desenvolvidas e capazes de inventar pelo menos uma meia dúzia de projetos.

o incrível é que filho que é cuidado tete-a-tete pela mãe, vai ficando independente muito cedo, a cada ano que passa demanda menos atenção, mas a mãe que não quer perder sua fonte de inspiração mantem o corpo-a-corpo mesmo que a meia distancia pelos primeiros sete anos.

quando a gente se da conta o filho já está dormindo sozinho, criando suas próprias brincadeiras, viajando sem a gente, pensando por conta própria...

e a gente fica ali, satisfeita de deixar o filho experimentar o mundo com suas próprias pernas, não fica a sensação de tempo que voou e a gente nem viu, porque estando ali presente a gente viu tudo acontecendo, de camarote.
filhos adolescentes criados e educados pelas mães quebram o estigma de fase complicada da vida.
nesse momento a mãe já está tão livre que não precisa nem se preocupar em se reposicionar no mercado de trabalho, pois a essa altura ela já criou seu próprio mercado independente e criativo.

o que pode ser mais importante para uma mulher do que viver plenamente a maternidade???!!!

mesmo porque é na maternidade que ela pode ampliar sua capacidade afetiva, sua criatividade e estar em permanente contato com a fonte da vida.

18.7.10

PERCEPÇÃO AFINADA!

"não da para distinguir entre ilusão e percepção"
esse é outro pensamento genial de maturana!

se não fosse assim não haveria equivoco, a cada erro de percepção seriamos chamados de mentirosos, mas há sim a possibilidade de acharmos que algo é de um modo que depois podemos até constatar que nos iludimos, então nosso erro não será uma mentira e sim um equivoco.
só quando sabemos que algo não é do jeito que falamos que é considerado uma mentira.

e porque nossa percepção pode ser ilusória?
porque depende da experiência de cada um, da experiência que já tivemos ou da que ainda não tivemos.

quando vivemos uma nova experiência, nossa percepção sobre algo vivido pode mudar e compreendemos o mundo de outra maneira.

em nossas relações estamos sempre oferecendo ou pedindo uma explicação para nos entendermos.

porem a explicação não depende de quem explica, mas de quem escuta!

se eu explicar para uma criança de 4 anos que vou até o banheiro e já volto, ela irá compreender o meu desaparecimento, porque para o outro é isso que acontece, alguém está no seu campo de visão e desaparece, mas por causa das experiências de uma criança de 4 anos ela aceita a explicação que fui ao banheiro e já voltarei.
a explicação é aceita!

se eu dou a mesma explicação a um bebê ela não será valida, pois suas experiências não sustentam minha explicação, para o bebê eu simplesmente desapareço, e a explicação não é aceita!

isso nos faz entender o porque não é tão simples nos fazer compreender, assim como compreender o ponto de vista dos outros, pois compreender a explicação do outro depende das experiências que cada um teve ao longo da vida, em outras palavras cada um de nós temos nosso mundo-próprio!!!

paradoxalmente, quanto mais compreendemos e investimos em nosso mundo-próprio, melhor será nossa comunicação com o outro.
é a experiência de sentir, viver, perceber minha singularidade, que me faz compreender que o outro tem suas próprias experiências, e por isso fica mais acessível minha abertura para aceitar a explicação do outro, pois sei que está falando baseado em uma experiência própria e por isso não entro em combate com isso, e sim ganho o que se chama de "aprender com a experiência do outro".

não deixo de ter o meu ponto de vista, baseado em minha experiências, mas sei que o que estou ouvindo do outro é o seu ponto de vista e não uma afronta a minha percepção, e assim todos ganham um aumento de percepção, a minha visão + a visão do outro = diálogo.

voltando aos bebês e as crianças, se meu mundo-próprio adulto está desenvolvido, ouço, sinto e compreendo que aquela criança está me mostrando seu mundo-próprio e magicamente aparece um lugar no tempo e no espaço onde posso compreender e criar a explicação que aquela criança é capaz de aceitar, não preciso nem adivinhar ou ser uma especialista em pensamentos de crianças, só preciso escuta-la e ela me dirá qual explicação será aceita ou necessária para ela.

minha amiga mirella postou uma questão no post anterior, e acho que é por ai a busca da desintoxicação que podemos fazer para sairmos do vicio do disfarce, conhecer nosso mundo-próprio, nossa biologia, nossa anatomia.
liberar o corpo do controle da mente; o corpo sente, pensa, deseja; dar credibilidade, não desqualificar esse acontecimento; permitir que a mente cumpra seu papel brilhante de servir ao corpo e fazer acontecer seu desejo de vida; ao invés de exigir da mente a condição de vigiar, julgar e até punir o corpo caso ele tenha o atrevimento de desejar o que não está pré estabelecido.

é só olharmos nossos bebês para ter a certeza que o corpo sabe o que faz e o que pode; a mente é que ainda não tem ideia do que pode um corpo.

esse é um caminho de refinamento das percepções (que pertencem ao corpo) para que cada vez menos vivamos nas ilusões da mente.

