16.2.13

A ARTE DA VIDA

eu acredito que cada um de nós tenha um modo de expressão, um talento, uma necessidade

podemos ser ator, pintor, poeta, dançarino, escultor, cozinheiro, educador, organizador, matemático, engenheiro, esportista, construtor, sonhador...

a expressão é nossa mídia, aquilo que com naturalidade brota em nós

mas a matéria prima de qualquer expressão é a própria vida

a vida de cada um de nós

nossa vida é autobiográfica

através do nosso modo de vida, nosso modo de pensar, sentir e agir, criamos quem somos nós, nossa matéria prima, que será apresentada através de nossa expressão, seja ela qual for

por isso, alem da expressão, precisamos investir no nosso modo de viver

em nossa matéria prima

fazer da vida uma obra prima

uma obra de arte

então não podemos gastar tempo e energia vivendo uma vidinha cotidiana a serviço de um sistema que não nos representa, que não nos considera uma obra singular, que não nos permite expressar nossos potenciais

não se distraia de si mesmo

a capacidade de existir como obra de arte está na própria natureza da vida, seja na vida animal, vegetal ou mineral

quem não se encanta com o aroma das plantas, suas cores, seus formatos

e com o brilho das pedras, sua força e encantamento

e com a beleza do porte animal, sua variedade, intensidade e singularidade

não é preciso nenhum esforço, a capacidade de ser obra prima já está na natureza, já está em nós

é preciso investir nessa divindade da vida

e assim nossa expressão, com sua matéria prima viva, fluirá intensamente, e dará a vida seu sentido próprio e sua necessidade de existência

não vamos perder tempo e energia alimentando nossos medos, nossas vidinhas medianas, nossa serventia a mediocridade do sistema que estamos sustentando

vamos investir na vida, na arte de viver, na expressão que existe em cada um de nós






4 comentários:

carla barbosa disse...

Acredito ainda Ana, que o ser humano é repleto de formas de se expressar e interesses infinitos, e que nosso apego a uma unica forma de expressao é resultado do proprio engessamento da vida, ja que desde cedo aprendemos a necessidade de se escolher uma carreira, e de nos dedicarmos a ela pelo resto de nossos dias. Afinal sao as exigencias do merdado! Que empresa séria, investiria seu dinheiro em um funcionario que pula de galho em galho? Essa ideologia se estende até as formas de expressao que propoem o questionamento desse sistema. A maneira de se expressar tornou-se assustadoramente mais importante do que a expressao. Já que é atraves do rotulo de nossa forma de expressao que criamos a imagem a ser refletidas de nos mesmos. Nossa "identidade".
A vida está em acontecimento, em fluxo, e devemos entender nossos interesses como parte do fluxo. Eles podem se manter, ceder um pouco de espaço para outras formas de expressao ou simplesmente deixarem de fazer sentido em nossas vidas. Pensando assim, creio tornar-se impensável o aperfeiçoamento de uma forma de expressao em detrimento do aperfeiçoamento de nossas vidas.

Um grande abraço Ana, e escreva, escreva sempre...é muito raro nos depararmos com a lucidez nesses tempos dificeis

Fabio Santos disse...

Muito lindo.

Anônimo disse...

Não se distrair de nós mesmos é sempre um desafio, mas é importante esse momento de "sair" e "entrar" em nós mesmos para enxergar as nuances como num processo de meditação que a mente "foge" e depois retoma o caminho do próprio ser !

denisesoares.ds@gmail.com

Anônimo disse...

É urgente que invertamos o cogito cartesiano ("Penso, logo existo").
Existir (fisicamente, com nosso corpo) é condição para se pensar. Então, "separar" o corpo da mente é uma forma de deixar de ser. Fica fácil distrair-se de si mesmo, quando a mente é "separada" do corpo.

Ana é brilhante em suas colocações!!

Eliene