9.2.10

DA TRABALHO! MAS FACILITA A VIDA!!!

Quando uma criança tem seus "ataques", a gente aprendeu a observar os efeitos do "ataque", vendo uma criança autoritária, sem limites, desobediente, e por ai afora.
E o remédio para esses efeitos é tentar consertar a criança (desde a maneira mais carinhosa até a mais desastrosa), deixando bem claro que ela está fazendo uma coisa errada e que essa atitude não será admitida.
Toda aquela força é então abafada, impedida de ser exercida, virando uma força do mal a ser combatida, virando uma criança com problemas que precisa ser tratada, e da para fazer esse estrago via punições/premiações ou via remédios psiquiatricos.
E o efeito é uma panela de pressão que poderá estourar a qualquer momento, nas situações menos esperadas; ou, uma apatia total em relação a vida que facilmente a levará a investir em uma vidinha medíocre, cheia de faltas e ressentimentos.

Mas um educador mais cauteloso irá observar a causa daquele "ataque", e verá ali uma força, admirável, que está em estado bruto, sem saber como expressa-la ou fazer uso dela.
E uma maneira de fazer a diferença como educador, é ajudar a criança a "adestrar" essa força tão vital e importante, e que precisa agir para construi-la e não para destrui-la.
Mas não tem nada de errado com aquela criança, ela não nasceu imperfeita, ela tem uma força que quando estiver consistente ela conseguirá agir sobre o mundo de forma singular, ativa, sentindo-se inteira e pronta para criar diante do jogo da vida.

Educar pra valer é assim, da um trabalhão mas facilita muito a vida.

2 comentários:

LUIZA PASSOS disse...

Ana,
Mas o que a gente pode fazer de efetivo, além de tentar acalmar?
A Lu deu dois xiliques...eu sentei e esperei passar, pois conversar piorava, tentar pegar no colo piorava...é uma situação tão delicada de lidar.
Por que eu entendo que aquilo é um reflexo de algo que não esta bom e foi a maneira que ela encontrou de expressar....
Mas em nenhuma das duas vezes eu poderia resolver o problema ali! Nem fazer a vontade dela, eu expliquei..mas parecia que ela nem estava escutando..chorou uns 30 minutos!
E eu fiquei perdidinha sem saber a melhor forma de agir...não acredito que punir ..ou fazer a vontade..ou negociar um "presente" seja a melhor forma de lidar com isso...mas tenho que admitir...fui pega de surpresa com essa reação dela!
beijos

Ana Thomaz disse...

oi Fê,
infelizmente não tem formula pronta!
a nossa reação depende de um monte de fatores, nosso estado emocional, o lugar que estamos, o tempo que temos...
o que realmente importa é conseguir lapidar nossa capacidade de observar e ver por tras do xilique a força da criança.
uma força que está "descontrolada", mas aquela força bem usada com certeza levaria a movimentos bem interessantes.
não tem conversa e explicação nesse momento que ajude a criança, mas estar a disposição para abraça-la, escuta-la, dar outras possibilidades; mas tudo isso só quando ela estiver disposta a receber.
cada criança tem seu processo, e as vezes temos só que estar presente e entender qual movimento ela está precisando. as vezes uma vida mais simples, ou mais agitada, mais corporal, ou mais segura...
tem criança com força desbravadora, outra com força acolhedora, outra com força transformadora...só que enquanto essas forças não estão bem canalizadas elas viram xilique!
quando uma situação acontece o melhor é a gente se trabalhar para sentir-se equilibrado para ter inspiração,para encontrar um caminho para percorrer com nossos filhos, é sempre de forma indireta.
da mais trabalho que a gente imagina, mas realmente facilita muito a vida.
beijos
ana