11.7.10

AMOR BIOLÓGICO

o principio do desenvolvimento do bom relacionamento é o amor.
amar nos traz a capacidade de aceitarmos os outros, mesmo que não pensem, sintam ou ajam como nós.
e como diz o bom e velho humberto maturana, amor é biológico.

amar é aceitar a capacidade do outro ser capaz de fazer escolhas próprias.
é respeitar a singularidade, o mundo-próprio de cada um, isto é, a percepção singular que cada um de nós temos do mundo.

um bebê já nasce com toda capacidade de perceber o mundo a partir de seu corpo, de entender o que é melhor para si e selecionar o que aumenta sua potencia de vida.

amar é aceitar que mesmo um bebê é capaz de fazer escolhas e permitir que o faça.

toda vez que uma pessoa é impedida de exercitar sua capacidade genuína de fazer escolhas, ela não está sendo amada, e sua condição de escolhas inteligentes começa a atrofiar.

quando a criança está em um ambiente que não proporciona condições para desenvolver sua autopoiese, ela começa a fazer escolhas não mais determinadas por sua inteligencia primordial, mas pelo jogo do sistema que a rege, sendo determinada de fora, pelos outros, por interesses diversos.

não é qualquer escolha que queremos que as crianças façam, mas escolhas que estão coladas a sua inteligencia primordial.

é necessário permitirmos que as crianças tenham sempre ambientes e convívios que possibilitam manter ativa sua inteligencia primordial, para que seja praticada e assim desenvolver-se.

amar é permitir que as crianças cresçam exercitando sua inteligencia primordial através do exercício de fazer escolhas próprias, e para isso elas precisam ter ambientes condizentes com seu momento de vida.
ambientes que lhes ofereçam segurança, confiança, estímulos naturais, respeito por seu espaço e tempo.

um bebê pode escolher quando nascer, quando mamar, quando dormir, quando fazer xixi e cocô, quando ficar no colo ou no chão.
mas para isso ele tem que estar em um ambiente propicio, sentindo-se seguro para fazer essas escolhas.

uma criança pode escolher o que comer (desde que as opções sejam todas saudáveis não há o que se preocupar), escolher quando brincar, do que brincar, por quanto tempo brincar, o que vestir (dizem que casaco é aquilo que a criança veste quando a mãe sente frio), e com o tempo as crianças vão ganhando mais condições de aumentarem suas possibilidades de fazerem escolhas.

todos os outros animais fazem escolhas próprias, mesmo não tendo a capacidade de raciocínio, informações intelectuais, ou alguém que os ensinem; são escolhas celulares, escolhas que o corpo faz sempre com o desejo de fazer a vida acontecer da forma mais potente possível.

simples assim, a vida quer acontecer de forma plena e potente, para isso ela já vem equipada com essa capacidade em todas as suas células para fazer sempre a melhor escolha para seu ser singular, e quanto mais respeitada a condição dessas escolhas serem feitas, mais inteligente ela fica, e assim a vida cresce, desenvolve, se aprimora.
podemos chamar esse movimento de evolução.

muitos de nós não tivemos condições de escolher, e porque sempre escolheram por nós não da para dizer que foram escolhas feitas por amor, por mais que queremos acreditar; mas foram escolhas feitas por interesse (pessoal, social ou politico), por conveniencia, por regras sociais, por lucro, por habito, por medo, por não saber fazer de outra maneira; qualquer coisa, menos por amor, pois amor é permitir que o outro tenha condições de fazer escolhas próprias.

se não exercitamos nossa capacidade de fazer escolhas também não vamos permitir que nossos filhos e alunos o façam.

nossa inteligencia celular está atrofiada.
não sabemos mais escolher sem ter que usar o raciocinio para julgar, especular perdas e ganhos, e por fim permitir que escolham por nós, as vezes de forma tão sofisticada que cremos que fomos nós que escolhemos.
do modo que fomos criados é absurdo pensar em livre arbitrio.

para pararmos esse moto continuo, precisamos nos trabalhar, nos transmutar, aprender a ser nós mesmo outra vez e reconquistarmos nossa capacidade de fazer escolhas primordiais, aquela que está colada a nossa existencia singular, aquela que faz a vida ter sentido por ela mesma e não por uma finalidade especifica.

ou alguém acha que todas as coisas que fazemos na nossa vida foram escolhas feitas por nossa inteligencia primordial?
por um desejo intenso em nós?
por inspiração?
por nosso amor biológico???!!!

28.6.10

NOSSA NATUREZA!

"desde bebê o ser humano tem suas direções próprias"

"o ser humano tem capacidade de tomar decisões a partir de uma direção interior"

essas foram frases ditas com toda confiança e tranquilidade por Margarita em sua palestra sobre educação ativa.

na minha experiência com a técnica Alexander é simples (mas não simplório) explicar essas afirmações.

o corpo não é uma massa de modelar que toma a forma que é usada; mas uma força que se auto cria constantemente, com suas direções, desejos e intensidades.

quando algo é decidido através do corpo, uma força intrinsica o impulsiona naquela direção, e quando a mente já está desenvolvida para participar desse processo, ela não questiona e sim cria condições para que o desejo se realize.

nós aprendemos, do modo que vivemos, a não confiar no corpo e sempre questionar através de uma linha de raciocínio para decidirmos como controlar o corpo e viver a vida.

a mente, que é uma parte do corpo, não tem recursos próprios para decidir por si mesma, precisa de referencias, é julgadora, responde as recompensas e castigos, se for deixada solta (sem seu corpo) é facilmente manipulada.
já o corpo tem recurso próprios, assim como ele se auto cria, criando suas células, moléculas, consciência, ele cria e expressa seus desejos, pensamentos, sua singularidade nessa vida.

a mente é uma maravilhosa ferramenta do corpo e não sua controladora.

quando o corpo decide algo, não há duvidas, a mente lhe cabe a função de analisar e sintetizar, mas nunca julgar ou decidir.

confiar no corpo é viver sem o conflito interno da mente querendo ir para um lado e o corpo para outro, vivemos brigando, com nós mesmos, nas decisões mais diversas da vida, desde regimes alimentares a projetos de vida.

coisa seria!

a harmonia existe quando não há separação entre corpo e mente, onde o corpo (psicofisico) tem uma mente como ferramenta.

temos que inverter o que aprendemos de forma desastrosa, temos que voltar a ter um corpo confiável, voltar a confiar no corpo, assim como vemos nos bebês e nas crianças, e poder seguir uma força, uma intensidade, uma potencia que pulsa em nós, apesar de nós!

por isso a educação ativa convida os pais a se prepararem para deixar de reproduzir em seus filhos o modo de vida prisioneiro que aprendemos a viver e até a gostar...mas que não há duvida que algo está errado!

só com a transmutação dos adultos as crianças terão condições favoráveis de seguirem suas direções próprias.

e podemos confiar, a natureza é perfeita!

