14.6.15

ENTRE A IMORTALIDADE E A REPRODUÇÃO - CAOS E HARMONIA

a noite passada vivi uma experiência transmutadora...depois de ajudar as meninas a dormirem, fui para meu quarto e comecei a sentir calafrios, rapidamente coloquei um pijama quente e me enrolei em cobertas, os calafrios foram se transformando em um frio profundo nos ossos, tremia tanto que temia ter uma convulsão, o frio estava insuportável e o mal-estar aumentava, o marido em são paulo incomunicável em um set de filmagem, decidi ficar lúcida, mantive a calma com a respiração profunda e tranquila, e a tremedeira piorava, as dores nos ossos, enjoo, o corpo todo contraído, frio que eu nunca havia sentido antes, precisava de ajuda e logo pensei em uma cena do filme lucy*, alcancei o laptop e coloquei o filme, primeira frase do filme 
"a vida nos foi dada a um bilhão de anos, o que fizemos com ela?"
...enquanto o assistia fui vivendo muitas transformações, depois de um período de frio meu corpo começou a esquentar, a esquentar muito, senti a pele queimando, não suava, continuava totalmente coberta, e o calor aumentando...estava mais atenta a parte cientifica do filme do que a ficção, escuto o cientista dizer que as células de qualquer ser vivo tem dois caminhos, o da imortalidade e o da reprodução, quando o meio ambiente está em harmonia as células escolhem reproduzir, quando o mundo está em caos elas escolhem a imortalidade, ou seja, a autogestão, logo pensei em todas as experiências de autossuficiência que estamos vendo muitas pessoas experimentarem, como o desejo de plantar o que come, ou até de viver de luz, outros estão vivendo a auto cura, alguns construindo a própria casa, muitos saindo da vida "segura" se desvinculando de instituições e indo atras do desconhecido, outros em processos xamanicos, muitas comunidades surgindo...me parece que já estamos sabendo aproveitar o caos...estamos reconhecendo que ainda não sabemos o que podemos, até onde pode chegar o ser humano e o que acontecerá se desbloquearmos os fluxos de conexões para ampliarmos a potência, cada um a seu modo tem procurado o caminho da autopoiese, da auto construção nas relações...o filme seguia e as sensações no corpo cada vez mais intensa mas já sem incômodos (pois perto do que vive lucy)...volto a pensar no dia a dia e reconheço que por outro lado ainda existe muita destruição em nossas ações cotidianas, no modo como nos alimentamos, como nos relacionamos, como nos movimentamos...estamos criando a destruição por isso nossas células estão escolhendo acessar a possibilidade da imortalidade, muito sedutor a ideia de nos tornarmos imortais, porem o preço é alto, um grande paradoxo, para a imortalidade acontecer precisamos viver em caos, pois no equilíbrio e harmonia nossas células escolherão a reprodução onde  passaremos adiante nossa aprendizagem e conhecimento, morreremos e seguiremos nosso processo (não sei como nem onde)...isso é um convite para fazermos as pazes com a morte e reconhecer sua participação essencial na vida harmoniosa...lucy encontra a plenitude ao acessar 100% das conexões de seus neuronios, cada ser humano tem 100 bilhões de neuronios disponíveis para conexões, dizem que estamos nos 15% de liberação de nossas conexões, temos um bom caminho pela frente...os bloqueios estão na separação, acreditamos que somos uma pequena parte da nossa potência, chamamos essa pequena parte de "eu" e assim treinamos essa separação, aprendemos a super valorizar a mente e a colocamos em um lugar de ilusão e ficção, criamos uma identidade, uma individualidade, acreditamos nessa redução da existência, essa é a ilusão...o caminho para o todo pode ser o desinvestimento dessa separação, dessa ilusão, esvaziar para que a mente volte a seu lugar e se componha com outros fluxos para que o todo surja, e o vazio seja nosso estado diário, para que nesse vazio os fluxos possam criar conexões...o vazio de cada um de nós é único e singular, legitimo e incondicional para a construção nessa terra...bem vinda as transmutações físicas, emocionais, corporais...que venha a lucidez de aproveitar o caos pois dele surgira a harmonia que voltará a produzir caos e poderá nos levar a harmonia, essa é a dinâmica da vida...frase final do filme
 "a vida nos foi dada um bilhão de anos, agora sabem o que fazer com ela"
...o filme termina e já me sinto muito melhor, vou ao banheiro, vejo meus olhos vazios, mas cheios de vida, acho graça, volto para o quarto, olho a hora, 2:22, sinto a perfeição do tempo, e durmo no abandono da confiança...


