17.6.13

PODEMOS SER LIVRES!

cada vez mais tenho dado conta que a desescolarização é parte de uma grande mudança de paradigma: a massificação

para controlar - dominar pessoas, é necessário massifica-las

criar população, criar a massa

e não existe população e nem massa na natureza

existem singularidades

cada vez que presencio o nascimento de um bebê em um parto natural assisto uma mulher singular parindo e um bebê singular nascendo

ali se comprova a não massificação da vida e das pessoas

precisamos exercitar nossa singularidade

deixar de querer fazer parte da massa

seja a massa da classe media

seja a massa dos alternativos

não precisamos nos juntar em massa para criar condições de vida potente

paradoxalmente, é na singularidade que aceitamos a diferença

é na singularidade que nos unimos verdadeiramente, sem interesses, muletas, especulações

a monocultura é a massificação da agricultura, é o empobrecimento do solo, e do alimento

estamos sempre buscando nossa monocultura, nossa turma, os iguais, a igualdade

é na diferença que a vida acontece de modo potente

na diversidade a vida criativa acontece

o ser singular não é um individuo fixo, que não muda porque não quer perder sua individualidade

o ser singular se diferencia de si mesmo constantemente, se cria, se auto produz, vida afora

nem por isso é um ser inconstante, mas sim atualizado com tudo que lhe atravessa, que chega aos seus sentidos

é o ser do presente

na singularidade encontramos o universo dentro de nós

e sentimos a cada mudança em nós, o universo em movimento

voltamos para nossa velha questão

o trabalho é em nós

a mudança é em nós

em cada um de nós

não precisamos de um mundo perfeito para encontrarmos a perfeição

a perfeição pode acontecer imediatamente em nós

e como a realidade não existe e sim insiste

é necessário insistir na realidade da perfeição da vida constantemente

sempre em mudança, em movimento e alinhada a potencia da vida

desinvestindo em nós a busca de sermos parte de uma massa

nossas ações serão outras, nossas emoções serão outras, nossa vida será outra

assim não precisaremos desejar a igualdade e sim afirmar e aceitar incondicionalmente as diferenças

assim não precisaremos de justiça, nem de leis eficientes, nem de policiais gentis

seremos livres


6 comentários:

Ana Célia Malavasi disse...

Exato Ana, esse texto me fez lembrar quando estudei comunismo na faculdade. Eu pensava, isso não pode funcionar, pois partem do princípio da igualdade das pessoas e as pessoas não são iguais... Se a beleza da humanidade vem justamente das diferenças, que desperdício querer colocar todos iguais. Sem dúvida a evolução seria perdida. Hoje tenho certeza disso e busco a cada dia me reconhecer como única!

Eliene Neves disse...

Ana!!

Esses dias andei refletindo, acho que no mesmo sentido que vc, sobre como os ambientes que buscam a massificação acabam rotulando as pessoas de modo que elas possam fazer parte de algum tipo de grupo: os tímidos, os bagunceiros, os quietinhos, os "líderes" etc etc... E isso é muito triste, pois, em se tratando principalmente de crianças, faz com que elas entendam sua identidade como algo feito e determinado. É como se amarrássemos a criança e a fizessemos acreditar que ela é "só" aquilo que predeterminamos....

Aí, pegando o que vc escreveu sobre não haver massificação na natureza e os tais rótulos dos quais falei acima, fico pensando nos pássaros que migram e vão se revezando na dianteira do grupo de forma a facilitar o vôo dos demais... Em uma visão tosca, imagine se o pássaro, que primeiro foi na frente, fosse rotulado de líder e não pudesse se desvencilhar dessa posição?!!

Essa rotulação que os ambientes massificantes (as escolas, principalmente pois lidam com crianças) fazem, tem uma capacidade imensa de empobrecer da experiência humana. É como se estivéssemos jogando fora um mundo de possibilidades para dar preponderância a uma só possibilidade.

Adoro suas reflexões!

Espero que vc venha ao Rio para eu te conhecer de perto!!

Eliene

Carolina Frîncu disse...

Texto incrível! Hoje, voltando de João Pessoa, com as crianças dormindo no banco de trás, marido e eu conversávamos sobre massificação, pasme. Sobre essa coisa de mandar as crianças obrigatoriamente para a escola aos 4 anos e a perda que isso significa para cada um, para o país e como a escolarização mata o processo criativo formatando, moldando gentes para serem iguais. Falamos sobre as razões de o governo desejar a massificação e etc.

E que desafio fazer diferente de tudo isso sem querer uma bandeira do diferente. É de difícil assimilação o ser diferente sem estar num grupo "diferente".

Tem muita crítica nesse processo todo e tenho tentado aprender a lidar com ela para crescimento.

Às vezes as pessoas dizem que sou hippie. Não sou. Não quero ser.
Quero ser eu e só. E minhas escolhas. E quero que elas mudem. E que eu me revisite. E mude de novo e me recrie e ajude meus filhos a ter seus próprios processos de criação.

Já pensou um mundo livre? Coisa linda de desejar.

Maria Rita disse...

que bom ler esse post hoje dia de potencia, tao importante para o nosso pais

Lunna Miranda disse...

Ana, muito obrigada!
Eu me vejo tantas vezes perdida com idéias tão esdruxulamente contrárias a tanto. É tão bom sentir que pensamentos assim estão passando a ter força graças a pessoas como você.

Ricardo Medeiros disse...

Parabéns. Acho você Iluminada.

Eu sempre achei a escola um lugar terrível, sofri muito por lá.

bjos.