24.6.10

MAIS INFORMAÇÃO!

estamos prontos para iniciarmos o processo de formação do pensamento da escola livre
segue abaixo mais informações.
tenho certeza que será um movimento muito inspirador!!!
venham!!!


A EDUCAÇÃO LIVRE COMO ALTERNATIVA DE CONVIVENCIA NO AMOR E O RESPEITO ENTRE ADULTOS E CRIANÇAS

Uma proposta que está revolucionando os atuais conceitos de aprendizagem e educação no mundo

Introdução

Numa sociedade que avança rapidamente, as exigências de trabalho para suprir as necessidades de sobrevivência e pessoais marcam profundas brechas que interferem na comunicação e nas relações humanas, especialmente nas relações entre adultos e crianças ou adolescentes.

Neste contexto se faz urgente criarmos espaços de diálogo aonde possamos manifestar nossas preocupações e aprofundar temas relacionados com a educação, o cuidar e tudo que implica o constante crescimento de nossos filhos em termos emocionais, intelectuais e sociais.

Para auxiliarmos nesta tarefa, existem algumas experiências que nos falam da possibilidade de não interferir no desenvolvimento das crianças, preparando ambientes aonde possam interagir livremente e praticar a tomada de decisões, assim respeitando cada etapa do processo do seu crescimento e favorecendo efetivamente seu crescimento integral.

Esta proposta nos convida também a uma reflexão mais ampla em relação ao nosso entorno: Será que a crise ecológica, social e econômica que enfrentamos a nível mundial, não tem relação com o que as pessoas desde pequenas aprendem em casa ou na escola? A resposta é afirmativa.

É hoje comprovado que uma pessoa amada e respeitada, nas suas verdadeiras necessidades em cada uma de suas etapas de desenvolvimento, se tornará um adulto que convive em paz e respeito consigo mesmo, com seus iguais e com a natureza, se tornando co-construtor de um planeta com as mesmas características.

Estes sãos os parâmetros que norteiam a Educação Livre, uma perspectiva sobre a educação que nos permite construir uma vida em harmonia com as nossas crianças e adolescentes. Esta vertente se baseia em etapas sobre o desenvolvimento do ser humano realizadas por Jeanne Piaget e no conceito de “autopoyesis” do Humberto Maturana, dentre outros, que ressalta que na vida/natureza jamais existem relações instrutivas.

A série de Encontros sobre Educação Livre como Alternativa de Convivência no Amor e Respeito entre Adultos e Crianças, destinada a Pais e Professores da Nova Era, apresenta e oferece uma oportunidade de aprofundar estes e outros elementos básicos de respeito aos processos de vida e acompanhamento adequado ao crescimento da criança e o adolescente, incorporando também insumos da vivencia de uma escola, referencia mundial na área, em Equador: a escola Pestalozzi.


Resumo do conteúdo:

Módulo I:
Percurso desde a iniciação da vida em nosso planeta;
O cérebro, seu funcionamento até a idade adulta;
Liberdade e limites;
Linguagem e verbalização: como nos comunicamos com as crianças

Módulo II:
Etapas do desenvolvimento,
as necessidades das crianças ao longo do seu crescimento e formas em que os adultos podem respeitar e apoiar estas;
Presença do adulto: regras e limites;
A tomada de decisões e o desenvolvimento da inteligência;
O brincar como forma de aprendizagem;
O choro e o riso como formas adequadas de processar experiências

Módulo III:
Ambientes preparados para conviver em amor e harmonia; momentos do cotidiano:
A hora de comer; o momento do banho, de dormir, de se vestir; a televisão e a tecnologia.



Perguntas freqüentes
* Por limites e regras é ir contra a liberdade das crianças?
* Como posso por limites e ainda expressar amor? A partir de que idade isto é relevante?
* Qual é a função dos adultos na convivência e no cuidado das crianças?
* Como podemos conviver entre adultos e crianças de diferentes idades, em harmonia, liberdade e respeito?
* Se os sistemas educativos a nível mundial estão sempre em crise, porque então temos que mandar os nossos filhos para a escola?
* Como posso ajudar meus filhos para que se respeitem entre irmãos?
* Porque quando falo com meus filhos eles não me escutam?
* Porque é tão difícil por ordem nos dormitórios dos meus filhos?
A proposta pedagógica visa intercalar apresentação de conceitos e práticas, com momentos de reflexão, individual e em grupo, de partilha, e de retro-alimentação destes com experiências praticas na vida cotidiana.


Público-Alvo:
Adultos que tenham relações com crianças e adolescentes (de qualquer idade, desde recém nascidos!), como pais e professores.


Margarita Valencia A.

