10.1.17

CAPITÃO FANÁTICO!

perdemos as conexões primordiais

conexões primordiais capazes de sustentar e liberar todos os movimentos para que as relações aconteçam em fluxo e criação

sem as conexões primordiais ativadas, buscamos compensações em conexões secundarias, uma substituição precária e ineficiente

por isso todo movimento de mudança acabada sendo “mais do mesmo”

por maior e mais extrema que seja a mudança, seguimos reproduzindo a vida que não queremos mais ter

está em cartaz um filme que ilustra bem isso, “capitão fantástico”

um casal que decide sair do sistema com seus filhos mas acaba reproduzindo o mesmo sistema, pois deixa de ser escravo desse sistema da vida do senso comum, mas continua escravo na preparação insana da luta contra esse mesmo sistema

não transmuta para vida criadora, segue estagnado preso a luta, ao ativismo, a referencia de que a vida é esse sistema

porém, esse sistema é efeito de um modo de vida e não a causa

lutar contra ele é arriscar a vida por muito pouco, ou como no final do filme, entrar em um acordo e ficar no meio do caminho, na ilusão que encontrou o caminho do meio

capitão fantástico torna-se assim o capitão fanático que não entra no radicalismo (aprofundar a raiz) mas no extremismo (antagonista do centro)

ainda falando sobre o filme, as atuações são ótimas, a produção é linda, mas o filme causa a ilusão que está retratando uma alternativa ao sistema

na minha perspectiva, caímos facilmente nessas ilusões porque estamos vivendo desconectados das conexões primordiais

conexões que existem no nível físico, emocional e anímico, onde uma sustenta e fortalece a outra, criando uma atmosfera que possibilita viver uma vida criadora e produtora de si mesmo, na coerência entre sentir, pensar e agir

por aqui estamos desinvestindo a escolaridade com praticas de ativação das conexões primordiais que permitem que a vida aconteça em seu fluxo criador, para que possamos viver a vida fantástica e surpreendente, livres das seduções da vida fanática e doente

3 comentários:

Ludmila Majerowicz disse...

Fui assistir ao filme com uma expectativa ótima e saí muito decepcionada.

Tive estas mesmas reflexões, não tão bem elaboras como você, é claro, mas saí me perguntando:

Porque o cara saiu da cidade, levou as crianças para o mato, mas levou sua biblioteca?!?!?!?!

E ainda mais, porque imprimiu uma rotina estafante para as crianças, tanto quanto as que crianças da cidade tem!?!?!?!!?

E porque precisou provar que seus filhos, apesar de crescerem no mato, possuíam todo um conteúdo informacional que não tinham o menor sentido para eles e para a vida que estavam vivendo?!!??!?!

Visão "velho paradigma" de uma vida que pretendia romper com o velho.

Confusão total!!!!

Anne Carneiro Rocha disse...

Sim, a produção do filme é excelente a ponto de que, se estamos um pouco desatentos, quase somos levados a acreditar que a proposta sedutora de "encher as crianças" com livros e atividades e meditação pode funcionar - como se pudéssemos manipula-los e como se fossem jóias que dependem de como vamos polir para que se tornem brilhantes - isso para mim é o mesmo que acreditar que os seres são vazios e dependem de nós para se tornarem algo - o mesmo que a escola tradicional faz. Ou seja, quase caímos na tentação de podermos esculpir seres "fantásticos" e que isso depende de nós - e também na tentação de que esta abordagem poderia "funcionar" - tratar seres como um copo vazio para colocar "tudo que há de bom" dentro e termos resultados "ótimos" (rs). Foi preciso um segundo de lucidez para dizer "caramba, fora do filme, na vida real, isso tem enormes chances de ser uma grande catástrofe para todos ali" - algo que não se sustentaria nem por 2 meses, sabe?

O que eu gostei foi a pitada de honestidade em mostrar o grau de catástrofe que esse sistema criou, em que esta "educação" não conseguiu sustentar nada do que é real - como manter relações com os outros seres - que é o que verdadeiramente nutre a vida.

Também gostei quando foram autênticos ao vivenciar o luto e em algumas poucas partes dava para perceber uma abertura em vivenciar a experiência por si só - entrar em relação com ela de coração aberto - como foi a parte do luto e também a abertura que as crianças tinham em falar sobre a vida, sobre a morte (com mais natutalidade, sem proteções), expor o que era verdadeiro para elas (às vezes). Me parece que oscilava de um extremo para o outro, dessa honestidade em falar para a fala robótica que partia da construção idealista do pai delas - isso acabava confundindo o espectador.

O final não me decepcionou tanto - acho que foi uma sensibilização ao pedido de um dos filhos que refletia os outros - acho que é o certo para mim ter abertura e flexibilidade para experimentar mudar e em cada experiência vamos colhendo algo novo e nos adaptando - como se expandissemos nossos horizontes. Fazemos e somos o melhor que podemos ser no momento pois é isso que nossa percepção nos permite. Eu vejo que se abrir para uma mudança é também transmutar. Não temos como saber o que estava dentro dele antes e depois. Também não tirei maiores conclusões pois não sabemos: continuarão a caçar? Continuarão a cantar? A fazer o que lhes é espontâneo ou autêntico ou que vem do coração ou da alma? Estas experiências de fato eram autênticas para eles? (Me deu a impressão de que sim). Como saber se transmutaram de fato ou não?

Bom filme para nos gerar muitas reflexões!

Unknown disse...

O filme retrata a saga de uma mãe bipolar e suicida e um pai perdido que transformam seus filhos inocentes em párias.