*lucy - filme de luc bresson (não fuja do filme por conta da violência que ele contem, ela pode ser vista como analogia da violência que cometemos diariamente nessa produção de mundo caótico que ajudamos a construir)

8 comentários:

Ana Carolina Pais de Souza disse...

Quando observamos as manifestações sociais e individuais, vemos nitidamente uma resposta e uma reação ao tempo e espaço em que estamos inseridos.

Assim como esse calafrio é uma reação, as manifestações celulares ou sociais nos dizem alguma coisa***

Gosto de comparar reações como esse seu calafrio com o funk nas periferias....


Parabéns Ana.
Estou me formando em Letras. Logo menos entrarei em sala de aula.
Morrendo de medo, mas com muita esperança.
Sinto muito desamparo profissional...

Uma das minhas angustias é o preparo e todos os problemas da classe.
Estou lendo ouvindo e assistindo d tudo, pra esse medo sair de mim.

<3
Vc está sendo uma bela inspiração***

Gerusa disse...

Ontem mesmo, num curso de cura energética, compartilhamos essas experiências atuais com grandes variações de temperatura corporal especialmente durante as noites.
Muito curioso tudo isso.
Parece que muita gente tem sentido.
confesso já ter fugido desse filme por causa da violência.
repenso...

abraços

bruno disse...

Eu tive uma experiência com esse filme, mas foi ao terminar de assistir. Achei muito impactante a última sequência do do filme, onde a personagem retrocede até o multiverso. Experimentei uma sensação de dissolução, acompanhado por um a vertigem, um medo de fechar os olhos. Respirei profundamente, sentindo meu coração acelerado, torcendo para que aquele processo terminasse. E isso me deixa perplexo: torcer para que acabar, ao invés de experimentar, de ter confiança que dali algo possa acontecer. Você, como terapeuta, acredita que a tcnica Alexander pode me ajudar a resgatar esta confiança?

Cristiano Buril disse...

Curioso Ana, no domingo (dia desse post) após um trabalho espiritual bem profundo, estava eu tomando banho e pensando exatamente neste filme, se realmete podemos acessar essa potência máxima... não sei se compreendi ao certo o fim do filme, mas incontestavelmente nos leva à reflexão. Sinto que vivemos na Matrix e que estamos tendo a oportunidade de escolhermos juntos a pílula da consciência. Dentre as inúmeras questões que me acomentem, essa é a única certeza que me fica, da necessidade de parcerias para sairmos da ilusão e cocriarmos a realidade!

Virgínia Alves d'Avila disse...

Lindo texto,Ana e bela reflexão e bela atitude!!!
Compartilhei no meu blog.
Um abraço,
Virgínia

Carolina Mathias disse...

"durmo no abandono da confiança". Lindo. Tenho aprendido com você a cultivar a confiança e tem sido mágico, libertador, mas muito a trilhar... no meu episódio de crise alérgica só conseguia confiar em médico e indústria farmacêutica :( mas acho que faz parte do meu processo de aprender a pedir ajuda... obrigada pelo relato!

Anônimo disse...

Como vivemos tantas sensações... Vem da alma e chegam mm no corpo.
Com filho adolescente e no caminho de me abrir mais e mais para as sensações e percepções num trabalho com as emoçoes para poder agir mais inteira,sinto um caminho muitas vezes árduo demais... Chegamos ao ponto de nos atracarmos mesmo.
Depois vem um vazio... parece nenhum sentimento.
E aí vem chegando alguma coisa devagarinho, e, passa pelo corpo sim!
Ainda estamos identificando o que é: Medo,sensação de liberdade de chegar num ponto muito alto da agressividade e de lá renascer de novo desse vazio.
Tb senti uma tremedeira...
E agora, um calor!Uma paz de entender que não somos donos de ninguém.
Gratidão Ana, pelo seus compartilhamentos.

Anônimo disse...

Foi a melhor descrição e analogia que li!!