Formada em Pedagogia (Ciências da Educação) pela Universidade Católica de Equador. Tem 10 anos de experiência de trabalho na ‘Fundación Educativa Pestalozzi’, www.fundacionpestalozzi.com em Equador. A Escola Pestalozzi é reconhecida na área pedagógica como pioneira no seu enfoque alternativo e como uma das novas correntes educativas mais avançadas no mundo. Margarita chegou ao Brasil em Julho 2009 para criar a primeira escola livre, baseada na escola Pestalozzi, no Brasil. Esta escola, Inkiri, está hoje estruturada na ecovila Piracanga, na Bahia e recebe crianças de diversas idades e nacionalidades (www.piracanga.com)

Para maiores informações sobre conteúdo do curso entre em contato com Margarita Valencia.
E-mail: marvalencia321@yahoo.es



CAÇAMBA DE ARTE

Módulo I: 05/06/07/08 de Julho
Módulo II:12/13/14/15 de Julho
Módulo III:19/20/21/22 de Julho

Carga Horária por Módulo: 12 horas
Horários: segunda à quinta das 17h30 às 20h30

Valores:
R$ 250,00 para módulos avulsos
R$ 600,00 para os 3 módulos

Mais informações: 11- 3399 4257


MORADA DA FLORESTA
Módulo I: 26 e 27 de junho
Módulo II: 10 e 11 de julho
Módulo III: 14 e 15 de agosto

Carga Horária por Módulo: 12 horas
Horários: sábado das 9hs às 18:30hs e domingo das 9hs às 13 hs

Valores:
R$ 260,00 para módulos avulsos
R$ 660,00 para os 3 módulos

Incluso alimentação vegetariana e coffee breaks no sábado.

Mais informações: 11 – 3735 4085

23.6.10

SEM DIREÇÃO!

da para dizer que o foco principal da educação ativa é a não diretividade.
os alunos não são direcionados para a aprendizagem.
e de onde vem tanta confiança no desenvolvimento da criança que não é preciso obriga-la a (a)prender?

Margarita fez a analogia com a experiência do grão de feijão, que colocamos na terra e só precisamos manter o ambiente propicio para ele (luz do sol e agua na medida certa).
ficamos assistindo e vemos o grão desenvolver suas raízes, seu tronco e folhas, tornando uma planta, que por si só acontece.

assim é a natureza, e nós também somos natureza, então também nos auto-desenvolvemos.

para ser um pouco mais cientifico temos a ajuda do biólogo Humberto Maturana com o conceito de autopoise, que significa a capacidade dos seres vivos produzirem de modo continuo a si próprios.
alias o livro "a árvore do conhecimento" de Humberto Maturana e Francisco Varela nos oferece através das bases biológicas, um modo inspirador de compreender a vida.

isso quer dizer que o ser vivo é autónomo, e compreender a autonomia do ser vivo é o fio condutor desse modo de pensar.

no embrião encontramos vontade de desenvolvimento, possibilitamos um ambiente adequado e logo ele se torna feto, a vontade continua e surge o bebê, que vemos dia a dia desenvolver suas capacidades psico-física, emocional, cognitiva, motora, sem nenhum direcionamento, e assim surge a criança.

uma criança no ambiente propicio vai aprender a ler, escrever, fazer contas, analisar, sintetizar, sentir, intuir, propor, arriscar, porem sem os prejuízos da escola formal, que tolhe, constrange, desqualifica, requalifica, ameaça, premia, cria dependência, desequilíbrio emocional, fobias, segregação, investe na falsa igualdade, na falsa socialização...e por ai a fora.

não vejo nada que a educação formal tenha de positivo que não esteja contemplado na educação ativa,

porque vemos resistência nessa mudança radical e necessaria?

21.6.10

ESPECULAÇÃO IMOBILIARIA

na ultima sexta-feira tivemos a palestra de Margarita e foi sensacional!
mais que revolucionario, foi evolucionario!!!

voltarei mais ativamente nos posts aqui do blog para desenvolver todas as aberturas que Margarita nos ofereceu com sua rica experiência em educação ativa.

porem antes de qualquer coisa quero compartilhar um ponto de vista de um simpático e inteligente corretor de imóveis que participou da reunião e me deixou com o riso solto.

falávamos sobre a desqualificação escancarada do ensino que já é notória no ensino superior.
as classes se transformaram em auditórios lotados de alunos que estudam em faculdades populares, o que permite o valor da mensalidade ser mais baixo, porem a qualidade de ensino mais baixa ainda.
alunos que cursam uma faculdade com o unico objetivo de ter um diploma, que por consequencia vale cada vez menos.

foi quando nosso querido corretor disse: "mesmo com mensalidades baixas, é o metro quadrado mais caro do mundo".
para logo explicar com uma expressão indignada: "você paga um aluguel altíssimo por uma cadeira em uma sala de aula, não tem nem 1 metro quadrado, faça o calculo!!!"

e é isso mesmo, eu aposto que a grande maioria que estuda em nosso sistema de ensino, está simplesmente pagando muito caro pelo aluguel da cadeira que senta, e as escolas particulares estão sempre aquecendo esse mercado imobiliário.

talvez esse modo de olhar tão perspicaz tenha me soltado o riso porque depois de tanta tristeza por exercitar o olhar lúcido sobre a situação do ensino praticado em muitos lugares do mundo, inclusive no nosso país, tudo o que eu queria era um motivo para dar risada a toa.

mas não ficamos só na critica do ensino corrente, mais do que necessária, também criamos saídas inspiradoras, que com a experiência de mais de trinta anos com a educação ativa, a educação que contempla e respeita a singularidade das crianças e adolescentes que tem Margarita ao lado da escola Pestalozzi do Equador, o sol brilhou e o horizonte clareou, afirmando uma pratica possível e muito necessária.

volto em breve para desenvolver e dar consistencia a esse caro assunto.

em tempo: o curso para pais e educadores com Margarita terá inicio no dia 5 de Julho.
para mais informações: anathomaz@terra.com.br

8.6.10

ALTERAÇÃO NAS DATAS DO WORKSHOP

Tivemos que alterar as datas do workshop com Margarita, ver mais informações sobre o curso no post abaixo.

as novas datas serão as seguintes:

modulo 1 - 5, 6, 7 e 8 de julho

modulo 2 - 12, 13, 14 e 15 de julho

modulo 3 -19, 20, 21 e 22 de julho

sempre segunda a quinta das 17:30 as 20:30

a palestra gratuita será no dia 18 de junho as 20 horas.

reforço o convite para juntos desfrutarmos esse processo tão intenso e inspirador!!!

Venham!!!!

28.5.10

EDUCAÇÃO PARA VIDA!

a minha ausencia neste blog se deu por ter ido trabalhar em Buenos Aires e o retorno me traz a grande alegria de anunciar um curso que além de muito especial se faz mais que necessário.
o trabalho da escola Pestalozzi é um trabalho consistente, ativo, absolutamente vivo; seria a escola que eu colocaria meus filhos e enquanto esse tipo de escola não existir por aqui, eles ficam em casa!

segue as informações sobre os cursos de Margarita Valencia:




Encontro para Pais e Professores da Nova Era

Com Margarita Valencia

A EDUCAÇÃO LIVRE COMO ALTERNATIVA DE CONVIVENCIA NO AMOR E O RESPEITO ENTRE ADULTOS E CRIANCAS.

Uma proposta que está revolucionando os atuais conceitos de aprendizagem e educação no mundo.
Introdução
Numa sociedade que avança rapidamente, as exigências de trabalho para suprir as necessidades de sobrevivência e pessoais marcam profundas brechas que interferem na comunicação e nas relações humanas, especialmente nas relações entre adultos e crianças ou adolescentes.
Neste contexto se faz urgente criarmos espaços de diálogo aonde possamos manifestar nossas preocupações e aprofundar temas relacionados com a educação, o cuidar e tudo que implica o constante crescimento de nossos filhos em termos emocionais, intelectuais e sociais.
Para auxiliarmos nesta tarefa, existem algumas experiências que nos falam da possibilidade de não interferir no desenvolvimento das crianças, preparando ambientes aonde possam interagir livremente e praticar a tomada de decisões, assim respeitando cada etapa do processo do seu crescimento e favorecendo efetivamente seu crescimento integral.
Esta proposta nos convida também a uma reflexão mais ampla em relação ao nosso entorno: Será que a crise ecológica, social e econômica que enfrentamos a nível mundial, não tem relação com o que as pessoas desde pequenas aprendem em casa ou na escola? A resposta é afirmativa.
É hoje comprovado que uma pessoa amada e respeitada, nas suas verdadeiras necessidades em cada uma de suas etapas de desenvolvimento, se tornará um adulto que convive em paz e respeito consigo mesmo, com seus iguais e com a natureza, se tornando co-construtor de um planeta com as mesmas características.
Estes sãos os parâmetros que norteiam a educação livre, uma perspectiva sobre a educação que nos permite construir uma vida em harmonia com as nossas crianças e adolescentes. Esta vertente se baseia em etapas sobre o desenvolvimento do ser humano realizadas por Jeanne Piaget e no conceito de “autopoyesis” do Humberto Maturana, dentre outros, que ressalta que na vida/natureza jamais existem relações instrutivas.
A série de Encontros sobre Educação Livre como Alternativa de Convivência no Amor e Respeito entre Adultos e Crianças, destinada a Pais e Professores da Nova Era, apresenta e oferece uma oportunidade de aprofundar estes e outros elementos básicos de respeito aos processos de vida e acompanhamento adequado ao crescimento da criança e o adolescente, incorporando também insumos da vivencia de uma escola, referencia mundial na área, em Equador: a escola Pestalozzi.
Temas centrais
- Funcionamento e desenvolvimento cerebral
- Fases de desenvolvimento
- Ambientes Preparados:
Liberdade e Limites
Presencia do adulto: regras e limites
Ambientes que favorecem processos de desenvolvimento
O choro e o riso como formas adequadas de processar experiências
Linguagem e verbalização: como nos comunicamos com as crianças
A importancia do brincar
A televisão e a tecnologia
A tomada de decisões e o desenvolvimento da inteligência
O brincar como forma de aprendizagem
O brincar representativo
A hora de comer
O momento do banho
O momento de dormir
O momento de se vestir

Perguntas freqüentes
Por limites e regras é ir contra a liberdade das crianças?
Como posso por limites e ainda expressar amor? A partir de que idade isto é relevante?
Qual é a função dos adultos na convivência e no cuidado das crianças?
Como podemos conviver entre adultos e crianças de diferentes idades, em harmonia, liberdade e respeito?
Se os sistemas educativos a nível mundial estão sempre em crise, porque então temos que mandar os nossos filhos para a escola?
Como posso ajudar meus filhos para que se respeitem entre irmãos?
Porque quando falo com meus filhos eles não me escutam?
Porque é tão difícil por ordem nos dormitórios dos meus filhos?
A proposta pedagógica visa intercalar apresentações de conceitos e práticas, com momentos de reflexão, individual e em grupo, de partilha, e de retro-alimentação destes com experiências praticas na vida cotidiana.
Público-Alvo: Adultos que tenham relações com crianças e adolescentes (de qualquer idade, desde recém nascidos!), como pais e professores.

Facilitadora:
Margarita Valencia A.
Formada em Pedagogia (Ciências da Educação) pela Universidade Católica de Equador. Tem 10 anos de experiência de trabalho na ‘Fundación Educativa Pestalozzi’, www.fundacionpestalozzi.com em Equador. A Escola Pestalozzi é reconhecida na área pedagógica como pioneira no seu enfoque alternativo e como uma das novas correntes educativas mais avançadas no mundo. Margarita chegou no Brasil em Julho 2009 para criar a primeira escola livre, baseada na escola Pestalozzi, no Brasil. Esta escola, Inkiri, está hoje estruturada na ecovila Piracanga, na Bahia e recebe crianças de diversas idades e nacionalidades (www.piracanga.com)

Para maiores informações sobre conteúdo do curso entre em contato com Margarita Valencia
E-mail: marvalencia321@yahoo.es

*O curso será realizado com a confirmação de um mínimo de 10 pessoas e um máximo de 20.

15.5.10

PRIMEIRO A IGNORANCIA, DEPOIS A MEDIOCRIDADE...

dizem que a ignorância é santa, pois quando não sabemos das possibilidades não sofremos, como o ditado que diz "o que os olhos não vêem o coração não sente".

acho que não é bem assim, pois mesmo quando não sabemos de outras possibilidades, em algum lugar sentimos que as coisas poderiam ser diferentes, e então começamos a pesquisar, correr atrás de algo que nem sabemos bem o que é e se não encontramos nada que nos satisfaça, e o desejo continua ganhando consistencia a gente acaba inventando, criando seja la o que for necessário para concretizarmos aquilo que sentimos.

porque nossa natureza tem desejos, independente do que sabemos.

porem quando nos afastamos muito de nossa natureza, ela reclama, incomoda, se inquieta; o problema é que vivemos em um sistema que nos oferece anestesia para essa sensação de incomodo, e nos estufa com distrações, compensações, ameaças...

então surge o outro lado, surge a mediocridade.
sentimos curiosidade, um desejo de conquistas e logo temos muitas desculpas para não nos movermos em direção as mudanças, e nos sentimos apoiados por muitos na nossa covardia, nos nossos medos, que são muito compreendidos, apoiados e até estimulados.
assim surge a reação burra em relação as possíveis mudanças e aceitamos a mediocridade, a medianidade, a media, a norma, o normal.

triste, muito triste, pois a vida faz um pacto com o medo, com o conhencido, mesmo que esse conhecido seja detestável, porque para essa situação já existe um lugar pronto, o da vitima, e assim nos tornamos "vitima" de um mundo muito duro de se viver, mas na realidade somos cúmplices desse tipo de vida, construimos esse tipo de vida.

e não tem ignorancia que nos anestesie disso, pois em algum lugar, em algum momento a gente reconhece nossa mediocridade, que dói, que ressente, que pesa, que desperdiça a vida, que joga fora uma potente possibilidade de viver, como são todas as vidas.

abaixo a ignorância, a mediocridade, o medo, a covardia, as recompensas, a vida triste.

viva a audácia, a coragem, a transformação, o inédito, o atrevimento, o desejo real que sem duvida existe em todos nós.

4.5.10

ATUALIZAÇÕES!

atualizando as experimentações:

como já contei neste post e neste outro post, desde o começo do ano não uso xampu, condicionador e derivados. Hoje completa 4 meses e tem sido cada vez melhor e mais simples.
estou na mistura do bicarbonato de sódio com óleos essenciais variados, e para enxaguar a mistura do vinagre também com alguns óleos essenciais.
meu cabelo realmente começou a fazer parte do meu corpo.
não consigo nem pensar em voltar a usar xampu!!!

com o oil pulling que falei neste post continuo firme e forte, não perco um dia meu bochecho matinal, tornei-me totalmente adicta.

desodorante, pasta de dente, e todos os produtos para limpar a casa, continuam sendo feito por mim.

parece que este modo de vida veio para ficar e tem me despertado para outros movimentos e percepções, como por exemplo, está ficando muito claro o quanto a farmácia é consequencia do supermercado, o quanto nossos hábitos alimentares nos faz realmente acreditar que precisamos de um plano de saúde.

como a normalização das doenças nos faz crer que é inevitável ter o corpo se deteriorando com o passar do tempo.

acho incrível como não percebemos as ligações indiretas que tem as coisas.

e como acreditamos nas soluções diretas como: comeu muito, passou mal, toma um remedinho que passa; e volta a cometer os mesmos abusos porque já sabe que tem ali um remedinho para tomar depois.

porem ao invés de perceber que estamos nos destruindo, pensamos que estamos arrumando uma solução para os problemas.

coisa de louco!
e que nos ensinaram a achar que isso é normal.

e assim seguimos batendo a cabeça, correndo atrás de formulas, conselhos e exemplos para seguirmos, e quanto mais gente fazendo a mesma coisa, mais seguros nos sentimos, mesmo que o que se está sendo feito seja uma grande bobagem.

talvez a saída para esse problema seja perguntar "a serviço de que/quem está tal proposta?"

a gente vai perceber que existem respostas como:

a serviço do lucro de tal empresa,
a serviço da doença, da fraqueza, da desqualificação do ser humano e da natureza,
a serviço do poder,
a serviço da ordem (ordem que beneficia quem?),
a serviço do sistema capitalista (que é um sistema que busca o lucro a qualquer custo)
a serviço do crescimento (crescer por crescer é o principio da célula cancerígena),
e por ai vai...

porem a única resposta satisfatória deveria ser:

a serviço da vida que precisa acontecer!!!

23.4.10

OCITOCINA OU ADRENALINA...

andei pensando sobre o assunto...

para desejar uma relação sexual é necessário banhar-se de hormonio.

ocitocina é o hormonio do amor.
adrenalina é o hormonio da ação.

não que uma seja boa e outra má, as duas são essenciais para vida, mas elas servem a circunstancias diferentes, mas por algum motivo, creio que cultural, a gente descordena e usa uma no lugar da outra.

ocitocina é um hormonio tímido, que precisa de tempo e confiança para que ele se mostre.
em uma relação amorosa, no parto humanizado, no convívio saudável entre as mulheres, na amamentação, nos ataques súbitos de amor incondicional aos filhos, entre outras, são situações que o hormonio ocitocina se faz presente e nos conduz a um caminho de entrega, relaxamento, confiança, amor...

mas nem sempre as circunstancias são propicias para ocitocina, então o jeito é apelar para a adrenalina.
nas relações proibidas, perigosas, nas discussões, nas brigas, no risco, no jogo, na cesaria.
vem a tensão, a tesão, a gente não se entrega mas se envolve, se enrola, desconfia, mas gera ação, sai do indiferente.

e assim a partir de nossas escolhas, de nossos modos de vida, a gente vai associando nosso sexo, nosso parto, nossas relações, conduzidos pela ocitocina ou pela adrenalina.

essa escolha é nossa!

o que não da é para ficar indiferente, pois como um vulcão adormecido, se a gente não se envolver com a vida, uma hora o vulcão acorda e com sua força incontrolável pode ser um caos, destruição, desilusão.

assim como no sexo casual, no desespero, ativa-se a adrenalina, satisfaz o desejo e fica o gosto amargo da solidão.
porque para o sexo com ocitocina tem que criar condições para que a bendita apareça e te apresente lugares ineditos, gerando cumplicidade e relação de verdade.

mas não nos enganemos achando que a ocitocina é só calmaria e segurança, se entregar para o amor é uma aventura e tanto, é só passar por um parto domiciliar para provar que não é só equilíbrio e suavidade, o bicho também pega, mas te leva a construção de uma força e confiança que te coloca em um caminho sem volta, onde sempre se quer nada menos que banhos diários de ocitocina.

pois é, andei pensando sobre isso!

20.4.10

ILUSIONISMO!!!

não existem fatos, existem interpretações sobre acontecimentos.

essas interpretações, geralmente, são tidas como informações, que raramente desconfiamos, ainda mais se a interpretação tem como atestado "está provado cientificamente".

a pergunta é: a serviço do que, ou de quem está tal informação, pesquisa, ou estudo cientifico?

eu tenho uma experiência diária aqui em casa que sempre me alerta para tais ilusões.
meu filho é magico, e está ficando cada vez melhor nisso, e todos os dias me aparece com truques que me fazem ver só aquilo que ele quer, eu não vejo o que está por traz da magica, não tenho ideia de como ele faz tudo aquilo acontecer a centímetros de mim e eu só vejo o que ele quer.
não é incrível?

é possível transformar qualquer acontecimento em um fato, basta te mostrarem somente o que interessa ao fato.

não é nenhuma novidade que muitas teses e teorias que já foram provadas cientificamente no passado, caíram por terra.
bastou mudar o ângulo, a interpretação, e a tese ganha outro sentido.

por isso não basta somente se encher de informações, procurar a verdade, fazer estudos...

tem que aprender a pensar, a encontrar o problema real, a decodificar a serviço de quem está a interpretação, a criar novas experimentações, propor novas saídas, buscar a pergunta precisa e não a resposta certa.

mudar o ângulo, encontrar outra visão...

lembrar sempre que não existem fatos, somente interpretações dos acontecimentos!!!

14.4.10

UMA QUESTÃO DE EQUILIBRIO!

posts atrás vim com o tema equilíbrio, e no anterior, como o desequilíbrio nos leva a interiorização dos problemas, sugerindo que um movimento interessante seria investir em nosso equilíbrio corporal.

esclarecendo que equilíbrio é um movimento dinâmico e não uma posição certa e fixa, que é uma questão singular e não universal, que o equilíbrio já está no corpo e que o caminho é parar de impedir que esse equilíbrio dinâmico aconteça.

como já coloquei anteriormente um dos fatores de desequilíbrio é a super valorização da capacidade racional e a desqualificação do corpo como algo vivo, criador e gerador de vida.

a escola cumpre bem essa função, estimulando o exercício racional e entulhando corpos atrás de carteiras.

a partir desse corpo distorcido, nossa percepção do mundo também fica distorcida criando assim o senso comum, que é uma maneira de retratar a condição desequilibrada de uma sociedade, assim também como o bom senso, que é o resultado da percepção fragmentada e limitada que temos da vida.

o corpo equilibrado, a vida equilibrada é aquela que cria, que se cria, que é capaz de ver em cada relação o problema essencial para seu desenvolvimento e deleite da vida.

um bebê recem nascido acorda no meio da noite em seu berço e chora, sua mãe prontamente vai atende-lo, mas leva um tempo real de deslocamento, preparação para amamentar e enquanto isso o bebê continua chorando ferozmente, assim que encosta a boca no seio, para imediatamente e se entrega ao prazer do saciamento, como se nada houvesse acontecido.
essa situação se repete todas as noites.
ele aprende e se desenvolve com a situação, pois em pouco tempo ele já para de chorar assim que vê sua mãe e espera o tempo necessário para poder mamar, e com mais tempo ele chega a chamar a mãe, sem nem precisar usar o recurso do choro.

porem se a mãe prefere treinar o bebê a parar de mamar durante a noite e o bebê é abandonado em seu choro até cansar, ele desisti por resignação, entra em colapso e desequilíbrio; não vai morrer por isso, mas começa a criar seu estado de ressentimento, acreditando ser ele o criador do problema ou sua vitima.

o convite ao desequilíbrio está por toda parte, em casa, na escola, na rua, em nosso modo de vida, em nossos corpos.

acho um passo essencial perceber o meio em que estamos inseridos e que não estamos presos a ele, simplesmente somos cúmplices e ajudamos a sustentar e proliferar esse modo desequilibrado de viver, mas o equilíbrio insiste e persiste, ele ainda está aqui, dentro de nós, louco para ser liberado!!!

7.4.10

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

nesses últimos dias, tenho pensado muito que não existe conflito original em nós.
o corpo equilibrado não tem conflito, tudo se desenvolve harmoniosamente, não existe nenhum órgão querendo tomar a função de outro; as pernas estão sempre de acordo em relação a que direção seguir; apesar de tantos vetores de forças distintos, todos trabalham em um sentido comum...
mão esquerda não tem inveja da habilidade da mão direita; os fluxos do corpo não exitam, fluem para onde tem que fluir...

aonde aparece o conflito então?

na relação!!!

conflito, problema, estimulo, demanda, impulso, provocação; tudo isso acontece na relação.

e sempre estamos em relação!
temos relação com o ar, com o alimento, com a gravidade, com os outros.
mesmo isolados estaremos sempre em relação.

então estamos sempre expostos a problema?
sim!!!

então qual questão deste post?

que não há conflito "interno", ele sempre pertence a relação.

os conflitos não são pessoais e sim relacionais.

qual a diferença?

se a pessoa está "equilibrada" os problemas não se internalizam, eles fazem parte da relação e não das pessoas.

se algo me frustra meu corpo não torna-se frustrado, assim que a relação muda a frustração desaparece, não fica o ressentimento ecoando pela vida afora.

ao observarmos as crianças isso fica muito claro:

a criança discorda de algo, daí ela briga, fica furiosa, pode fazer o escândalo que for, se você observar o corpo dela, por mais alterado que pareça, suas estruturas estão intactas, sua coluna continua sustentando seu corpo, seus membros estão coordenados, seus músculos estão intensos porem sem tensão, assim que o problema se resolve, tudo desaparece, como magica, e aquela criança não fica remoendo o assunto, ofendida, ressentida, simplesmente passa.

quando um adulto, com seu corpo desequilibrado passa por algo que ele não está de acordo, da para perceber que sua expressão tensiona e se fixa, mesmo sob disfarce; os ombros contraem, a garganta fecha, o estômago e a respiração são afetados, o cérebro é tomado por pensamentos fixos; e por mais que a relação causadora de tantos problemas se transforme, fica ali uma ferida, uma marca, que ressoa, que ressente, que nos adoece.

então a solução é investir no equilíbrio original do corpo, na verdade desinvestir no desequilíbrio pois o equilíbrio já está lá presente, desde sempre.

que equilíbrio é esse?

volto amanhã para destrinchar o equilíbrio primordial do corpo.

1.4.10

QUANDO O EQUILIBRIO ACONTECE!

minha frequência aqui no blog tem diminuído por motivos nobres.
eu tenho me surpreendido com desejos nunca antes imaginados e que estão me invadindo com uma força difícil de controlar.

eu sempre investi no exercício do equilíbrio, não permitindo que meu intelecto predomine sobre todas as outras potencias do meu corpo, pois o processo mental racional só sabe lidar com o conhecido, com o conhecimento, com a organização e especulação.

maravilhoso ter uma mente racional funcionando plenamente, mas isso não da conta de tudo que nos acontece.

existem outras "inteligencias" em nós capazes de criar e enfrentar situações nunca vividas antes; o que na vida é essencial pois ela é cheia de surpresas.

vamos ao fato:

comecei a sentir um vontade genuína e inédita de cozinhar.
algo que nunca fez parte do meu cotidiano.
sem entender de onde vinha esse desejo, me entreguei a ele e fui me aventurar na cozinha.
o jantar ficou por minha conta.
errei muito, tive que jogar comida fora, mas nada me abalava, continuei tentando e cheguei a acertar bonito.

mas a aventura não parou por ai, alem de me arriscar na cozinha comecei a sentir uma vontade louca de aprender a costurar.
comprei uma maquina, tecido, me reuni com minha amiga Daniela e comecei a criar, mesmo tendo que desmanchar varias vezes para que o vestidinho da minha filha fosse digno de ser usado, também não desanimei e costurar já virou meu hobby.

não me esforcei muito para tentar entender o que estava acontecendo, senti um desejo genuíno e investi nele, caso eu quisesse resolver a questão via razão, eu teria muitos argumentos para não usar meu tempo com algo que até então nunca me interessou.
mas ao invés da razão dominar, ela foi aprendendo o que estava acontecendo e me trouxe a luz a explicação desse mistério.

para o modo de vida que estou criando é mais do que necessário que eu aprenda a ser caprichosa, que eu ganhe qualidade no acabamento, coisa que eu nunca investi na vida, nunca fui uma pessoa caprichosa mas também nunca achei que isso me fazia falta.

quer algo que exija mais capricho que cozinhar e costurar?

então algo em mim, não consciente, não racional, nada intelectual, captou a necessidade e me liberou o desejo, para tempos depois eu entender, e concordar com minha ação, e agora poder mais ainda desfrutar desse momento.

esse é mais um problema da escola, nos fazer acreditar que o pensamento racional é o único caminho para uma vida bem sucedida.
e isso está longe de ser real.
o processo racional tem seu enorme valor, mas no lugar dele, e não no controle do corpo e da vida.

nosso corpo tem que ser desenvolvido por inteiro, um processo educacional tem que contemplar todos os órgãos e não só o cérebro, todo o corpo e não só a cabeça.

não tem como equilibrar uma sociedade vivida por corpos desequilibrados.
não tem como equilibrar uma vida com o corpo desqualificado.